Da Toponímia

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Vital Moreira afirma que «devia ser proibida a atribuição de nomes de titulares de cargos públicos a sítios ou equipamentos públicos, enquanto no activo e nos cinco anos seguintes.» Concordo com o princípio, embora defenda que a moratória devesse ser mais longa. O critério de atribuição de nomes a sítios e equipamentos públicos segue critérios que são, no mínimo, muitíssimo discutíveis.

Recentemente, foi atribuído o nome de uma mulher a uma rua em Gualtar. Desconhecendo a história da pessoa em questão, tratei de ir à Junta de Freguesia de Gualtar para que me elucidassem sobre as façanhas meritórias de tamanha distinção mas, pasmem-se, não sabiam na Junta quem tinha sido. Uma chamada telefónica mais tarde, souberam as funcionárias dizer-me que a senhora era muito rica e que, entre as suas propriedades, se contavam os terrenos onde aquela rua fora implantada. Além disso, tinha-se licenciado em Química e tinha doado bens à paróquia. Confesso que não pesquisei mais sobre a senhora e que, como tal, esta análise apenas se baseia na informação que oralmente me foi transmitida pelas funcionárias da Junta de Freguesia.

Estranho critério este que considera que a posse de avultados bens e a doação de parte deles a uma instituição privada pode constituir crédito suficiente para a atribuição do nome a uma rua pública. Estranho critério, sabendo-se que a construção do referido loteamento resultou em avolumados lucros para os herdeiros. Estranho critério, sabendo-se que o referido loteamento até nem foi soberbamente pensado, escasseando espaço para coisas tão simples e essenciais ao bom urbanismo como árvores. Estranho critério...

Esta banalização da Toponímia acaba por desvalorizar o tributo público que deve ser dedicado a grandes nomes nacionais e locais como Fernando Pessoa, André Soares ou Francisco Sanches.

6 comentários:

  1. e no furuto Pedro Morgado :-D

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  2. Nada tenho contra homenagens em vida, mas dar nomes de pessoas a ruas ou equipamentos é algo que só devia fazer-se com os mortos.

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  3. Em Braga deveria haver uma rua com o nome de cada estado membro da união europeia. É urgente.

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  4. n é ai numa freguesia do concelho de Braga que ha uma rua chamada Ar lindo?? O nome de uma empresa de construção civil...

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  5. Não tem nada a ver, mas vale a pena dar uma vista de olhos (sobres o eléctrico na cidade do Porto) : http://jpn.icicom.up.pt/2007/09/20/porto_electricos_regressam_a_baixa_30_anos_depois.html

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  6. Provavelmente o nome dessa senhora diz mais às pessoas de Gualtar e está melhor relacionado com a toponímia e a história local que todos os nomes dos grandes da pátria. A atribuição de nomes dos grandes proprietários ou das propriedades de há 50 ou 70 anos é uma prática comum em muitos sítios e faz todo o sentido porque preserva a memória local. A introdução de nomes como a dos países da União Europeia é uma prática parola que não valoriza o património local.

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