Braga dos Desamores

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[...] uma das imagens mais negativas da cidade resulta deste crescimento urbano recente. Outra imagem negativa da cidade presente nas monografias históricas advém-lhe das características dos seus habitantes, algumas vezes acusados de se consagrarem excessivamente ao luxo e às suas vidas privadas e de não serem coesos nem se identificarem à cidade.

Esta análise emanada do IV Congresso Português de Sociologia [via Socióloga Avense] vai ao encontro do que vimos sucessivamente denunciando. Os acentuados fluxos migratórios e a rápida ascenção social são alguns dos elementos justificativos da progressiva descaracterização da urbe e do desapego (tantas vezes desamor) dos bracarenses pela sua cidade e pelos seus principais elementos identitários. Esta crise espelha um passado em que identidade colectiva se confundia com religiosidade comum e ritualização não era mais que pura exibição. O recato imposto e a sacralização do espaço e da vivência privados por contra-ponto à fruição do viver em comunidade encarregaram-se do resto.

Braga é hoje uma cidade que se divide entre os que veneram esse passado ('dos valores') e os que procuram emancipar-se da herança dos tempos. É por isso que vivemos sitiados entre o fervor anti-clerical (seja ateu, agnóstico ou cristão) e o catolicismo ortodoxo. Sofremos pela contradição entre o amor cego e o ódio consistente ao clube da terra (seja porque já não perde sempre com os grandes ou porque está conotado com a autarquia). Dividimo-nos entre o incómodo e a conformação no que respeita à gestão autárquica da cidade.

Haverá algo que nos une? Talvez o facto de não gostarmos da outra Braga que não é nossa.

5 comentários:

  1. Mais um texto para ser emoldurado e entregue às forças vivas da cidade que não passam de moribundas.

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  2. Penso que há muito que tem de ser feito em prol do desenvolvimento e melhoria do nivel de vida na cidade de Braga. Atrair as pessoas é urgente... Não há actividades no centro da cidade, Braga não é uma cidade que chame os proprios cidadaos quanto mais turistas...

    Comparem o dinamismo de uma pequena cidade como e Povoa de Varzim com o da cidade de Braga..,. Nada a ver...

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  3. Eu já decidi o que fazer com Braga: negar esta cidade que não é mais a cidade onde cresci. Para mim é outra coisa qualquer.

    Tenho Braga no BI com muita vergonha minha!!! Eu não me identifico com a cidade dos empreiteiros, parolos e saloios. Não me identifico com uma cidade onde a cultura não existe.

    Confesso que fico triste em ver a situação a que Braga chegou mas a culpa é de todos. Quem deixa durante 30 um miserável na câmara que queria enriquecer a todo o custo....Os bracarenses têm o que merecem! Por mim podem até mudar o nome da cidade pois esta não é a cidade onde cresci

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  4. Atitude inteligente a deste último "anónimo". É graças a esta atitude que Braga é a "cidade dos empreiteiros, parolos e saloios".
    É que para além destes, como fica bem patente, Braga é também uma cidade de derrotistas acomodados.
    Um abraço para o Pedro Morgado por este fórum de discussão que é o seu blog. Concordando ou não com as suas opiniões, leio-as com atenção e interesse porque revelam uma atitude nos antípodas do imobilismo comodista que, aparentemente, predomina na nossa cidade.

    Pedro Ribeiro

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  5. Convenhamos, último anónimo, que por vezes um grito de revolta pode ser um primeiro passo para a intervenção (desde que inteligente) das pessoas que até já não querem ser dos sítios que habitam. Devem lutar para voltar a gostar das suas terras, sendo diferentes dos oportunistas que as asfixiam.

    Cumprimentos,

    searavermelha

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