O Referendo à Europa

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O desejo de referendar o Tratado Europeu nos 27 países da União Europeia é-me sinceramente incómodo. Não me admiro que os mais fervorosos adeptos da ideia do Referendo sejam precisamente os activistas anti-Europa, conscientes de que a probabilidade do Tratado Europeu ser chumbado num dos 27 país é elevadíssima. É que o discurso anti-Europeu é populista e com grande facilidade colhe votos num terreno de grande instabilidade social.

Torna-se evidente que aqueles que querem o Referendo não pretendem uma discussão séria e avisada sobre o texto do Tratado, mas usar a consulta popular como meio de travar a construção europeia. Diz-se que os fins nem sempre justificam os meios, mas neste caso parece que os meios também não justificam os fins...

Links sobre o tema:
O carro à frente dos bois, Cinco temas, Um desejo incómodo, Prós&Contras

5 comentários:

  1. O povo português alguma vez foi chamado a tomar"partido" ou não pela: CEE, moeda única, etc.. nunca! Os nossos parlamentares são muito bons, decidem sempre por nós.
    P.s. Sou favorável à UE.

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  2. Concordo com o josé manuel faria, nunca somos chamados a nada, muito menos nas eleições de cargos, onde os "senhores da Europa" se elegem uns aos outros..Apenas temos voto no parlamento europeu, e depois acontece o que se viu no jn de ontem, em Espinho, em que pouca gente sabia dizer o nome de um deputado europeu, ou mesmo quem era o Durão Barroso.
    Bem, mas ja que se entrou por esse campo, tambem nao acho que devam agora referendar a UE, até porque muitas vezes ao dizer sim ou não num referendo deste genero, faz-se com o intuito de castigar um governo.

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  3. Este é o perigo, ainda que despoletado por sentimentos louváveis, daquela velha ideia de que nem sempre dar a escolha à população é a melhor opção. Vejamos, não desmerecendo os argumentos aduzidos no post, a verdade é que a crise da UE tem origem, exactamente, neste distanciamento entre as instituições e os europeus. Ora, se persistirmos em prolongar este distanciamento, não é difícil augurar ainda pior futuro para a Europa. Não devemos ter medo do voto popular, ainda que ele ameace a nossa vontade. O voto não é um mal menor, é um instrumento essencial do processo democrático.

    P.S.: O caso português é tanto mais grave, quanto nunca fomos chamados a pronunciar-nos sobre qualquer decisão que tenha dito respeito ao processo europeu.

    P.S.2: Sou também um euro-entusiasta.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Mas sabes, Pedro, a questão do referendo até é bastante importante e é muito mais importante para quem quer o Tratado do que para quem não o quer. A probabilidade de insucesso num dos 27 países é alta? Devia ter sido feita ainda a 15? Provavelmente sim.

    Mas uma aprovação global terá o significado e todo o peso simbólico do "poder do povo", o poder constituinte - coisa que nós cá nem tivemos, verdadeiramente, pois foi "imposta" ao povo (como alguns políticos de quando em vez fazem questão de relembrar).

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