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A cara devia encher-se-lhes de vergonha

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O Público noticia mais um capítulo da cruzada civilizacional da Igreja Católica. Desta feita, o alvo é a Amnistia Internacional, uma organização que tem sido incansável na defesa dos Direitos Humanos.

O cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício do Vaticano para a Justiça e Paz, defende que os indivíduos e as organizações que se sintam identificados com os princípios católicos devem retirar o seu apoio à Amnistia Internacional, depois de esta organização se ter declarado a favor da prática do aborto em certos casos, como violações e risco de vida para a mulher.

A Amnistia Internacional sempre se declarou neutral em relação à polémica sobre o aborto. Mas em Abril passado rompeu com esse silêncio, defendendo a prática em casos de violação ou sempre que a saúde ou a própria vida da mulher esteja em perigo, pressupostos que, segundo Martino, são moralmente indefensáveis.

A Igreja Católica tem o direito de dizer o que lhe apetecer aos seus fiéis e de financiar as instituições que bem entender. Mesmo que o critério seja "a defesa do aborto em condições de violação dos direitos humanos..." O que é certo é que Jesus Cristo coraria de vergonha se visse a acção desta Igreja que reclamam como sua e que se verga perante tantas atrocidades, preferindo atacar quem trabalha na defesa dos direitos humanos.

Derrota

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Vital Moreira no Causa Nossa:

A direita ultracatólica no poder na Polónia não conseguiu a maioria parlamentar necessária para rever a Constituição de modo a estabelecer a proibição absoluta do aborto. A actual legislação já só admite o aborto no caso de violação, de perigo para a vida ou saúde da grávida ou de malformação do feto. É contra essa limitada "abertura" que a actual maioria governamental polaca se mobiliza.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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