Portugal Depois de Ontem

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Vitória do PSD nas Europeias

Muito surpreendentemente e contrariando quase todas as sondagens, o PSD foi o partido mais votado nas Eleições Europeias de ontem, arrecadando a primeira vitória dos últimos vinte anos. O Partido Socialista sofreu uma derrota muito pesada, a penalizar a acção do Governo e a castigar severamente a campanha penosa do candidato Vital Moreira.

Não será descabido pensar numa remodelação ministerial, sobretudo se pensarmos na impopularidade da Ministra da Educação, certamente implicada na magnitude da derrota do PS. O Governo terá agora dificuldades acrescidas para manter o seu discurso e terá também que enfrentar mais combate político nas ruas e nas televisões. A imagem de José Sócrates continua a ser eleitoralmente forte, mas o PSD ganha novo fôlego apesar de uma líder conservadora, de certa forma afastada da matriz liberal do partido.

Em termos globais, os partidos à esquerda do PS apresentam uma subida muito significativa, com destaque para o Bloco de Esquerda que chega ao pódio, assumindo-se como a terceira força política em Portugal. A CDU sobe menos, capitalizando a fidelidade do voto comunista e o CDS-PP, ao contrário do que se esperava, não desaparece do mapa político, mantendo dois deputados em Bruxelas. As leituras que emergem destes resultados parecem favorecer a ideia de um governo de Bloco Central após as próximas eleições legislativas, mas demonstram também que talvez seja eleitoralmente compensador para o PS assumir-se como uma força progressista de esquerda que não vacila em matérias como a laicidade do Estado, a igualdade no acesso ao casamento civil ou a educação sexual nas escolas.

No campeonato dos pequenos, o resultado do MEP, pequeno partido tradicionalista e conservador, pode considerar-se decepcionante tendo em conta o investimento feito na campanha e o apoio, nunca assumido, dos aparelhos de algumas associações religiosas. Apesar de todo o destaque informativo e do exagero cibernético dos seus apoiantes, o MEP não conseguiu destacar-se do PCTP/MRPP, partido quase desaparecido da cena mediática. O MMS, com muito menos recursos e quase sem aparelhos, conseguiu ombrear com o MPT e obter metade dos votos do MEP, o que é verdadeiramente notável.

Nota final para os valores da abstenção, preocupantes é certo, mas condicentes com a letargia que se sente no país e, sobretudo, com o sentimento de que não está nas mãos de cada um a melhoria das condições globais de vida de todos. Mas está.

3 comentários:

  1. E que tal se tentassem descobrir o verdadeiro valor da abstenção?
    Ou acreditam que temos 9491492 de eleitores no Território Nacional, onde mora uma população de sensivelmente 10M de pessoas.

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  2. Pedro

    É interessante a sua classificação do MEP como partido "tradicionalista e conservador" mas não percebo de todo onde vai buscar tais atributos.

    Quanto às associações religiosas, nunca as encontrei aqui dentro do MEP mas pode ser que o Pedro esteja a ver algo que me passou despercebido. A que se refere?

    O "exagero cibernético dos seus apoiantes" significa que os apoiantes do MEP deviam ficar quietinhos e caladinhos? Então já não se defende a liberdade de expressão neste país? Ou a liberdade de expressão é um valor tradicionalista e conservador?

    Quanto aos recursos, sugiro que conte em Lisboa o número de outdoors do MEP e do MMS. Além dos pendões do MMS que o MEP nem sequer tem. Fico à espera das contas das campanhas para tirarmos isto a limpo.

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  3. E que dizer do resultado das eleições no concelho de Braga? Será o prenúncio do fim do ciclo Mesquita Machado? (Salvas as devidas diferenças é claro). Desconfio que lá para Outubro poderemos assistir a uma mudança política no município. Mas tb já n era sem tempo...

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