A Igreja É, Mais Coisa Menos Coisa, Isto

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«A homossexualidade não é normal, temos que dizê-lo [...] Não é normal no sentido de que a Bíblia diz que quando Deus criou o ser humano, criou o homem e a mulher. É o texto literal da Bíblia, portanto esse é o princípio sempre professado pela igreja[Cardeal José Saraiva Martins]

A Igreja Católica mantém-se fiel a ideias perfeitamente desmentidas por todas as evidências que a sociedade e, em particular, a ciência nos vão demonstrando. Apesar disso, os católicos moderados tentam apagar ou desvalorizar estes momentos infelizes, alegando que «esta gente não fala pela instituição». Mas fala. Ser católico é, precisamente, professar crença na «Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana», nesta gente que apela à discriminação dos homossexuais pela propaganda à sua «anormalidade».

24 comentários:

  1. "The question is not what one thinks about it; it is simply a fact. To be homosexual is a natural disposition, just as being heterosexual. One chooses neither one nor the other. The question is rather: 'What do I do with it?' I know excellent priests who are homosexuals; I also know excellent priests who are heterosexuals. Celibates are not 'nothing' — that is, 'neuter.' We are always one or the other. But it cannot be denied that homosexuals are deprived of certain dimensions of existence: the distinction between man and woman, between parents and children. This clearly distinguishes them from heterosexuals. But this is no reason for excluding them..."

    Embora a Igreja seja mais ou menos aquilo, também tem isto.

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  2. "(...)A orientação sexual é uma característica constitutiva dos indivíduos tal como a cor de pele, o sexo, a configuração das artérias coronárias ou a altura(...)? post anterior seu

    Queira desculpar mas como é que defende isso ? Onde se apoia ? A orientação sexual antes de mais está traçada ancestralmente, há muitos milhares de anos, e a sua predominante é a hetero. A Homosexualidade é outro tipo de orientação sexual, igualmente ancestral, mas todavia minoritária em relação à primeira. Uma não exclui a outra e vice-versa. No entanto o peso de factores digamos 'ambientais' é muitíssimo superior aos hereditários.A orientação sexual, coisa por si não existe. Esta é refractada na relação : na primeira com as figuras parentais, depois com os circundantes.A orientação sexual é produto acima de tudo da relação, não existe como algo que já tivéssemos à partida...Saul

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  3. Caro Saul,

    Apoio nos consensos científicos actuais, nas declarações das Associações Internacionais de Psiquiatria, no DSM-IV e no ICD-10.

    O facto de haver uma orientação sexual mais prevalecente não retira normalidade às outras nem contradita o que afirmei.

    O que carece de comprovação é a sua ideia de que «A orientação sexual é produto acima de tudo da relação, não existe como algo que já tivéssemos à partida.» Isto é um devaneio seu e não tem qualquer suporte nas evidências científicas mais actuais.

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  4. Pedro:
    Se for ver a posição oficial da Igreja Católica ao Diccionário de Teologia Moral vai ficar surpreendido com a posiçao humanista defendida pelo Vaticano sobre a homossexualidade. Mas convenhamos que essa sua citação está retirada do seu contexto, que se inscreve-se numa poisção sobre a aeducação padronizada das crianças. Aposto que não questionará Ortega Y Gasset, quando ele afirma "eu sou eu e a minha circunstância". Mas tem dúvidas que a "circunstância" de uma criança educada no seio de um "casal" em que ambos são do mesmo sexo é fortemente envolvida por uma realidade homossexual e que, por mais que doa, está longe de ser a padronizada?... Podem alegar que se trata de sentimentos estéticos superiores, mas a realidade será incontornável: não há nada na ciência que possa contrariar que a mais forte de todas as leis é a propensão para a defesa da vida e, por extensão, da espécie... E ninguém se atreverá, penso eu, a defender o suicídio como uma conduta normal...

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  5. «A orientação sexual antes de mais está traçada ancestralmente, há muitos milhares de anos, e a sua predominante é a hetero.»

    As primeiras grandes civilizações ocidentais não pensavam exactamente assim. Obviamente que observavam que só era possível a procriação de uma maneira... Mas não limitavam a sua orientação sexual a essa necessidade.

    Depois veio a Igreja Católica, entrou-se na Idade Média... e desde o Renascimento, do início da Idade Moderna, que se vem lutando contra muitos "traços ancestrais", muitos deles dogmas da Igreja.

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  6. Que mania de embirrar com as posições da Igreja!
    Que estavam á espera? O Livro, qualquer um deles, não é politicamente correcto! Ninguém obriga ninguém a abraçar o que lá vem! Logicamente a Igreja tem que manter essa posição. Quem quiser adere, quem não quiser não adere! Agora acho redundante misturar a ciência num campo onde ela não tem lugar porque toda a fé parte de um pressuposto tudo menos cientifico: a existência de um ser todo poderoso que condiciona a vida dos pobres mortais. Lá voltamos ao mesmo: quem quiser adere, quem não quiser não adere!

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  7. 1. «Mas não limitavam a sua orientação sexual a essa necessidade» disse JLS

    Quando se entende a procriação como uma necessidade, fica tudo dito. Deve ser como ir ao WC, também é uma necessidade...
    Certamente que esta «ideia luminosa» determina que estamos nos tempos modernos, e não em algum obscurantismo.
    Mas também fica claro e explicado o porque do envelhecimento da população portuguesa. Os portugueses andam sem necessidade ou então não perceberam essa necessidade. Até porque ter filhos até incomoda.
    Não havia necessidade...

    2. Este «debate» apresenta-se, ou dizem que se apresenta, como necessário na nossa sociedade, para se corrigir a discriminação que sofrem aqueles e aquelas que se denominam de homossexuais.
    Mas debate não significa discussão de ideias e opiniões distintas?
    É que o que vai aparecendo escrito por aqui e noutros lados tem muito pouco de debate mas mais de «bate». Porque quem expressa uma opinião diferente, só falta ser apresentado como réu de morte... aos nomes que lhes chamam.
    Desta forma, fica claro que a forma apaixonada como ambas as partes se apresentam, será muito difícil se poder dizer que serão discutidas ideias ou reflexões. Assistiremos sobretudo a uma guerra de trincheiras, e uma guerra das duras... O que na verdade vai ser prejudicial para ambas as partes... se se pode falar em partes.

    Miguel Braga

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  8. Não duvido que seja, mais coisa menos coisa,isso. O António José Saraiva, uma das figuras principais da cultura portuguesa do século XX é que nunca foi cardeal. nem andou lá perto...

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  9. O Pedro e o Vítor têm escrito excelentes posts sobre o ataque à comunidade LGBT.

    Boa sorte para o SP.Braga.

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  10. Concluindo, ser homosexual é mais ou menos como ser canhoto, não é defeito , é feitio!

    O ponto da discussão não é, a meu ver, saber se são bons ou maus, doentes ou sãos, herdados ou adquiridos.

    Muito menos um juizo de valor sobre opções sexuais entre adultos.

    Mas é engraçado ver que agora que o casamento perde peso na sociedade por ser apenas um papel, sejam os homosexuais e exigir estec "direito" meio burguês e antiquado. Há lá coisa melhor que uma existência assim? Eu continuo na minha que é pelos efeitos sucessórios que dão muito jeito em tempos de crise.

    Por mim, não me importo que casem ( devem fazer cerimónias lindas e coloridas pois em imagens de casamentos eles e elas aparecem a rigor, de vestidos de noivas e fraques,no fundo é mais uma festa), não toca em nada de subtâncial e se ficam felizes, porque não?

    Só não me parece correcto descriminar a Igreja pelas suas opiniões por muito tolas que sejam, estão no seu direito de não gostar, de discordar e de o dizer publicamente e, naturalmente, de se verem criticadas mas talvez não até ao ponto da ofensa gratuita como tenho ouvido por estes dias.

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  11. Uma pergunta estúpida
    Como nascem os bebés?

    PS:sem com isto ser contra quem é homossexual, porque cada um é como é, e toma as opcões que acha que são melhores para si

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  12. «Quem quiser adere, quem não quiser não adere!»

    E quem quiser critica, quem quiser goza, e quem quiser achincalha...

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  13. «Quando se entende a procriação como uma necessidade, fica tudo dito. Deve ser como ir ao WC, também é uma necessidade...»

    Enquanto espécie, qualquer espécie, é evidente que é uma necessidade. Das mais básicas até. A sexualidade, no sentido que falei, não tem a ver com essas necessidades. Nos dias de hoje, nem é necessário o acto sexual entre o homem e a mulher para procriar.

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  14. «Mas tem dúvidas que a "circunstância" de uma criança educada no seio de um "casal" em que ambos são do mesmo sexo é fortemente envolvida por uma realidade homossexual e que, por mais que doa, está longe de ser a padronizada»

    Francisco, mas não é esse o argumento da Igreja. Essa é a conclusão que advém do argumento de que na educação de uma criança deve existir uma figura masculina e outra feminina.

    É um argumento que implica igualmente a rejeição da adopção por uma só pessoa, quer seja homem ou mulher, hetero ou homossexual. Como implica a rejeição de qualquer família monoparental, quer seja filho ou adoptado, derivado de um divórcio ou por sempre ter sido pai ou mãe solteiro. Implica a rejeição da educação por parte de um avô ou avó.

    O argumento tem a sua raíz numa concepção de família que se restringe à família: pai e mãe casados, mais filhos. A oposição à adopção por parte de homossexuais é uma consequência lógica desse argumento e não um argumento em si mesmo, apesar de, certamente, existirem teorias sobre os terríveis "perigos" da educação que um homossexual pode facultar... Está a ver? Como aqueles "não-perigos" dos pais heterossexuais que, por exemplo, são negligentes ou retiram prazer em bater na família. Evidentemente, ser heterossexual não quer dizer que se é ou será bom pai, como ser homossexual não quer dizer que se é ou será mau pai. A sexualidade não tem nada a ver com isso.

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  15. Um Homófilo É, Mais Coisa Menos Coisa, Isto

    ... um homófilo é um indivíduo que, mesmo que se diga heterossexual, à partida não rejeita a possibilidade de vir a ter um relacionamento sexual homossexual, isto é, não descarta totalmente essa “possibilidade” ― consciente ou inconscientemente ―, nem essa possibilidade o repugna o suficiente para que possa ser homófobo. Um homófilo ou é um homossexual, ou é um bissexual assumido ou não-confesso ...

    (http://espectivas.wordpress.com/2009/02/17/sou-homofobo-com-orgulho/)

    Os homófilos mantêm-se fiéis a conceitos a ideias "politicamente correctas" perfeitamente desmentidas por uma simples análise semântica que qualquer membro da sociedade e, em particular, aqueles que usam o cérebro para pensar nos vão demonstrando. ...
    Ser homófilo é, precisamente, professar crença na "União gay, intocável, universal, publicitada e... (sinceramente, não sei onde é a sede da coisa)", nesta gente que apela à vulgarização dos homosexuais pela propaganda da sua "normalidade".

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  16. A igreja há muitos anos que vem perdendo o controlo da sociedade. Para mim ainda bem.
    Continuam com as suas manobras moralistas a tentar não perder o já está perdido.

    João Pereira
    www.planetalima.com
    http://blogplanetalima.blogspot.com/

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  17. Esta questão, no modo como tem sido colocada, parece-me, no meu parco entendimento, que, no fundo se resume a uma série de receios, por um lado, versus, a reivindicação de direitos (patrimoniais, de assistência, etc) por outro.

    A argumentação aduzida da normalidade versus não normalidade constitui um discurso claramente de natureza ideológica, graças ao qual certos detentores do discurso dominante procuram "demonizar" os não detentores.

    Parece-me que não iremos a lado nenhum se o debate tiver lugar com argumentos de natureza ideológica.

    Conviria questionar, com frontalidade, clareza, respeito e tolerância - e estes atributos, como é evidente, não são, neste contexto, inocentes - uns e outros acerca das formas de assegurar direitos similares para uns e para outros; e, naturalmente, se concordam uns e outros que ambos devam poder ter os mesmos direitos. Só isso. Nada mais.

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  18. Eu gostava que o Pedro Morgado ilustrissimo jovem médico me explicasse, a mim simples ignorante o que diz a ciência, devidamente comprovada, sobre a homosexualidade. Pergunto isto porque o Pedro explica muitas coisas baseando-se nos conceitos científicos. Eu que já vi as ciências dar muitas voltas não sou um fundamentalista cientifico, principalmente porque desconheço todas as teorias científicas e realmente não conheço nenhuma que prove que a homossexualidade é normal e faz parte da natureza humana. Mas eu, reconheço, sou leigo na matéria.

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  19. O CASAMENTO DOS HOMOSSEXUAIS


    Maria José Nogueira Pinto
    Jurista

    Esta questão tem aspectos muito importantes e outros que pouco interessam.

    O aspecto jurídico, por exemplo, é a mais pobre das abordagens porque, como se sabe, o casamento e a família são realidades anteriores ao Estado e a sua relevância não advém de sobre elas se ter legislado, pelo contrário, legislou-se porque essa relevância social, que já existia, foi reconhecida pelo legislador. O casamento e a família são o que são, o que sempre foram ao longo dos tempos, só que agora pessoas do mesmo sexo querem casar-se. Pensar que para isso basta alterar a lei é uma falácia, já que a lei alterada não muda o casamento nem a família, mas cria uma outra realidade que não é, por natureza, nem uma coisa nem outra.

    Não vale a pena dizer que uma família é aquilo que cada um quiser (eu, o meu cão e o meu canário?); nem contornar a bicuda questão da adopção, na qual o melhor interesse da criança sempre se sobreporá a construções teórico-jurídicas de duvidosa sustentabilidade; ou minimizar esse efeito, comparando esta adopção e os seus riscos com a romanceada situação das crianças institucionalizadas - sós, famintas, negligenciadas - como se fossem cães num canil. Nem fugir, e percebe-se bem porquê, ao ponto crítico da poligamia. Todos sabem que isto é assim.

    É certo que pessoas do mesmo sexo vivem em união de facto e não há que escamotear essa realidade ou desproteger situações que merecem protecção jurídica. Foi para acautelar estas situações que se aprovou uma lei. Recordo- -me bem, pois à época era deputada e participei nos trabalhos parlamentares que conduziram à sua aprovação. Afinal essa lei não serviu para nada, como se vê, porque para os que então a queriam o casamento surge, agora, como a única resposta aceitável.

    Então, porque querem casar os homossexuais? Esta, sim, é que me parece a primeira questão digna de meditação. Num tempo em que cada vez menos casais heterossexuais se casam, em que aumenta o número de divórcios e é consagrada a união de facto, este desiderato parece estranho. Nos países (poucos) em que a lei foi aprovada verificou-se que o número de casais homossexuais que contraíram matrimónio foi diminuto. Porquê? Talvez que, uma vez aprovada, a lei tivesse deixado de ser importante para uma parte significativa desses homossexuais; talvez que o importante fosse a lei e não o casamento, tal como, aliás, se passou com as uniões de facto.

    Então, porque querem tanto a lei os homossexuais? Esta é a segunda e a mais importante das questões que o tema levanta: a simbologia. Na busca de um estatuto de respeitabilidade, os homossexuais exigem um símbolo suficientemente forte para afastar os fantasmas da diferença, da discriminação implícita, de uma situação apenas consentida, do medo da homofobia, da suposição do desprezo, da condescendência hipócrita. Só a institucionalização por via do legislador de uma igualdade de acesso ao casamento, destruindo os pilares fundamentais e distintivos desta realidade antropológica e social, criando uma ficção onde todos são igualmente incluídos, os pode securizar.

    Parece-me desmesurado e, ao mesmo tempo, contraditoriamente patético. Obriga-me a pensar que no fundo de tudo isto há muita humilhação, muita insegurança e decerto muita dor. E os porta-vozes dos homossexuais, numa espécie de autoflagelação exibicionista, têm contribuído para esta humilhação, levando-me a duvidar, em alguns casos, sobre o que é que realmente os move...

    Se a lei for aprovada, assistiremos a alguns casamentos que, pela sua novidade, serão objecto de uma forte mediatização, mas a questão de fundo fica por resolver. Para ser franca, e tal como está colocado, o problema não tem solução. Porque aquilo que é diferente não pode ser igual. Nem simbolicamente e menos ainda se o símbolo é usurpado.

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  20. Sou-do-contra:

    Nada como pegar nuns livritos e fazer-se ao caminho...

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  21. Sou-do-contra:

    Nada como pegar nuns livritos e fazer-se ao caminho...

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  22. Sr. Pedro Morgado

    1ºos tais consensos internacionais não suportam a sua tese. Pelo contrário suportam aquela que invocámos.

    2º Escudar-mo-nos pomposamente atrás do DSM-IV e no ICD-10 é balofo, gratuito e não diz nada. Toda a gente sabe que estes manuais são classificações sistematizadas de perturbações mentais e não explicam coisa nenhuma. Limitam-se a descrever.

    3º Aconselho o sr. Pedro Morgado em vez de vir com essa prosápia toda estrangeirista, consultar um autor português chamado António Coimbra de Matos,que não embarca em devaneios, pois ele lhe dará a mesma resposta que a minha.


    Saul

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  23. Caro Saul,

    «António Coimbra de Matos, É psiquiatra, psicanalista e professor convidado da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação de Lisboa e do Instituto Superior de Psicologia Aplicada.»

    1. Quando esse António Coimbra de Matos publicar as suas teses em revistas científicas com peritagem internacional e com crédito, venha-me falar das teses dele.

    2. O DSM-IV e o ICD-10 são, como sabe, consensos. O que alguns psiquiatras defendem marginalmente, como sabe, não tem grande valor.

    3. Mostre-me estudos.

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  24. «2. O DSM-IV e o ICD-10 são, como sabe, consensos. O que alguns psiquiatras defendem marginalmente, como sabe, não tem grande valor.»

    Essas referências são acordos, são formas de categorizar os diversos conceitos. Tal como deve saber, na história da psicologia e da psiquiatria, muitos destes conceitos e destas categorizações geraram controvérsia e nem sempre reuniram consenso.

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