Associação Ateísta Solidariza-se com Cardeal

| Partilhar
«A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), sem se rever nos conselhos do Sr. Patriarca, José Policarpo, às católicas jovens que eventualmente queiram casar com muçulmanos, manifesta-lhe pública solidariedade perante a onda de falsa indignação com que pretendem impedir-lhe o direito à livre expressão e aos conselhos que entende dar.

Carecem de legitimidade moral para condenar o patriarca, por sinal bastante tolerante, para um bispo, os que defendem a poligamia, a discriminação das mulheres, a decapitação dos apóstatas e a lapidação das mulheres adúlteras e pretendem que o Corão substitua o Código Penal.

Antes de se manifestarem ofendidos com o cardeal, os líderes islâmicos em Portugal devem penitenciar-se do seu silêncio perante as ditaduras teocráticas do Médio Oriente e o carácter implacavelmente misógino do Islão. Face a qualquer mullah até Bento XVI parece um defensor dos Direitos do Homem.

Quem pretende que compreendam os seus preconceitos tem de os explicar com clareza. E quem quiser que respeitem as suas crenças tem de demonstrar que estas merecem algum respeito. Falta aos muçulmanos europeus explicar a que tipo de regime submeteriam os não muçulmanos se deixássemos que Alá se tornasse grande e Maomé fosse o único profeta. Falta-lhes justificar porque havemos de respeitar as suas crenças acerca das mulheres, dos apóstatas, dos outros crentes, dos ateus e de todos que critiquem a sua religião.

Mas compete também aos bispos católicos fazer o mesmo. Explicar o que fez a sua religião pela democracia e pelo livre-pensamento, sabendo-se que a derrota política da Igreja está na origem das liberdades individuais de que gozamos. E justificar porque hão de merecer respeito as crenças católicas acerca das mulheres, do divórcio, do sacerdócio, da homossexualidade e do que é ou não é pecado.

Não são só os muçulmanos que criam um "monte de sarilhos" sem necessidade. A AAP recorda que as três religiões do livro – judaísmo, cristianismo e islamismo – são anti-humanas e patriarcais. A misoginia não é uma tara exclusiva do Islão mas apanágio do texto bárbaro da Idade do Bronze – o Antigo Testamento –, herdada pelas referidas religiões. O racismo, a xenofobia, a misoginia e a homofobia são valores do Antigo Testamento.

As três religiões não têm feito mais do que reproduzir esses valores cruéis e obsoletos sendo o Islão, actualmente, a religião que mais implacavelmente se bate pela manutenção do obscurantismo.

A AAP reitera o seu firme propósito de defender as liberdades, nomeadamente a religiosa, do mesmo modo que defende o direito à descrença e à anti-crença.»

[Associação Ateísta Portugesa, via Jugular]

2 comentários:

  1. Ateístas dizem eles. Antí-religião, digo eu.

    «onda de falsa indignação com que pretendem impedir-lhe o direito à livre expressão e aos conselhos que entende dar».

    Os muçulmanos têm tanto direito à livre expressão como os católicos ou os ateus.


    «o patriarca, por sinal bastante tolerante, para um bispo»

    Portanto, no entender da AAP um patriarca devia ser muito intolerante.

    «os que defendem a poligamia, a discriminação das mulheres, a decapitação dos apóstatas e a lapidação das mulheres adúlteras e pretendem que o Corão substitua o Código Penal».

    Conheço um monte de atéus que defendem a poligamia. Assim como conheço muçulmanos monógamos. A defesa da poligamia não é um fenómeno religioso. A nível científico não há nenhume studo que diga que a monogamia é mais saudável e natural do que a poligamia.

    A discriminação das mulheres é um problema cultural. Aliás, a maioria dos ateus que conheço discrimina as mulheres.

    Há não muçulmanos que não só defendem a lapidação de mulheres como o fazem. Aliás há uma hisória de uma mulehr que foi lapidada, no Iraque, pela família, por querer casar com um muçulmano. Foi considerada uma ofensa à honra da família (crente de um seita cujo nome não me recordo). Mais uma vez, não é uma questão de religião, mas de cultura. A expressão «crimes de honra» (e não crimes religiosos) não diz nada à AAP?

    Tal como a Bíblia o Corão contém histórias e outros textos que rpetendem apenas guiar. O que muitos islâmicos pretendem instituir (e outros já o fizeram) é a sharia. A chamada lei islâmica. Resulta de interpretação e aplciaçãod e disposições do Corão. Interpretações que são à luz da moral, bons costumes e tradições, daí conter tantos crimes contra os seres humanos.

    «os líderes islâmicos em Portugal devem penitenciar-se do seu silêncio perante as ditaduras teocráticas do Médio Oriente»

    Aqui já se confunde religião com política e penitência com respeito. O islamismo é uma religião, não um regime político. A penitência consiste em arrependimento e sacrifícos devido aos pecados que a própria pessoa cometeu e não em respeito pelos direitos humanos.

    «E quem quiser que respeitem as suas crenças tem de demonstrar que estas merecem algum respeito.»

    Isso é o mesmo que dizer, quem pretende que digam que é inocente tem de demontrar que é inocente. Eu digo, «in dubio pro reo». Desde que as crenças respeitem os direitos humanos (o que implica liberdade de aderir a elas ou de não of azer) e todos os outros seres vivos, não me parece que devam ter o dever de demonstrar o que quer que seja.

    «Falta aos muçulmanos europeus explicar a que tipo de regime submeteriam os não muçulmanos se deixássemos que Alá se tornasse grande e Maomé fosse o único profeta.»

    Lá está outra vez a confusão entre política e religião. Uma coisa é um regimo político, outra é a religião.

    Está no dicionário que religião é «culto prestado à divindade; crença na existência de uma ou mais forças sobrenaturais; fé; observância dos preceitos religiosos; ordem religiosa». Não diz lá nada quanto a regimes políticos.

    «Mas compete também aos bispos católicos fazer o mesmo. Explicar o que fez a sua religião pela democracia e pelo livre-pensamento, sabendo-se que a derrota política da Igreja está na origem das liberdades individuais de que gozamos.»

    Mas é necessário explciar o que fez o cristianismo pela democracia? Nunca houviram falar na importância da doutrina cristã para a afirmação dos direitos humanos? Acham que é pura coincidência a área geográfica onde se defendem mais os dtos. humanos ter tido como religião predominante o cristianismo? Leiam uns livrinhos sobre direitos e humanos e só depois venham escrever sobre isso.

    «A AAP recorda que as três religiões do livro – judaísmo, cristianismo e islamismo – são anti-humanas e patriarcais.»

    Recordo que não há um mas três livros e que não dizem todos o mesmo. Vá lá, antes de escreverem sobre algo informem-se.

    «O racismo, a xenofobia, a misoginia e a homofobia são valores do Antigo Testamento.»

    Era tão bom que o racismo, a xenofobia, a misoginia, a homofobia e por aí fora fossem valores do Antigo Testamento. Seriam de amplitude menor e tão mais fáceis de erradicar.

    ResponderEliminar

Antes de comentar leia sobre a nossa Política de Comentários.

"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

Pesquisar no Avenida Central




Subscreva os Nossos Conteúdos
por Correio Electrónico


Contadores