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Na Esquina da Avenida

Um “voucher” da Bertrand

A rapariga deu-me, primeiro, a factura e, depois, disse-me que tinha direito a “um voucher”. Eu perguntei-lhe por que é que não dizia, por exemplo, “um vale” em vez de “um voucher” e ela encolheu-os ombros. Poderia, sei lá, haver alguma subtileza semântica que ela pudesse querer preservar, uma alusão a um episódio memorável de um filme desconhecido, uma passagem mais palpitante de um romance ainda ignorado. Nada havia, contudo, para justificar a importação da palavra.

Olhei para o pequeno papel com o crédito da Livraria Bertrand e a palavra “voucher”, afinal, também lá estava. A rapariga deve, portanto, ter sido contaminada pela ignorância de uma dessas prováveis criaturas do marketing, que agora se usam muito nos “sectores da cultura”, que copiam uns expedientes estrangeiros, mantendo-lhes designações que muito impressionam a clientela mais pretensiosa e mais parola.

4 comentários:

  1. ahah! e enquanto não levas um voucher para um forfait...

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  2. Enquanto houver muita clientela pretensiosa e parola... é assim que se ganha a vida.

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  3. O que choca é o português parolo que aceita estes estrangeirismos sem reclamar.

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  4. Sim Pedro...
    A malta anda a "comer" estrangerismos técnicos em catadupa... que fazer?

    É fruto da globalização, do "benchmarking", que contaminaram as empresas em "workshops" e outros "inputs" do género.
    É que hoje não há orçamentos, há "budget"... não há intuição, há "felling"... não há parceiros, há "partners"...

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