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Avenida Monumental

O Outeiro Lesenho





© MNA


Apesar de conhecer o monumento arqueológico há já algum tempo, pude recentemente ter um contacto mais próximo com este local extraordinário. O monte conhecido como Outeiro Lesenho ou Lesenho Grande, localiza-se na divisória dos concelhos de Boticas e de Ribeira de Pena, sendo um dos limites Sudeste do planalto do Barroso. Na zona mais alta da elevação, que atinge 1073 metros de altitude no vértice geodésico que a encima, estende-se um vasto povoado da Idade do Ferro, do qual a evidência que mais se destaca é o complexo defensivo.

O Castro do Lesenho consiste em vestígios de várias ordens de muralhas, espessas e maciças, que se dispõem, de forma não propriamente concêntrica, pelo que seria a área habitada do povoado. Este teria sido um local de grande simbologia para as populações que habitavam o Alto Tâmega no primeiro milénio antes de Cristo, não só pelo aspecto imponente da elevação, de configuração cónica, mas sobretudo pelos achados que este monumento já revelou.

As duas estátuas em cima, que figuram guerreiros proto-históricos, formam um ícone da Idade do Ferro do Norte de Portugal, e da denominada “Cultura Castreja”. Foram recolhidas no Castro de Lesenho, em data incerta, tendo sido colocadas no adro da igreja da localidade próxima de Covas do Barroso, de onde foram transportadas para Lisboa em 1785. Desde então, acabaram por se tornar numa imagem de marca da Arqueologia portuguesa, conotados, um pouco erroneamente, com os Lusitanos, com um mundo ancestral proto-histórico, do qual teriam descendido os Portugueses actuais. No entanto, a entidade colectiva e cultural na qual estavam inseridos, está hoje mais clarificada, até pelos achados de outras estátuas semelhantes, por todo o Norte de Portugal.

Já no início do século XX, duas estátuas mais, igualmente de guerreiros Calaicos, mas já sem as respectivas cabeças, foram recolhidas no Lesenho, e transportadas para Viana do Castelo, de onde seriam igualmente levadas para Lisboa. As quatro estátuas encontram-se actualmente no Museu Nacional de Arqueologia. Foram já admiradas por imensos investigadores e público geral, não só em Portugal, mas também em países distantes onde, apesar da sua proveniência ser indicada, não se tem uma ideia concreta do monumento de onde estas peças foram retiradas, o seu contexto inicial de inserção.

Boticas tem tentado imprimir alguma visibilidade ao Castro de Lesenho, bem como uma progressiva afirmação da proveniência dos guerreiros. Mas, por vezes, a interioridade é um obstáculo difícil de transpor.

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