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Avenida Ideal

Capítulo 9: da nossa Braga, tão airosa, tão pesarosa

Na passada Segunda-feira, Braga abria os noticiários da noite e, em directo, mostrava-se ao país de um ângulo diferente: a antiquíssima Braga desmoronava-se e todos os portugueses eram testemunhas.

Durante muitos anos, Braga foi falada como terceira cidade do país, cidade mais jovem de Portugal, cidade mais jovem da Europa. O crescimento urbano e a Universidade do Minho contribuíam para a imagem de um Braga moderna e jovem, uma cidade nova que crescia da histórica e bimilenar Roma portuguesa.

A derrocada do prédio na Rua dos Chãos acabou por ser apenas mais um indicador de que a cidade nova não cresce da cidade velha, cresce apesar dela. A Braga de hoje desdobra-se em duas e Segunda-feira o país apercebeu-se disso. A Braga do directo não era nem jovem nem moderna e, conhecendo-se o perigo que o prédio representava, a não acção demonstra que Braga não é capaz de assumir-se como cidade histórica e cidade moderna ao mesmo tempo.

A nossa Braga cresceu para responder aos tempos modernos, mas esqueceu-se de respeitar as memórias da Braga dos nossos ancestrais. Infelizmente, o centro histórico de hoje funciona mais como sala de recepção a visitantes do que como sala de estar dos bracarenses.

8 comentários:

  1. Na verdade não é apenas Braga que é assim, são todas as cidades. Eu conheço muita gente q gostava de morar no centro só q não pode. Não há casas, as q há são para um segmento de luxo. Em Lisboa, no Porto, etc., ainda é pior.

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  2. Caiam lá chãos e capelistas ou ainda se alevante o morto, Braga não pode é ca natureza, não lhe vai no goto, e com a aprovação da oposição de uns iguais rotos já tem plano, negócio feito, pa construir e dar cabo do Picoto.

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  3. O que me liga a Braga são os meus ancestrais. A tal cidade moderna (???), a terceira que nunca foi nem vai ser é para envergonhar quem nela nasceu. Não só pela sua fealdade como pela umbilical suspeição do facilitismo, amiguismo etc. Faz logo lembrar a Sicília e agora sem bracalânlia é o vem à mente dos portugueses quando se fala dessa "nossa" terra.

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  4. Braga só é jovem e moderna para quem vive nela. O país olha para Braga como a terra dominada pela igreja católica, com uma dos mais antigos presidentes de câmara do país. Nesse sentido, a derrocada até teve algo de coerente.

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  5. É verdade que a nova cidade nasce como quem invade e não como quem se incorpora na cidade velha. Pior que isso é a cidade a morrer, nos seus edifícios, porque se esperou a morte dos habitantes, e se não renovou a cidade-pessoas para fazer viver as casas. Não houve políticas de combate à especulação que vive e cresce da terra queimada; das casas que se deixam cair sobre pessoas.
    É preciso, imperioso e urgente, fazer habitar a cidade. E fazê-la habitar por todos. Fazer dela uma cidade multi-cultural,
    interclassista, cosmopolita. Façamos por isso, eu quero entrar nessa luta.

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  6. Em primeiro lugar condolências aos familiares. Depois, que dizer e como aceitar esta sangria de vidas, esta displicente situação em que nos vamos habituando à morte de quem moureja o seu pão?
    Um post com vários alertas a merecer muitos aplausos.

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  7. O que cai, é porque estava em pé!

    abraços

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