O Jardim Público de Fraião

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© JC - Bracara Augusta

O chamado Vale de Lamaçães é uma das áreas urbanisticamente mais problemáticas da cidade de Braga, com a agravante dos erros de planeamento terem sido cometidos num tempo em que as questões do urbanismo eram meticulosamente tratadas noutros municípios do país.
No ínicio da presente década, um grupo de ilustres bracarenses alertou a autarquia bracarense, lembrando que «qualquer plano urbanístico começa pela definição da estrutura viária e do espaço público para que se possa determinar a área de implantação dos edifícios. O espaço público tem uma função primordial pelo que nunca pode corresponder às "sobras" das várias construções

Apesar dos avisos e de todas as críticas da oposição, os erros foram-se multiplicando com voracidade, sem que a autarquia acautelasse a preservação de um espaço público capaz de garantir em plenitude o bem-estar dos seus habitantes. Numa tentativa de contrição, o Presidente da Câmara de Braga apresentou recentemente o denominado Parque Arborizado do Vale de Lamaçães como um «importantíssimo contributo para o reforço da qualidade de vida na zona urbana, designadamente nas novas áreas residenciais circundantes».

Embora esteja muito longe de responder às reais necessidades do conjunto urbano do Vale de Lamaçães, a obra anunciada tem a virtude de criar uma ilha que se espera aprazível numa cidade em que escasseiam os jardins públicos e os parques. A salubridade física e mental das cidades está muito dependente da existência destes espaços e da sua fruição por parte das populações. Não é por acaso que os vinte e dois hectares a que os vimaranenses chamam, com toda a propriedade, Parque da Cidade Guimarães se constituem como um dos espaços de predilecção dos seus habitantes.

Ainda que o aproximar das eleições justifique a sumptuosidade do anúncio de um «parque arborizado», a exiguidade do espaço que destinaram à natureza e ao lazer mereciam mais sobriedade e discrição. Na verdade, o denominado Parque de Lamaçães não passa de um jardim público, implantado numa área total de um hectare da Freguesia de Fraião (1. segundo o livro Normas Urbanísticas, o jardim público é um equipamento social de recreio e lazer de âmbito mais local do que o parque urbano e com uma área geralmente inferior a dez hectares; 2. também no fórum Skyscrapercity houve reacções de surpresa quando se descobriram as verdadeiras dimensões do espaço).

Num país demasiado habituado a equívocos terminológicos, as autarquias deviam evitar cair na tentação da hipérbole, tantas vezes reflexo de um certo parolismo nacional. Braga precisa de um parque, mas desta vez não foi possível construir mais do que um jardim. Seria tão difícil chamar-lhe Jardim Público de Fraião?

7 comentários:

  1. A apresentação deste projecto foi feita de forma capciosa, sugerindo uma dimensão incomportável para o local da implementação. Ao ponto de ser comum entre pessoas com quem tenho falado a preocupação por não conseguirem descortinar em que zona de Lamaçães o parque nasceria.
    É que quando na apresentação se falou em 10000 m2 pretendeu-se que os cidadãos criassem uma imagem mental de uma vasta superfície, o que não aconteceria se se traduzisse os 10000 m2 para um quadrado com 100 metros de lado. É isso mesmo, o superparque tem o tamanho de um campo de futebol de dimensões máximas e é dividido em três por vias com tráfego automóvel.
    É, sem dúvida, um equipamento benvindo, e que deveria existir mo mínimo desde que se iniciou a urbanização de Lamaçães, mas não é, de forma alguma um Parque da Cidade, como tanta falta faz.
    Não obstante o esforço do projectista, nunca poderia resultar em pleno a tentativa de construir um parque parcelado, implantado em lotes destinados à construção de prédios.
    Quando acontecem episódios destes não podemos deixar de lamentar que esta cidade continue a crescer sem planeamento, nomeadamente sem os imprescindíveis planos de pormenor. Que não existem porque com eles seria bem mais difícil executar as malfeitorias com que MM tem brindado Braga.

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  2. Como toda gente diz, isso é um canteiro.
    Mas dou os meus parabens ao arquitecto, porque não era nada fácil projectar algo ali. Só aquela inclinação...

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  3. Ah terrinha provinciana onde até a construção de um canteiro é notícia.

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  4. Há dias visite, pausada e atentamente, a vila de Mogadouro, distrito de Bragança.
    Apreciando a enorme praça central ajardinada e o parque de lazer (piscina, campo da bola), não posso chamar mais que canteiro de flores a este projecto de "Parque Urbano" de Braga.

    É ridiculamente minúsculo.
    Depois mando fotos.

    Dario Silva.

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  5. A ideia do jardim é boa. fui lá hoje e fiquei triste com a sua dimensão.

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  6. Mal estamos nós quando dizemos que a construção de um jardim é boa ideia...
    Não será isto uma coisa tão banal nas cidades do 1º mundo?

    (e eu é que sou um comentador de 5ª categoria)

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  7. Mas afinal o tal jardim localiza-se em terras de fraião , porque lhe chama parque de vale de lamaçães?!

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