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Avenida Monumental

Castros e Capelas

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A imagem do mítico eremita S. Romão franqueia a primeira muralha da Citânia de Briteiros. Dirige-se em procissão para a respectiva capela, um quadrilátero de cobertura estranhamente piramidal que, há 150 anos, alguém construiu no interior das ruínas milenares da Citânia (então por escavar). Com efeito, cerca de 20 anos depois da construção da capela, Martins Sarmento daria início à escavação daquele monumento proto-histórico, que é hoje a imagem de marca de Briteiros, e um ex-líbris de Guimarães e de Portugal. Em frente ao andor o cenário é indescritível, correspondendo à terrível necessidade, que as romarias vulgarmente têm, de encher os olhos a quem nelas participa, com o que de mais garrido possa haver.

No Minho existem mais capelas do que castros, no entanto estes, correspondendo a uma elevada densidade demográfica da região na Idade do Ferro, encontram-se em grande número, por parte das elevações que se destacam no horizonte. Acontece que os povoados proto-históricos e determinado tipo de capelas (ermidas), parecem partilhar os mesmos critérios de localização, o que aliás, pode corresponder a uma continuidade na sacralização de determinados espaços. Por este motivo, muitos povoados castrejos, alguns visitáveis, apresentam uma capela, ou vestígios de uma, no cume da elevação.

A prática religiosa associada a uma ermida não é, de todo, incompatível com a preservação de vestígios arqueológicos. Na verdade, porque haveria de o ser? À partida, os problemas da degradação do património mais facilmente se levantariam com outro tipo de utilizações num espaço monumental. Acontece que as experiências que se verificam frequentemente, revelam o contrário... Tal acontece por vários factores, nomeadamente a falta de civismo dos praticantes, mas sobretudo pela não limitação das romarias à prática religiosa em si... Em nome, claro, de uma suposta “tradição” dos arraiais, que na verdade é uma tradição discutível.

O exemplo citado, da Citânia de Briteiros, não tem levantado problemas. Felizmente, nota-se já uma consciencialização da comissão organizadora e da Paróquia, e actualmente a romaria realiza-se sem se verificarem destruições. No entanto, existem imensos exemplos de uma contínua e implacável degradação.

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