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Avenida Monumental

O Castro Máximo

Monte Castro, Braga
© SMS

Este característico monumento de Braga foi desde cedo (ou seja, desde finais do século XIX) alvo da atenção dos primeiros arqueólogos portugueses, que centraram as suas investigações no Norte do país. Neste caso, Albano Belino, colega e amigo de Francisco Martins Sarmento, dedicou parte das suas investigações ao Castro Máximo, no local conhecido como Monte Castro, na freguesia de S. Vicente. Alguns anos depois, em 1935, Carlos Teixeira efectuou trabalhos arqueológicos no povoado fortificado, cujos resultados publicou em 1936. No início da década de cinquenta novas prospecções e escavações seriam coordenadas por Russel Cortez. A Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho levaria a efeito algumas sondagens no castro, em 1977 e 1978, não tendo contudo atingido uma extensão ampla.

Recentemente, o nome e vestígios deste sítio arqueológico, que aparenta ter sido um povoado de dimensões consideráveis, voltaram à praça pública a propósito da contrução do novo Estádio Municipal de Braga. Enquadrada neste grande projecto de construção, foi realizada uma operação de salvamento da zona afectada, em 2001, coordenada pelo Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal.

O Castro Máximo foi um aglomerado habitado na Idade do Ferro e na primeira fase da Romanização, composto de estruturas familiares circulares, protegidas por três linhas de muralha e fossos, voltados para o lado da cidade actual. As pedreiras abertas há alguns anos nas encostas do Monte Castro dificultam uma percepção concreta das dimensões do povoado proto-histórico, admitindo-se porém que o mesmo ocuparia grande parte da elevação. Juntamente com as citânias de Briteiros e de S. Julião, o Castro Máximo é uma das hipóteses avançadas para a localização da “capital” dos Bracari ou Brácaros, a entidade étnica que habitava as bacias inferiores do Cávado e do Ave, aquando da chegada dos Romanos.

O pouco impacto que a afectação de grande parte do monumento parece ter provocado, bem como a inexistência de qualquer valorização dos vestígios ainda existentes, não deixam de contrastar com a fonte de informação científica e possível carga simbólica que este monumento poderia vir a assumir, além da possibilidade de requalificação e criação de uma pequena zona verde/monumental. O remanescente do povoado, correspondente a parte da Acrópole, está assinalado na foto acima com um traço vermelho, e ocupa o topo do monte original, ao qual se acede a partir da Av. Artur Soares.

3 comentários:

  1. O Castro Máximo, enquadrado no parque norte. Castro sobre o Bom Jesus e os vestigios arqueológicos na Santa Marta, enquadrados no triângulo turistico dos sacro montes. O castro do monte redondo enquadrado num percurso entre a mamoa de Lamas num cenário rural minhoto. Idade do ferro em três cenários distintos, citadino, montanhoso e religioso, e o rural.
    Braga é daqueles concelhos portugueses com um bom potencial turistico cultural. Tem tudo pronto para ser aproveitado, mas ....
    Estes são os que já estão classificados, mas e os locais como o Monte das Caldas, o eixo Montariol-serra do Carvalho, etc, que em tempos falou-se na possibilidade de ali existirem vestigios da idade do ferro, como está a situação?

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  2. Estão-se a esquecer de um castro que assumiu primosrdial importância no tempo do Castro Máximo, e não só, pela sua situação estratégica, e que por acaso até está classificado como Monumento de interesse público. Ainda hoje nele se divisa um fosso defensivo cavado que é único na região. Foi estudado pelo cónego Arlindo Cunha que escreveu sobre eles escreveu vários textos. Fica no Monte de Nª Sª da Consolação na Freguesia de Nogueiró.

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  3. Talvez mais do que colega e amigo, Albano Belino foi discípulo e seguidor de Francisco Martins Sarmento. No princípio, era um jovem marçano que, com 12 anos, chegou a Guimarães, vindo de Gouveia, para trabalhar numa conhecida tabacaria desta cidade. Acabaria por casar rico, indo fixar-se em Braga, onde seguiria os passos que, em Guimarães, já tinham sido dados por Martins Sarmento algumas décadas atrás. Arqueólogo ingénuo, ao princípio, com um marcado espírito de coleccionador, sonhou criar em Braga um museu arqueológico à imagem daquele que a Sociedade Martins Sarmento abrira em Guimarães. Revoltado com o modo como em Braga era tratado o património arqueológico, acabaria por doar a sua colecção à SMS. Há um par de anos, a Sociedade Martins Sarmento homenageou Belino com uma exposição da sua colecção. No catálogo, pode ler-se: "Foi, no seu tempo, o mais dedicado e perseverante defensor dos tesouros arqueológicas de Bracara Augusta contra as ameaças da destruição. Morreu sem que a sua voz fosse escutada." Para quando a grande homenagem regional a esta figura da nossa arqueologia?

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