Erradicar as Praxes Violentas

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Mariano Gago avisa que não pactuará com as omissões das instituições de ensino superior na perpetuação das praxes violentas. A mensagem política está lançada e, como tal, a atitude do Ministro não pode deixar de ser enaltecida já que se afigura vital para a erradicação dos fenómenos violentos que ainda persistem no Ensino Superior. Estranho que se estranhe que um Ministro se comprometa a fazer cumprir a lei, mas adiante.

Pode ser que qualquer dia, a sociedade civil desperte para a promiscuidade entre hierarquias da praxe e dirigentes associativos que muito tem contribuído para a perpetuação de alguns clãs nas direcções das associações académicas.

12 comentários:

  1. Este vem com uns 15 anos de atraso. E não acabar com as praxes violentas, é acabar de vez com essa coisa das praxes e ponto final.

    Chega dessa saloiada

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  2. Caro Pedro,

    Efectivamente estranho que um ministro tenha de prometer cumprir a lei. é que é seu dever cumpri-la. Não carece de anúncio público, nem pode ser objecto de promessa. É uma obrigação.

    Jorge Ferreira

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  3. O Ministro Mariano Gago, apenas pode fazer cumprir a lei "intra-muros" universitários, tal como a reitoria da universidade.
    Extra-muros, não não é da competência do Mariano Gago (embora ele pense que sim)fazer aplicar a lei, mas sim do Minsitro da Administração Interna, o Sr. Rui Pereira.

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  4. As praxes, sendo de "direita" devem ser aproveitadas pela esquerda no que elas têm de bem, qual seja a integração dos caloiros, mas só no primeiro trimestre (nunca o ano todo, ainda há um mês vi na Av. Central burrices de supostos doutores...).
    De facto mostrar a cidade, os locais da Universidade, o patrimonio urbano, os sitios culturais, os bares, etc., constitui uma praxe a não acabar...

    O resto é dispensável...

    MAIS ESTADO, MELHOR ESTADO, MENOS ASAE

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  5. Caro Jorge Ferreira,

    É claro que não se espera outra coisa do Ministro. No entanto, o anúncio tem um um carácter político - marcar a agenda com um assunto muito relevante.

    PM

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  6. Esta posição do ministro acerca da praxe não é nova. Numa entrevista publicada no jornal Público, a 7 de Novembro de 2005, confrontado com as queixas de uma aluna de Bragança, Mariano Gago dizia ter comunicado o caso à Procuradoria-Geral da República e afirmava que seria “contra qualquer complacência nesta matéria”.

    Mais de dois anos e meio volvidos, não vislumbro que tenha havido uma diferença substancial. E não perspectivo mudanças de fundo quando se vê o ministro a manifestar o desejo de que o “movimento estudantil seja o primeiro a agir” no sentido das recomendações da Comissão Parlamentar de Educação. Tenho alguma dificuldade em imaginar que uma lista que prometa endurecer a vigilância da praxe possa ganhar uma associação de estudantes…

    Para além disso, dada a natureza desta questão, a actuação do Ministério em relação aos responsáveis de universidades e institutos politécnicos que pactuem com praxes violentas e dos estabelecimentos de ensino em relação aos autores dessas práticas e a todos os que delas forem cúmplices é uma matéria complexa.

    Como declaração de intenções, acho um bom princípio o que Mariano Gago disse. Mas ao fim deste anos no cargo, e conhecendo o pensamento do ministro sobre esta questão, espera-se mais. É que, como diz o povo, “de boas intenções está o inferno cheio”.

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  7. Mariano Gago, Público, 7 de Novembro de 2005, página 23

    (...) Qual é a sua posição sobre as praxes?

    É de uma enorme revolta. Tenho um enorme apreço pelo ensino superior, as universidades e politécnicos são centrais para o desenvolvimento de uma sociedade moderna, mas acho que não são só escolas de instrução, mas também de educação, onde muitos jovens aprendem a viver e a participar na vida democrática. Não devem ser escolas de submissão e de iniciação a práticas fascistas".

    É contra as praxes?

    Sou absolutamente contra aquilo que se designa, com algum humor sádico e machista, por praxes académicas, como se nos devêssemos rir disso. São uma escola de falta de democracia e fascismo e devia haver uma atitude de menos complacência por parte de todos, nas universidades e fora delas".

    (...)
    As instituições são coniventes?

    As universidades não são sítios onde a lei não se aplica. Não é possível que um pequeno ou grande grupo de alunos utilize a arma da praxe ou a ideia de que é preciso uma festa de iniciação para humilhar e espezinhar os seus colegas mais novos.

    Vai tomar alguma medida?

    Aplicar a lei e exigir o seu cumprimento dentro das universidades. Não podemos aceitar nem assédio nem humilhações em nenhum sítio. Não há paraísos para a humilhação ou para práticas fascistas e esses paraísos não podem estar dentro do ensino superior. Tomarei o máximo de medidas que seja possível tomar e peço que aqueles que sejam vítimas se queixem. Se não o fizerem estarão a ser cúmplices dessa barbaridade.

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  8. A Praxe, existe e pode-se viver com ela sem receios.Ninguém é obrigado a aceitar a praxe.Curioso que o espírito de grupo faz com que os praxados hoje sejam o terror amanhã.Normalmente são os mais frustados que querem mostrar qq coisa que lhes dá poder...fazem até cenas ridículas, gritando e blasfemando por tudo e nada, pretendendo chamar a atenção para a sua figura.Recordo à pouco tempo uma jovem a blasfemar e no fim dizer para a colega do lado..."é assim que se diz car..." Quanto à Educação na Universidade, não acredito seja o local ideal para transmitir principios ou valores que deviam ter sido transmitidos e ensinados muito antes em casa.Afinal até a praxe reflecte a Educação de cada um.

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  9. As praxes podem ser um excelente estimulante à vida académica. E mais do que isso, podem ser uma excelente ajuda na adaptação de tantos jovens a uma nova fase muito mais complicada da vida.
    O fim dos apontamentos dados, e da avaliação facilitada cria normalmente um periodo de adaptação que só pode ser minorizado com ajudas externas. de gente com experiencia e alguns anos de curso. de preferencia com aprovaçao!

    Aquilo que depois é apelidado de "palhaçada" não são mais do que brincadeiras que visam a criação de laços de amizade e alguma proximidade que ajudaram concerteza, a que os jovens recem entrados confiem e conheçam aqueles que os podem ajudar.

    eu praxo. em LEI (eng. informatica da Universidade do minho). e a publicidade da praxe deste curso nõ é a melhor. no entanto, para quem ja a viveu, e neste momento ajudou a perpetuou esse ciclo e posso afirmar. A praxe dura o ano todo, e os valores que se passam, e o sentimento de familia realmente é criado. E por trás daquilo que muitos acham ser um exagero há um acompanhameto por partes dos "engenheiros", que os ajudam em trabalhs de casa, trabalhos (que neste curso são de enorme dificuldade) e essencialmente incutem uma obrigaçao de estudar todos os dias. E diga-se em bom da verdade: quem nao concorda com o modelo e nao sente que é o melhor caminho, tem sempre a porta aberta para fazer as coisas a sua maneira. Amigos na mesma!

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  10. @Paulo Lopes:

    Sair à rua e chamar "PUTA!" às raparigas é uma brincadeira que tem como objectivo criar laços de amizade? e ir atrás delas em poses com conotaçao sexual óbvia?
    Hmm... já alguém pensou que se calhar elas não gostam? Aparentemente não.. ou se alguém pensou, não se opôs.. E se se opôs, foi ignorado, obviamente.

    Desculpe lá, mas eu já assisti à praxe de LEI e consigo pensar (e presenciei já) em muitos eventos que justifiquem a má fama da vossa praxe... Peguei no exemplo das raparigas porque é algo que nem sequer tem a ver com violência mas sim com a infracção dos direitos das pessoas que nada têm a ver com a praxe, só para que vocês e os vossos caloiros se divirtam. Não tem sentido nenhum nem vocês têm direito de implicar seja quem for na vossa praxe, especialmente se essas pessoas nem sequer são do vosso curso.

    E já agora, vida académica também inclui o estudo e o tempo livre... não vejo como é que ter praxe durante um ano inteiro suavize todas as complicações.

    'Bora lá rebentar extintores? (e com sorte, mandar gente para o hospital)

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  11. Bem, se em algumas coisas poderia ter-lhe dado razão, acabei por esquece-las ao ler o final do comentário. Há muito tempo livre! E mesmo durante aquilo que não considera tempo livre, nós estudamos na praxe, e saímos com eles, deixando sair da praxe quem precisa, ou quer sair a determinado momento.

    E claro! os extintores! o problema é que não foi ninguem para o hospital por causa deles. Toda a gente que deu entrada, vinda do porto, nesse dia, foi por excesso de alcool. estranho não?

    Já agora. Há mesmo quem goste dessas tais brincadeiras com as meninas. Vá se lá entender porquê há quem passe mais do que uma vez para ouvir e para se sentir bem com isso. Nem todos estámos de acordo. Nem todos gostámos. Mas é mesmo uma brincadeira, e há mesmo quem alinhe nela..

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  12. As incertezas que pairam sobre o confronto com o ISEP não invalidam todas as outras críticas que fiz :)

    Além disso, referia-me a um incidente durante a Latada e não durante o Comboio do Caloiro. Posso até não ter razão (nunca sabemos ao certo a verdade neste tipo de coisas), mas ouvi falar disto por pessoas desse mesmo curso.

    Quanto às brincadeiras, há quem goste, há quem não goste... de qualquer forma não me parece que seja uma brincadeira. Quer dizer, eu não vejo lógica em sair à rua e começar a chamar às meninas aquilo que já referi num comentário anterior, independentemente de estas gostarem ou não desse tipo de atenção (que eu saiba também não lhes perguntam se gostam ou não, não é verdade?)
    E se reage ao facto de haver pessoas que gostem com um "vá se lá entender porquê", então deveria opor-se a esse tipo de comportamento... Se as pessoas gostam disso e vocês contribuem, só fomentam esse tipo de comportamento (nada bonito, diga-se de passagem)

    E já agora, quanto ao tempo livre, eu sei muito bem que ajudam os vossos caloiros a ultrapassar o choque que é entrar nesse curso em termos de dificuldade da matéria, mas mesmo assim acho que teriam mais sucesso com mais convívio e menos exageros na praxe.

    Não sou contra a praxe e muito menos contra o vosso curso, mas sou completamente contra o que a praxe é actualmente e também contra a imagem errada que esta acaba por dar ao vosso curso... em grande parte por culpa das coisas que discuti acima

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