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Avenida Monumental

Engenheiros, arquitectos e arqueólogos

Reflectindo um pouco acerca das classes profissionais, e o seu relacionamento em situações de interdisciplinaridade, aqui estão três profissões distintas, correspondentes a diferentes áreas do saber, que frequentemente trabalham em conjunto.

Os primeiros, os engenheiros, são profissionais regulamentados por uma Ordem. Em Portugal, ainda que por vezes se utilize o termo com intenções menos inocentes, o engenheiro reflecte uma identidade pragmática, resoluta, e um importante agente do “progresso”, no sentido português do termo. Os arquitectos, ainda que sejam por vezes entendidos como menos pragmáticos, vêem ser-lhes atribuído um status superior. Mais do que um técnico, o arquitecto adapta o útil, ao belo e ao artístico. São também regulamentados e representados por uma Ordem profissional. Os arqueólogos são, dos três, a profissão mais recente, pelo menos do ponto de vista legal (há poucos anos). Surgiram, e são ainda encarados, como um entrave ao “progresso” acima referido, uns mais ortodoxos que outros, e uns mais corrompíveis que outros. Simultâneamente técnicos e investigadores, os arqueólogos não possuem um sistema de auto-regulamentação, sendo portanto a sua actividade profissional regulamentada pela tutela. Possuem apenas uma associação profissional.

Mas a interdisciplinaridade acima referida, nem sempre é uma realidade, ou pelo menos não se verifica tantas vezes quanto o desejável. Quantos projectos se conhecem de trabalho harmonioso e produtivo entre estes três curiosos personagens? Uns quantos. Feitos de negociações, entendimentos e cedências. Mas devíamos, em Portugal, ter mais exemplos...

Do que penso sobre isto, e a título de anedota, sugeria que cada um destes profissionais frequentasse, na respectiva licenciatura, uma cadeira acerca dos outros dois grupos profissionais. Por exemplo eu, que estudei Arqueologia, devia ter tido uma cadeira chamada “Engenheiros”, outra chamada “Arquitectos"...

Seria interessante ver este texto reescrito por um engenheiro e por um arquitecto.
Bom domingo!

Fotografia © SMS

2 comentários:

  1. Esta análise é redutora: nem todos os engenheiros são engenheiros civis.

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  2. Boa noite!

    Peço imensa desculpa pela demora na minha resposta.
    Reconheço que sim, nesta breve reflexão (na qual me refiro de facto aos engenheiros civis) acabei por cometer o erro de generalizar a classe profissional apenas a uma variante da mesma. Naturalmente, quando me refiro a estes engenheiros, refiro-me de facto aos únicos com quem nós arqueólogos, trabalhamos por vezes. Daí a generalização indevida.

    Obrigado pela chamada de atenção!

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