
Não é por acaso que tanto se fala de D. Diogo de Sousa. Durante os 27 anos que este arcebispo governou Braga, transformou por completo a cidade dando-lhe a configuração urbana que grosso modo ainda hoje mantém. Entre muitas outras obras, D. Diogo mandou abrir, do lado exterior das muralhas medievais, diversos largos de dimensões então invulgares. O mapa* acima reproduzido foi elaborado somente umas décadas após esta revolução urbanística e dá-nos uma boa noção de como ficou a cidade. Braga, ao contrário do Porto por exemplo, tornou-se uma cidade aberta. E, quinhentos anos depois, ainda é por esses largos de D. Diogo, hoje praças e avenidas, que nos orientamos na cidade antiga.
Actualmente – e não será certamente um privilégio só de Braga – nas zonas novas da cidade somos forçados a publicitar todos os grandes espaços comerciais. Assim, vivemos na zona do Feira Nova, tomamos café junto à Bracalândia ou compramos qualquer coisa numa loja perto da Makro ou do Modelo de Frossos. Claro que, bem vistas as coisas, estas zonas são até privilegiadas pois em muitos outras zonas nem sequer podemos contar com isso.
Isto tudo vem a propósito de há dias, ao chegar a Braga, ter visto um outdoor que anunciava “Makro (Lamaçães)”. Então afinal a Makro não é na zona da Makro?
*é curioso notar que toda a gente conhece o mapa mas tem grande dificuldade em percebê-lo; creio que com a legenda que acrescentei e com uma espreitadela no Google Maps se torna mais fácil