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A Oeste do Genocídio [3]

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«Ontem a ONU revelou, entre outros casos, que as Forças Armadas israelitas bombardearam uma casa na Faixa de Gaza onde os próprios soldados de Israel tinham colocado, no dia anterior, cerca de 110 palestinianos, sendo 50 crianças, supostamente para estarem em segurança. No ataque morreram 30.» [JN]

O modus operandi do exército israelita assume a cada dia contornos semelhantes ao que tanto se abomina na história bélica. Mesmo com a romântica divisão de catálogo entre civis e militares, as baixas são transversais e inevitáveis. Na confusão, a solução seria - chamem-lhe utopia - alguma das partes terminar a escalada de violência, que a cada tiro encontra menos razão que a justifique. Enquanto isso, os moderados, com quem Israel se poderia sentar, perdem influência numa sociedade crescentemente envenenada de ódio a uma nação que não consegue, nem por um momento, contrariar a máscara de guerra com que foi fundada. Só por aí, Israel há-de ser sempre um Estado sem paz e sem futuro, a não ser que faça por eliminar tudo à sua volta. O trágico é não faltar gentinha que não veja nenhum problema nisso.

A Oeste do Genocídio [2]

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«Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos “heróis” que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!»
[Fernando Nobre, presidente da AMI, via Arrastão]

A comparação, que muitos têm como infeliz, é feita por alguém com cartas jogadas nos mais sangrentos tabuleiros da guerra. Saberá, bem mais que eu, das comparações que faz. Parece que a Humanidade, e o Ocidente em particular, tanto tende a esquecer como repete barbárie atrás de barbárie. E não será por acaso que, com crescente distância — parece ser da patente nazi —, os "holocaustos" se façam um pouco por todo lado e um pouco por nossa culpa. Em quase todos se acham motivos de sobrevivência e segurança-interna das 'cracias, que não são nada mais que o píncaro paranóico da espiral desumana em que se tornou este capitalismo que nos faz altaneiros. E neste Mundo em que o conceito de privacidade tem muito que se lhe diga, quanto mais altos se fazem os muros, mais dificilmente se esconde o que há além deles.

A Oeste do Genocídio

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Não sou expert em geopolítica, nem gozo da capilaridade farfalhuda e rigorosa de Nuno Rogeiro, daí que me tente em abstrair de comentar – pelo medo do sofisma - um conflito que se arrasta há anos, já crónico e estranhamente tolerável à opinião pública geral, porque vai e vem com o zapping entre a CNN e o Canal Panda. De verdade, novidade seria guerra noutro lado qualquer com muito petróleo à mistura. Parece exigência da Sociedade de Consumo, esta distorção actual a que somos remetidos, alheados num quotidiano de normal inumanidade – se é que a palavra e o conceito existe à parte da Humanidade em si.

O esforço do que digo disto, fica assim pelo empírico. Não vejo motivo algum que justifique esta e nenhuma guerra. Como não há nada que desculpe, em passado medieval ou recente, o passivismo descontente de contrição, do primeiro mundo perante a arrogância israelita. O Ocidente, aliás, na sua fantasia secular de fachada e nos seus comentadores orgulhosamente liberais, também ainda não soube explicar devidamente porque acha alguns estados religiosos bons e outros maus.

Já agora pergunto: quão diferente será de um gueto em Varsóvia, enfaixar um milhão de pessoas num pedacinho de terra, por critério étnico-religioso, condicionando o afluxo de bens essenciais, com um muro em redor, e obrigando a uma economia de sobrevivência? Estão à espera que lá dentro sejam felizes e atirem flores em vez de rockets?
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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