Avenida Central

S. João Em Casa

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Como várias dezenas de pessoas, trabalho na Avenida da Liberdade, num 1º andar. Devemos ter todos ar de quem passa o ano à espera do São João porque a Comissão de Festas faz questão de nos levar o arraial para dentro dos escritórios. A playlist são joanina em modo repeat tem 20 temas (há uns anos tinha só 5) e é intercalada de 30 em 30 segundos por anúncios irritantes (desculpa, Pedro C.). De vez em quando há também avisos lidos em directo por uma voz tipo festa de aldeia. No topo da Avenida a situação é pior porque não há outros ruídos. É um martírio que dura três semanas desde manhãzinha até para lá da hora de jantar. Não há forma de fugir. Nem fechando portas, portadas e persianas, nem pondo música mais alto dentro do escritório. Ao fim das primeiras 40 horas até as músicas de se gosta se tornam insuportáveis.

Sugiro que façam um teste. Tentem redigir um texto ou ler um livro técnico num daqueles bancos novos da parte de cima da Avenida da Liberdade. Para quem preferir fazer o teste em casa, deixo aqui uns minutos de animação gravados à janela com um telemóvel. Mas para não desvirtuarem a intenção da Comissão de Festas, antes de começarem a experiência, aumentem o volume de forma a que o vizinho consiga ouvir também (ou tão bem).

Bom S. João!



P.S. Escrevi esta crónica e gravei o som na segunda-feira. Hoje, terça, além da playlist, temos ao mesmo tempo vinda da Avenida Central música ao vivo de várias bandas e, em directo da mega-praça em frente ao Theatro Circo, música de elevador de uns índios sul americanos. Não será também uma falta de respeito pelas bandas típicas do S. João manter este chinfrim durante a sua actuação?
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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