Avenida Central
| 0 Comentários | Partilhar
Avenida Monumental

A necrópole das lamentações

Não deixa de ser agradável, ou mesmo reconfortante, verificar como a temática do Património Arqueológico passa, em muito pouco tempo, do mais profundo anonimato e indiferença, para a ordem do dia. Basta uma ajudinha... Normalmente não pelos motivos que nós, profissionais da área, gostaríamos. Muitas vezes, arqueólogos fazem as suas escavações no meio de nenhures, detectam e estudam vestígios interessantíssimos, mas bem podem clamar pela hoje em dia tão desejada ou tão indesejada (consoante os casos) comunicação social.

No entanto, e curiosamente, talvez pela controvérsia que normalmente envolve estas questões, tenho a sensação de que o património e as comunidades não ficam a ganhar no meio de tudo isto. As questões são estrapoladas em demasia, saem do seu âmbito próprio, e rapidamente o património é o fulminante que desencadeia uma explosão. Passada a explosão, tudo fica na mesma...

Não fiquei minimamente admirado pelo facto de o vice-Presidente da Câmara de Braga não ter conhecimento da descoberta de uma necrópole romana no quarteirão dos CTT, e tão pouco fiquei admirado pela oposição naturalmente também não saber (penso que se soubesse, já teria entregue e tornado público o seu requerimento antes da notícia do Diário do Minho), apesar de louvar a atitude de defesa dos vestígios que parece nortear o programa de Ricardo Rio.

O que me admirou, e na verdade de forma positiva, foi constatar a existência de muitos cidadãos preocupados com a história da sua cidade, com o crescimento equilibrado da mesma e com a harmonização entre o seu passado e o seu futuro. Resta esperar, por um lado, que estes cidadãos deixem de ser uma minoria, por outro, que estas questões não sejam colocadas a debate público como se se tratassem do processo “Apito Dourado”, o que implica a discussão de uma temática importante, mas envolta numa desnecessária teia especulativa, e em preconceitos político/partidários.

As estelas funerárias que eventualmente venham a surgir na necrópole do quarteirão dos CTT, têm assim uma nova reutilização: amparam as lamentações de todos os cidadãos, dos que se queixam com razão, e dos que se queixam, simplesmente...

Foto: © MDDS
| 7 Comentários | Partilhar
Avenida do Mal

Cidade Fiasco

A 3ª cidade do País, conhecida desde o Sul como um mero bairro católico para lá do Porto, guetto de benfiquistas e gente estranha, é uma verdadeira desilusão turística, segundo o Jornal de Notícias. A cidade bimilenar teima em não vender, apesar de burgo importante desde a Idade do Bronze. Os turistas são em grande parte espanhóis, portugueses afrancesados e velhos em excursões do INATEL, que por esta altura deixam a hotelaria com ocupação pela metade. Poderia ser a falta de Praia, mas não é.

Anos de mau planeamento urbanístico e invasão maciça de gente de concelhos em redor para as torres de cimento, deturparam-lhe a identidade, facilitaram o estupro de património arquitectónico e agudizaram falta de respeito pela história de Braga. O que sobrou de património da Igreja lá se foi aguentando face a quase tudo o resto. A restante cidade, metida dentro, sem querer saber de assuntos públicos ou de estratégias comuns, confiou todo o seu destino ao socialismo parolo de Mesquita Machado.

Sobrou para agora uma sombra de cidade que vista do Bom Jesus, até que parece bonita com o fumo que a desfoca. Ironicamente verde. De resto, é pouco mais que uma rua que vai do Arco da Porta Nova até à Avenida Central, um punhado de Igrejas e uma mão cheia de lamentos. Um café na Brasileira e um porto no Vianna por momentos engana, mas tanto a cidade como o partido socialista bracarense vão ter de reflectir seriamente sobre o que tornou uma das mais potenciais cidades portuguesas para se elevar na UNESCO num flop turístico, que até no de religião chega a ficar bem atrás do complexo piroso de Fátima. São favas, senhor, são favas...

[modo férias]

| 0 Comentários | Partilhar
plymouth
© jovivebo

Nos próximos oito dias voltarei a estar em modo férias, pelo que ficarei menos disponível para escrever. Ainda assim, publicarei algumas reflexões e as crónicas semanais mantêm-se. Boas leituras.
| 2 Comentários | Partilhar
Avenida Ideal

Capítulo 4: "jedes herz ist ein revolutionäre zelle"

Há alguns dias vi Os Edukadores, um filme do austríaco Hans Weingartner sobre os movimentos anti-capitalistas e anti-globalização. Na verdade, não retrata exactamente os movimentos, mas antes aqueles que os compõem; não é um filme sobre ideologias mas sim sobre as convicções que as formam.

Depois de ver o filme, revi "a ética protestante e o espírito do capitalismo" de Max Weber e deparei-me com a seguinte afirmação: "a ordem económica capitalista nos nossos dias é um universo de grandes proporções, que os indivíduos encontram ao nascer, e que constitui para cada um deles, pelo menos enquanto indivíduo, um contexto que não se pode modificar e onde se terá de viver".

Esta obra de Weber completou já cem anos, mas a afirmação não perdeu qualquer valor. Aliás, com a globalização, esta realidade expandiu-se a todo o planeta. E, se por um lado sabemos que grande parte dele está ainda em vias de desenvolvimento, sabemos também que esse desenvolvimento dependerá da vontade do espírito do capitalismo.

O filme de Hans Weingartner mostra-nos que a globalização não alimenta apenas o capitalismo, como também o anti-capitalismo. De câmara na mão, ao estilo de um documentário, Hans apresenta-nos Jan e Peter, os Edukadores. Num estilo quasi-terrorista, Jan e Peter entram em casas de pessoas "com demasiado dinheiro" e, sem roubar nada, alteram-lhes a disposição das mobílias. No final deixam uma de duas mensagens: "Tens demasiado dinheiro" ou "Os teus dias de fartura estão a terminar". Fazem-no para despertar o medo dos donos das casas que "assaltam" e o espírito revolucionário de outros jovens, esperando ser a inspiração de um movimento subversivo. "Todos os corações são uma célula revolucionária", é o título desta crónica e a mensagem que Jan deixa ao senhorio da namorada de Peter, Jule.

Quando um "assalto" corre mal, os três são obrigados a "raptar" o dono da casa e fogem para uma casa de abrigo nos Alpes. Aqui nasce uma relação de cumplicidade entre os raptores e o raptado, outrora um revolucionário de 1968. Hardenberg, o raptado, explica-lhes que a vida é que comanda o que somos e cita a célebre expressão: "aos 20, quem não é revolucionário não tem coração; aos 40, quem não é conservador não tem cabeça".

Os Edukadores é um filme sobre ideias, é um debate entre duas gerações com ideias aparentemente antagónicas. É um filme que, acima de tudo, nos prova que as "boas ideias nunca morrem", apenas se reciclam.

___________
Para saber mais:
Die Fetten Jahre sind vorbei (The Edukators/Os Edukadores), Hans Weingartner
A ética protestante e o espírito do capitalismo, Max Weber

Tropa de Elite

| 12 Comentários | Partilhar
As muitas restrições conhecidas no acesso ao serviço e a algumas das especialidades militares são absolutamente incompreensíveis num tempo em que deveria assumir-se sem reservas o combate a qualquer discriminação em função de género, cor de pele, credo ou orientação sexual.

Não há desculpa que pegue... Ora leia-se com atenção a forma como Fernanda Câncio, no Diário de Notícias de hoje, vulgariza alguns dos estranhos argumentos que têm estado na base da manutenção de algumas destas estranhas discriminações.

«Ele é a necessidade de separação de alojamentos (como se fosse impensável homens e mulheres dormirem juntos); ele é a hipótese de relacionamentos amorosos e/ou sexuais (nunca deve ter havido homossexuais na tropa) e de abuso sexual das mulheres em caso de captura (se todas as forças de combate fossem mistas era capaz de haver menos violações perpetradas na guerra), ele é o cavalheirismo natural deles que os fará "arriscar tudo para as salvar". Tudo somado, resta o argumento biológico/físico: os homens têm mais força física e um mais elevado nível de agressividade aparente. É relevante? É, sobretudo se as batalhas forem travadas à paulada.»

Sem Comentários

| 0 Comentários | Partilhar
propaganda
© love underlined

Já há muito se percebeu que o blogue e o Canal Informativo do Município de Braga se afastaram da aura informativa inicial, convertendo-se em meros instrumentos de campanha da maioria que governa a Câmara. Ainda assim, jamais imaginei que o Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Braga se entretivesse a responder, em discurso directo, a um comentador desportivo. Há limites.

A Necrópole de Braga [2]

| 12 Comentários | Partilhar
capa diario do minho - 7 de Agosto de 2008

Com um comentário a este post do blogue Avenida Central, Francisco Sande Lemos, notável arqueólogo e professor jubilado da Universidade do Minho, deu novo fôlego à discussão sobre dois dos assuntos mais cruciais para o futuro estratégico da cidade de Braga - o prolongamento do túnel da Avenida da Liberdade depois de conhecida a nova Necrópole de Braga e a recuperação do Teatro Romano da Cividade.

As pertinentes reservas que o reputado professor enunciou ao prolongamento do túnel da Avenida da Liberdade e a sua «grande preocupação com a preservação de vários outros espaços arqueológicos da cidade, para lá da muito falada necrópole romana» fazem a manchete do Diário do Minho de hoje, numa mostra de que o jornal continua a fazer bom jornalismo a propósito deste tema.

A preservação do património arqueológico da cidade é de importância capital para que a cidade se possa afirmar no contexto peninsular e europeu. Mas, tal como sugere Sande Lemos, cabe aos verdadeiros cidadãos bracarenses manterem-se firmes na defesa do património e nos apoio às medidas tendentes à sua salvaguarda*. É a hora da massa crítica da cidade se mobilizar na defesa do futuro que o passado milenar da urbe ainda nos pode garantir.

*será interessante conhecer a resposta da maioria ao requerimento que a oposição lhe fez chegar.

Este País é uma Anedota

| 2 Comentários | Partilhar
Sócrates pretende pagar multa que ninguém quer cobrar. O Nós Por Cá, da SIC, costuma resolver com alguma celeridade os problemas que alguns cidadãos vão tendo com os serviços públicos. Será que o Primeiro Ministro já tentou esta via?

Regionalizar é Preciso!

| 12 Comentários | Partilhar
«ao que o PÚBLICO conseguiu apurar, o pomo da discórdia entre o director do IINL e o ministério de Mariano Gago tem a ver com o financiamento do laboratório. O Governo quereria centralizar decisões relativas à aplicação do dinheiro e o responsável do IINL temia que o laboratório servisse apenas como receptor dos fundos, que seriam reencaminhados para a administração central.»
[Samuel Silva, Público]

A demissão do Professor Carlos Bernardo da Direcção do Instituto Ibérico de Nanotecnologia vem demonstrar, até aos mais cépticos, que a força centralista dos nossos governantes já não se resolve com um tratamento qualquer. Enquanto Portugal não for definitivamente regionalizado, distribuindo verbas e as competências pelos governos regionais, a deriva controladora centralista permanecerá bem viva.

Ao contrário do que escreve o João Marques, a regionalização é precisamente a única reforma política capaz de dotar as populações de instrumentos de acção capazes de resistir à falta de vontade do poder alapado em Lisboa.

Primeiro as Massagens, Agora as Maçãs...

| 7 Comentários | Partilhar
Curious sculpture in Berardo Museum, Lisbon
© sonoflusus

«Toda a gente sabe como começa uma massagem, mas não como acaba.» Este foi o surpreendente argumento do Comando Marítimo do Sul para proibir as massagens nas praias do Algarve. Como uma asneira nunca vem só, «o comandante da zona marítima do Algarve resolveu proibir também a distribuição de maçãs por considerar que esta acção seria apenas pura publicidade.» A iniciativa integrava uma campanha de promoção de estilos de vida saudáveis e era patrocinada pela insuspeita Sociedade Portuguesa de Cardiologia.

Esta deriva proibicionista, matizada com laivos de um nauseabundo puritanismo
é altamente perigosa. Há gente que não tem noção dos limites quando se trata da defesa da (sua) moral e dos (seus) bons costumes. Em Itália, o líder populista Silvio Berlusconi até já mandou cobrir a mama desnuda de uma pintura exposta na sala onde costuma proferir conferências de imprensa, num inquisitório episódio de lamentável censura artística.

Confesso que tenho medo dos traumas e dos complexos dessa gente. Já imaginaram a quantidade de coisas que se podem começar na praia e que não se sabe como acabam? Não lhes contem, senão ainda se lembram de proibir!

A Necrópole de Braga

| 12 Comentários | Partilhar
Só o desenrolar dos factos desvendará os motivos pelos quais a notícia da nova necrópole de Braga surgiu neste momento. O súbito suposto interesse pelo património arqueológico da cidade não pode ser um mero acto contrição pelo mal que lhe fizeram ao longo destes últimos trinta anos, profanando, destruindo e delapidando sem dó nem piedade e a troco de um soldo que todos pagaremos em défice de turismo ao longo dos próximos tempos.

Gostei de Ler

| 0 Comentários | Partilhar
Daniel Oliveira observa (e bem) que Pacheco Pereira, «o paladino do jornalismo sem agenda e sem causas, só não costuma gostar da agenda e das causas do jornalismo». Enquanto isso, José Pedro Ribeiro gosta da Braga ao sábado de manhã que o Bruno Gonçalves descobriu. Já António Amaro das Neves questiona o desprezo que os órgãos de informação têm dado à Guimarães Capital Europeia da Cultura, enquanto que no Café Toural se sente algum desconforto pela associação da máfia ao Vitória de Guimarães que está a ser promovida pelo marketing do próprio clube.

Boas leituras.

Justiça Desportiva Selectiva

| 27 Comentários | Partilhar
Galo de Barcelos
© Vitó

A justiça desportiva selectiva voltou a castigar o Gil Vicente. Desta vez arranjaram a história de um suposto aliciamento a um jogador do Olhanense, coisa bastante para demonstrar que o Norte é mafioso e o Sul imaculado. Do meio do circo, o que verdadeiramente me incomoda é que o Estado seja cúmplice e a Federação Portuguesa de Futebol mantenha o Estatuto de Utilidade Pública.

S.C. Braga 2008/09: Promissor

| 2 Comentários | Partilhar
Ao contrário do defeso anterior, os primeiros indicadores parecem sugerir uma época muito promissora para o Sporting Clube de Braga. A exibição dos Guerreiros do Minho, agora sob comando de Jorge Jesus, foi bastante para deliciar os adeptos que se deslocaram ao Estádio Axa.

O Torneio Internacional de Braga foi ganho pelo Futebol Clube do Porto, mas isso é um mero detalhe depois de um jogo em que Alan, Luís Aguiar e Andrés Madrid deixaram excelentes indicações, assumindo-se como os melhores reforços para a presente temporada.

SNS: O Bicho Papão

| 38 Comentários | Partilhar
Devo dizer-vos que fui utente intensivo de um hospital público português durante oito meses. Dos porteiros aos médicos, passando pelos enfermeiros, auxiliares e administrativos só encontro coisas boas para contar. Tenho para mim que, havendo algumas razões de queixa, o Serviço Nacional de Saúde, felizmente universal e inevitavelmente quase gratuito, é uma das coisas boas deste país.

Bastará atender ao espectacular decréscimo da taxa de mortalidade infantil, às taxas de cobertura vacinal ou às percentagens de doentes em tratamento para os mais variados cancros para se perceber que, ao contrário do que sucede em sectores como o ensino ou a justiça, o Serviço Nacional de Saúde é um dos maiores sucessos do Portugal democrático. Apesar disso, muito está por fazer e, ao contrário do que alguns pensam, muito mais poderia ser feito com os recursos humanos que existem (seja pelo incentivo à exclusividade dos médicos e demais profissionais de saúde seja pelo aumento da eficiência dos diversos serviços clínicos).

O país real é muito diferente do que no-lo pintam quotidianamente nas notícias dos telejornais. Só assim se explica que uma simples remodelação ministerial tenha acabado com a suposta ineficácia do INEM e com o nascimento de crianças no caminho para as maternidades encerradas.

Bem diz o povo que «a galinha da minha vizinha é sempre melhor do que a minha.» Há nisto algo tragicamente realista, quase espelho da sociedade nacional, que ajuda a explicar o facto de muitas das discussões e comentários acerca do Serviço Nacional de Saúde resvalarem para a demagogia trauliteira e a insinuação irresponsável que infelizmente se vai ouvindo e lendo por aí.
| 17 Comentários | Partilhar
Avenida Monumental

Preconceito Profissional

Trabalhar com o Património Arqueológico exige lidar com alguns constrangimentos, um deles é a ideia preconcebida, e errada, de que, onde uma equipa de arqueólogos entra, está tudo perdido e ninguém mais pode construir nada naquele local. Por vezes, essa ideia preconcebida parte do cliente, ou seja, de quem paga a intervenção arqueológica. Outras porém, parte de quem, não estando convenientemente informado dos processos, tenta criar um escândalo “à moda de Foz Côa” (a expressão tem direitos de autor), porque estes escândalos normalmente vendem bem.

Na semana passada, veio a público notícia da descoberta de uma necrópole no centro de Braga. Na reportagem do Diário do Minho, além de informações vagas relativamente aos vestígios arqueológicos detectados, deu-se especial ênfase ao invulgar sigilo que teria revestido a intervenção da equipa de Arqueologia, ao alegado pedido de não divulgação por parte do promotor da obra feito aos arqueólogos, e a associação imediata dos achados detectados a outros projectos, como o prolongamento do túnel da Avenida da Liberdade, o hotel para idosos, etc. Tudo isto baseado em fonte anónima.

Em boa hora, os investigadores responsáveis esclareceram a opinião pública, e anteciparam a divulgação dos resultados da intervenção, de modo a evitar uma visão deturpada dos trabalhos que decorrem.

De facto, a comunicação social tem destas coisas, divulga-se uma descoberta com uma segunda intenção, mais ou menos evidente. Se o objectivo era unicamente fazer uma reportagem acerca de uma intervenção arqueológica, então porque não entrevistar os responsáveis? Ou porque não esperar o término da escavação?
| 7 Comentários | Partilhar
Avenida Ideal

Capítulo 3: da monarchia

Há um par de meses, numa conversa sobre ideias, um amigo falou-me da "Monarquia do Norte", a mais importante tentativa de restauração da Monarquia em Portugal; como nunca tinha ouvido falar de tal coisa, decidi ler sobre o assunto.

A Monarquia do Norte, proclamada no Porto a 19 de Janeiro de 1919, durou apenas 25 dias, mas conseguiu expandir-se por todas as grandes cidades a norte do rio Vouga, à excepção de Chaves. Apesar de não ter conseguido conquistar Aveiro nem Coimbra, o movimento monárquico liderado por Paiva Couceiro fazia tremer o Governo de Tamagnini Barbosa, obrigando-o a apelar aos civis e estudantes que se alistassem para defender a República.

A 22 de Janeiro, enquanto um grande número de voluntários republicanos davam vivas à República em desfile patriótico até ao Terreiro do Paço, as forças monárquicas lisboetas entrincheiravam-se no alto de Monsanto para, na manhã seguinte, bombardear Lisboa e tentar a rendição do Governo. A batalha durou até à tarde de 24 de Janeiro, quando as forças republicanas se uniram e preparam um ataque geral às forças monárquicas que não tardaram a render-se.

Com esta demonstração do poder republicano, as forças partidárias da "República Velha" voltaram à esfera do poder para combater a política do Governo de Tamagnini Barbosa, que legislava mais para agradar a monárquicos e republicanos do que para bem da Pátria; curiosamente, a revolta monárquica como a contra-revolta republicana têm o mesmo fim: a "salvação da Pátria". A 26 de Janeiro, Tamagnini Barbosa demite-se e, a 28 de Janeiro, José Relvas sucede-lhe.

Com a monarquia confinada ao espaço a norte do Vouga, as forças republicanas foram avançando e reimplantando a República e, ainda antes do final de Janeiro, várias cidades eram já republicanas. Pouco tardaria até que, a 13 de Fevereiro, a República fosse reimplantada na capital da monarquia do norte, o Porto, pelos mesmos que 25 dias antes haviam restaurado a Monarquia.

A História também é feita de mudanças de ideias.


_____________
Para saber mais:
Paiva Couceiro e a contra-revolução monárquica, Artur Ferreira Coimbra
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

Pesquisar no Avenida Central




Subscreva os Nossos Conteúdos
por Correio Electrónico


Contadores