O jornal Público noticia que o Theatro Circo está em dificuldades financeiras. Segundo Paulo Brandão, «a culpa é do Ministério da Cultura. [...] O conselho de administração tem-me dito que se encontra em dificuldades financeiras, e já reduziu o orçamento para a programação. Tenho menos dinheiro neste segundo ano para programar e já me foi comunicado que certamente irá haver uma reestruturação ao nível do pessoal.»
Segundo a mesma notícia, a situação do Theatro Circo, há muito comentada nos bastidores da política local, não é caso único. «A Feira do Livro de Braga, que decorre até ao próximo domingo, no Parque de Exposições de Braga, também teve que reduzir o seu orçamento e, na última sexta-feira, os responsáveis do Mosteiro de S. Martinho de Tibães, propriedade do Estado, anunciaram uma redução no horário de funcionamento devido à falta de dinheiro para contratar pessoal.»
Mesquita Machado diz que «a atitude do Ministério da Cultura é uma tristeza e uma injustiça» e parece não estar mais disponível para abrir os cordões à bolsa. A cultura bracarense, tão maltratada nos últimos anos, sofre assim mais um duro revés.
Viva o Futebol Português (III)
«Cosme Machado não anulou o primeiro golo do Belenenses, não assinalou um penálti no fecho da primeira parte e assinalou outro que não existiu.»
Cada dia que passa adiciona nojo ao nojo. Quantos pontos roubaram, directa e indirectamente, ao Braga esta época?
Cada dia que passa adiciona nojo ao nojo. Quantos pontos roubaram, directa e indirectamente, ao Braga esta época?
[Avenida Marginal] A tecla de sempre
O PCP vai levar à Assembleia da República cinco diplomas para combater a precariedade laboral. A peça do Diário de Notícias não é suficientemente específica em relação ao teor das propostas concretas. Mas, vindo do PCP, também não se esperam grandes surpresas. Afinal de contas, desde há cerca de 30 anos que a coisa cristalizou mais ou menos no ponto granítico em que hoje se encontra.
De facto, desde Abril que a coisa não mudou muito. Os problemas continuam simples e cristalinos como sempre. Quando alguma coisa falha, soluciona-se da forma mais rápida: por decreto. A precariedade faz parte do mesmo lote. Se há trabalhadores precários, a solução é simples: basta proibir o trabalho precário. Em mais de três décadas, não deu para evoluir muito mais do que isto.
A precariedade laboral é um fenómeno multifacetado e no qual participam vários factores. Um deles é a incerteza; incerteza quanto à real produtividade do trabalhador e incerteza quanto à situação futura da empresa. E a incerteza não se regula por decreto. A proibição de vínculos precários não a elimina; apenas acentua os seus efeitos nefastos, porque o risco da contratação aumenta. O resultado é simples: mais desemprego.
E o fenómeno é particularmente perverso porque afecta sempre, ou quase sempre, os desfavorecidos. São os mais jovens – que, por terem entrado recentemente no mercado de trabalho, ainda não têm provas dadas –, as minorias e os trabalhadores com menos qualificações que ficam mais expostos aos piores efeitos de um Código do Trabalho mais rígido. Quando se põe a fasquia muito alta, o mais provável não é que os mais baixos se tornem subitamente grandes atletas, mas sim que acabem por não passar na prova.
A isto acrescenta-se outro problema que é a da reestruturação do tecido produtivo. O comércio internacional provoca desequilíbrios à medida que a produção de determinados bens se desloca para as áreas em que os seus custos de produção sejam, em termos relativos, mais baixos. Sectores em reestruturação terão sempre tendência para recorrer ao despedimento e aos contratos a prazo. O preço da riqueza é uma metamorfose por vezes dolorosa.
Há uma forma de atenuar este problema. Permitir a flexibilidade do mercado laboral para que as adaptações sejam facilitadas, ao mesmo tempo que se garante apoio financeiro a quem é mais atingido pelos choques de reestruturação, é uma possibilidade que permite reunir o melhor dos dois mundos: a agilidade de um mercado livre e a segurança de uma social-democracia. Aliás, até já houve quem o tentasse. Os nórdicos chamaram-lhe flexisegurança. Nós, por cá, chamamos-lhe neoliberalismo selvagem. O tempo frio é lá em cima, mas fomos nós que congelámos no tempo.
De facto, desde Abril que a coisa não mudou muito. Os problemas continuam simples e cristalinos como sempre. Quando alguma coisa falha, soluciona-se da forma mais rápida: por decreto. A precariedade faz parte do mesmo lote. Se há trabalhadores precários, a solução é simples: basta proibir o trabalho precário. Em mais de três décadas, não deu para evoluir muito mais do que isto.
A precariedade laboral é um fenómeno multifacetado e no qual participam vários factores. Um deles é a incerteza; incerteza quanto à real produtividade do trabalhador e incerteza quanto à situação futura da empresa. E a incerteza não se regula por decreto. A proibição de vínculos precários não a elimina; apenas acentua os seus efeitos nefastos, porque o risco da contratação aumenta. O resultado é simples: mais desemprego.
E o fenómeno é particularmente perverso porque afecta sempre, ou quase sempre, os desfavorecidos. São os mais jovens – que, por terem entrado recentemente no mercado de trabalho, ainda não têm provas dadas –, as minorias e os trabalhadores com menos qualificações que ficam mais expostos aos piores efeitos de um Código do Trabalho mais rígido. Quando se põe a fasquia muito alta, o mais provável não é que os mais baixos se tornem subitamente grandes atletas, mas sim que acabem por não passar na prova.
A isto acrescenta-se outro problema que é a da reestruturação do tecido produtivo. O comércio internacional provoca desequilíbrios à medida que a produção de determinados bens se desloca para as áreas em que os seus custos de produção sejam, em termos relativos, mais baixos. Sectores em reestruturação terão sempre tendência para recorrer ao despedimento e aos contratos a prazo. O preço da riqueza é uma metamorfose por vezes dolorosa.
Há uma forma de atenuar este problema. Permitir a flexibilidade do mercado laboral para que as adaptações sejam facilitadas, ao mesmo tempo que se garante apoio financeiro a quem é mais atingido pelos choques de reestruturação, é uma possibilidade que permite reunir o melhor dos dois mundos: a agilidade de um mercado livre e a segurança de uma social-democracia. Aliás, até já houve quem o tentasse. Os nórdicos chamaram-lhe flexisegurança. Nós, por cá, chamamos-lhe neoliberalismo selvagem. O tempo frio é lá em cima, mas fomos nós que congelámos no tempo.
Há Circo no Theatro?
Diz-se em surdina que Paulo Brandão vai sair do Theatro Circo. Se acontecer, o discurso oficial depressa se encarregará de transformar o bestial em besta, Braga perderá o melhor programador nacional e voltará à penumbra cultural dos últimos anos.
Numa entrevista ao jornal O Balcão, Adolfo Luxúria Canibal assume com desassombro o que há muito se vai dizendo em surdina, acusando directamente Rui Madeira, administrador do Theatro Circo e director da Companhia de Teatro de Braga, de estar à espera do «poleiro» e de receber «um salário que é o dobro do salário médio nacional.»
Ora leiam com muita atenção: «E chegamos a uma fase actual que é gritante. O TC tem um programador que não programa porque não o deixam programar. O TC despede ou tenta despedir todos os funcionários que tem a trabalhar que faziam um trabalho interessante e importante para que a casa mantivesse os niveis de qualidade que nos habituou nos primeiros seis meses com a desculpa de que se vai tornar mais barato baixando a programação e contratando serviços a privados, fora do TC, que é muito estranho, e alegando que está sem capacidade financeira para fazer a gestão do espaço.
Na altura da abertura subscrevi uma carta dirigida ao Presidente da Câmara dando os parabéns pela aposta que me parecia ganha e tanto quanto sei a casa nesses primeiros seis meses não deu prejuizo. Se dá prejuizo é porventura depois da desacelaração da programação e da interferência da Administração na programação. Nós chegamos a caricaturas de vermos o mês de Março, por exemplo, em que o programador não tem um único espectáculo programado por ele, são todos programados pela Administração do TC. Se é a Administração que manda e programa para que é que querem um programador?»
Numa entrevista ao jornal O Balcão, Adolfo Luxúria Canibal assume com desassombro o que há muito se vai dizendo em surdina, acusando directamente Rui Madeira, administrador do Theatro Circo e director da Companhia de Teatro de Braga, de estar à espera do «poleiro» e de receber «um salário que é o dobro do salário médio nacional.»
Ora leiam com muita atenção: «E chegamos a uma fase actual que é gritante. O TC tem um programador que não programa porque não o deixam programar. O TC despede ou tenta despedir todos os funcionários que tem a trabalhar que faziam um trabalho interessante e importante para que a casa mantivesse os niveis de qualidade que nos habituou nos primeiros seis meses com a desculpa de que se vai tornar mais barato baixando a programação e contratando serviços a privados, fora do TC, que é muito estranho, e alegando que está sem capacidade financeira para fazer a gestão do espaço.
Na altura da abertura subscrevi uma carta dirigida ao Presidente da Câmara dando os parabéns pela aposta que me parecia ganha e tanto quanto sei a casa nesses primeiros seis meses não deu prejuizo. Se dá prejuizo é porventura depois da desacelaração da programação e da interferência da Administração na programação. Nós chegamos a caricaturas de vermos o mês de Março, por exemplo, em que o programador não tem um único espectáculo programado por ele, são todos programados pela Administração do TC. Se é a Administração que manda e programa para que é que querem um programador?»
Viva o Futebol Português (III)
Luís Filipe Vieira pôs o país a discutir o jogo do Bessa (1, 2 e 3) quando o escândalo maior aconteceu em Alvalade. Carlos Fernandes tem razão quando diz que «há equipas com mais quinze pontos do que deviam ter e o Sp. Braga tem menos quinze pontos do que devia ter. [...] Há erros, há equipas que têm sido beneficiadas e quando são muitos erros contra a mesma equipa, as coisas têm de ser analisadas.»
Estas declarações não merecerão comentários do Secretário de Estado, nem do Presidente da APAF, nem dos dirigentes de outros clubes. Estas declarações não chegarão à capa de nenhum jornal desportivo. Estas declarações não passarão nas rádios ou televisões e, muito menos, nas estações públicas de comunicação social.
Para o sistema, só contam os três clubes do costume. O resto é pura paisagem.
Estas declarações não merecerão comentários do Secretário de Estado, nem do Presidente da APAF, nem dos dirigentes de outros clubes. Estas declarações não chegarão à capa de nenhum jornal desportivo. Estas declarações não passarão nas rádios ou televisões e, muito menos, nas estações públicas de comunicação social.
Para o sistema, só contam os três clubes do costume. O resto é pura paisagem.
Viva o Futebol Português (II)
O sentimento não é novo: as más péssimas arbitragens têm perseguido o Sporting de Braga. A SAD, sempre expedita a criticar os adeptos, tem mantido um silêncio ensurdecedor. Até quando?
[Avenida do Mal] Banha de Cobra
Não me quero meter em artimanhas de vendedor, nem boticário, nem pau-mandado ou pau-de-cabinda da indústria de produtos naturais. Tão pouco alinho em homeopatia ou endireitas. Mas o caso da Depuralina, mais que bem contextualizado no alarmismo que de repente assolou a nação, pode ser uma amostra da real natureza das coisas do negócio.
O produto à partida é inofensivo. Vista a composição é um pó ralado de frutas secas, ervas e pouco mais. Um suplemento alimentar, laxante como dizem, e claro, lá terá os riscos raros de alergia ou de choque anafilático como qualquer outra coisa que se leve à boca: amendoins ou medicamentos – vejam lá! Não sei se faz realmente perder peso, mas fez com certeza emagrecer os proveitos de outros produtos do género, mais ou menos farmacológicos, tão procurados meses antes da exposição das pneumáticas vergonhas pela praia. E nisto, é engraçado como a ASAE não se inibiu de varrer prateleiras de tudo quanto era farmácia e lojas dietéticas com a velocidade que eu esperaria na fiscalização dos milhares de estabelecimentos que não se inibem em permitir, à margem da lei, que se encha o espaço público fechado de fumarada de tabaco.
Mas nas questões de Comércio da Saúde, pouca será a coincidência. É normal. Ou vai sendo normal. Há uns meses atrás, o Infarmed retirou do mercado o nostálgico Quitoso, o anti-parasitário, alegando questões ambientais, uma vez que a referida loção continha substâncias altamente poluentes. Verdade é que não sendo este Portugal a piolheira de D. Carlos e não se estimando o uso do Quitoso em quantidades industriais, ficam os argumentos enviesados pelo cano abaixo. Por outro lado, anos de uso generalizado e a popularidade do Quitoso pôs o produto, a preços de mercado, entre 4 e 5€. Dos anti-parasitários substituintes que restaram disponíveis, não lhes fazendo publicidade, diga-se que vão para lá dos 25€...
Outro exemplo é o da penicilina. O afamado antibiótico, por ser o primeiro e ter acabado com a sífilis por exemplo, é vendido em Portugal na sua versão de injecção, a benzilpenicilina ou Penicilina G. No entanto, a produção é de tal modo barata que em forma de comprimidos, a fenoximetilpenicilina, ou Penicilina V – sim, em comprimidos - chega ao ridículo dos cêntimos quando posto à venda em Espanha. Mas em Portugal não há desgraçado com amigdalite, ou outra afecção do espectro, que a tome por via oral. Talvez custe a engolir (é da amigdalite), mas o estojo de injecção, com toda aquele mórbido ritual, sai mais proveitoso à indústria farmacêutica, dá trabalho a enfermeiros, e portanto é mantido como a única disponível nas farmácias do rectângulo, para mal das nossas nádegas.
Estas são estratégias de mercado de uma das indústrias mais rentáveis no mundo. Faço-lhes a vénia. Polvo montado, nomenclaturas, prescritores, o contexto oportuno e a sempre boa ajuda da comunicação social constroem estes artifícios de propaganda. E a verdade está no pormenor das coisas, mas os pormenores tendem a escapar no andar apressado das vistas. Não há-de ser nada, "cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas"...
O produto à partida é inofensivo. Vista a composição é um pó ralado de frutas secas, ervas e pouco mais. Um suplemento alimentar, laxante como dizem, e claro, lá terá os riscos raros de alergia ou de choque anafilático como qualquer outra coisa que se leve à boca: amendoins ou medicamentos – vejam lá! Não sei se faz realmente perder peso, mas fez com certeza emagrecer os proveitos de outros produtos do género, mais ou menos farmacológicos, tão procurados meses antes da exposição das pneumáticas vergonhas pela praia. E nisto, é engraçado como a ASAE não se inibiu de varrer prateleiras de tudo quanto era farmácia e lojas dietéticas com a velocidade que eu esperaria na fiscalização dos milhares de estabelecimentos que não se inibem em permitir, à margem da lei, que se encha o espaço público fechado de fumarada de tabaco.
Mas nas questões de Comércio da Saúde, pouca será a coincidência. É normal. Ou vai sendo normal. Há uns meses atrás, o Infarmed retirou do mercado o nostálgico Quitoso, o anti-parasitário, alegando questões ambientais, uma vez que a referida loção continha substâncias altamente poluentes. Verdade é que não sendo este Portugal a piolheira de D. Carlos e não se estimando o uso do Quitoso em quantidades industriais, ficam os argumentos enviesados pelo cano abaixo. Por outro lado, anos de uso generalizado e a popularidade do Quitoso pôs o produto, a preços de mercado, entre 4 e 5€. Dos anti-parasitários substituintes que restaram disponíveis, não lhes fazendo publicidade, diga-se que vão para lá dos 25€...
Outro exemplo é o da penicilina. O afamado antibiótico, por ser o primeiro e ter acabado com a sífilis por exemplo, é vendido em Portugal na sua versão de injecção, a benzilpenicilina ou Penicilina G. No entanto, a produção é de tal modo barata que em forma de comprimidos, a fenoximetilpenicilina, ou Penicilina V – sim, em comprimidos - chega ao ridículo dos cêntimos quando posto à venda em Espanha. Mas em Portugal não há desgraçado com amigdalite, ou outra afecção do espectro, que a tome por via oral. Talvez custe a engolir (é da amigdalite), mas o estojo de injecção, com toda aquele mórbido ritual, sai mais proveitoso à indústria farmacêutica, dá trabalho a enfermeiros, e portanto é mantido como a única disponível nas farmácias do rectângulo, para mal das nossas nádegas.
Estas são estratégias de mercado de uma das indústrias mais rentáveis no mundo. Faço-lhes a vénia. Polvo montado, nomenclaturas, prescritores, o contexto oportuno e a sempre boa ajuda da comunicação social constroem estes artifícios de propaganda. E a verdade está no pormenor das coisas, mas os pormenores tendem a escapar no andar apressado das vistas. Não há-de ser nada, "cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas"...
O Norte para Além do Porto (II)
Espero que não nos esqueçamos de retirar todas as ilações do facto de Pinto da Costa, líder de um clube de futebol, ser a figura mais forte/significativa do Norte.
O Norte para Além do Porto
«O FC Porto é um símbolo do Norte, aqui nasceu Portugal. Não nos calarão por mais pontes que façam, nem por mais milhões que nos levem. Temos de lutar contra o centralismo absurdo.»
Eis uma declaração altamente reveladora. Cerceado pela justiça, o Presidente do Futebol Clube do Porto volta a ressuscitar a «guerra Norte-Sul» para galvanizar as hostes portistas e manter os adeptos unidos em torno da sua figura. Pinto da Costa sabe que não há melhor garantia de unidade do que a existência de um inimigo comum externo, capaz de mobilizar recursos excepcionais na luta contra os infiéis.
Por outro lado, o facto do Norte continuar sem liderança e sem rumo abre caminho ao populismo bairrista nos mais diversos sectores da sociedade. Enquanto não existir uma verdadeira regionalização, continuaremos reféns deste tipo de demagogia de circunstância.
Por último, o «portocentrismo». Por muito que os portuenses esqueçam, há mais Norte para além do Porto. Felizmente.
Eis uma declaração altamente reveladora. Cerceado pela justiça, o Presidente do Futebol Clube do Porto volta a ressuscitar a «guerra Norte-Sul» para galvanizar as hostes portistas e manter os adeptos unidos em torno da sua figura. Pinto da Costa sabe que não há melhor garantia de unidade do que a existência de um inimigo comum externo, capaz de mobilizar recursos excepcionais na luta contra os infiéis.
Por outro lado, o facto do Norte continuar sem liderança e sem rumo abre caminho ao populismo bairrista nos mais diversos sectores da sociedade. Enquanto não existir uma verdadeira regionalização, continuaremos reféns deste tipo de demagogia de circunstância.
Por último, o «portocentrismo». Por muito que os portuenses esqueçam, há mais Norte para além do Porto. Felizmente.
Georden: A Propósito dos Transportes Públicos de Braga
«Uma possibilidade seria também o eléctrico ou o metro de superfície, mas tal deveria ter sido levado em conta aquando da pedonização alargada e mal estruturada de parte importante do centro (mas poderá afigurar-se como alternativa se não pensado como projecto turístico ou pseudo saudosista), e do sistema de transportes que não foi programado para funcionar, em termos práticos, como transporte público. Os problemas não são de hoje, reflectem uma ideia errada de crescimento da cidade que já tem quatro décadas mas que agora se agudizou.
Na realidade nós sabemos que o transporte público em Braga é cogitado em termos sociais e vai de encontro à máxima portuguesas de que quem não tem carro caça com BUS. Ainda é um mini tabu andar de Bus. Coisa de velhotes, alguns estudantes e…pobres. E assim o pensam técnicos e sobretudo o poder político, que, obviamente não os utiliza. Antes de pedirmos a redução da viagem Porto/Braga de comboio para 40 minutos deveríamos reflectir nestes 45, a carvão.»
Versão Integral de Leitura Obrigatória.
Na realidade nós sabemos que o transporte público em Braga é cogitado em termos sociais e vai de encontro à máxima portuguesas de que quem não tem carro caça com BUS. Ainda é um mini tabu andar de Bus. Coisa de velhotes, alguns estudantes e…pobres. E assim o pensam técnicos e sobretudo o poder político, que, obviamente não os utiliza. Antes de pedirmos a redução da viagem Porto/Braga de comboio para 40 minutos deveríamos reflectir nestes 45, a carvão.»
Versão Integral de Leitura Obrigatória.
Conversas Improváveis: Jornalismo & Poder
«O Café Blogue organizou, segunda-feira, na Velha-a-Branca, uma “Conversa Improvável” entre a jornalista Luísa Teresa Ribeiro e o deputado Miguel Laranjeiro. Sob o tema “Jornalismo e Poder”, os participantes concluíram que “não há inocentes” quer no jornalismo, quer na política. A conversa abordou o panorama actual do jornalismo e os interesses que movem tanto os jornalistas como os políticos. De todas as conversas improváveis organizadas pelo Café Blogue, esta foi, no entender do deputado pelo Partido Socialista, “a menos improvável”. Sublinhou Miguel Laranjeiro que a relação entre jornalismo e poder é muito importante e deve ser pensada, uma vez que “não há inocentes” tanto de um lado como do outro. Por seu lado, a jornalista do Diário do Minho e docente do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho falou num “efeito dominó” entre os diversos órgãos de informação que obedecem a lógicas concorrenciais e põem em causa os valores-notícia. A qualidade do jornalismo pode, no entender desta profissional da área, ser prejudicada por imperativos de mercado, tentando os poderes “domesticar as pessoas.” Teresa Ribeiro chamou também a atenção para o actual estado do jornalismo e os seus extremos. Enquanto que, por um lado, temos “o tempo dos pés de microfone”, o jornalista torna-se acrítico pela objectividade extrema, temos no outro extremo o “jornalista vedeta”, que dá opiniões pessoais. Trata-se de um “equilíbrio difícil”, o de manter a proporção entre a objectividade e a opinião. A distinção entre tempo mediático e tempo da política foi defendida por Laranjeiro, referindo que seria um desastre se fossem iguais. Para o também bacharel em jornalismo, tem de haver uma “adequação” dos tempos e a percepção por parte do público de que a “maturação” da política é diferente do imediatismo do jornalismo.» Excerto da reportagem de Rita Araújo no ComUM[Fotografia de Luís Tarroso]
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