Avenida Central

Pobreza Cultural na Cidade de Braga (II)

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«Insultos, gritaria e troca de acusações. Aconteceu de tudo, anteontem à noite, no Theatro Circo, em Braga, depois da anulação de um concerto "Ópera dos Três Vinténs". Tudo começou em Fevereiro quando foi proposto, em regime de co-produção, um espectáculo de ópera, em que estariam ainda envolvidos a Casa das Artes de Famalicão, o Centro Cultural de Vila Flor, em Guimarães, e o Teatro Aveirense. Nestes três locais houve espectáculos com casa cheia e pagamento de 25 mil euros em dinheiro. Em Braga, só foram vendidos 70 bilhetes, que iriam pagar o concerto. [...]

"A programação do Theatro Circo é carne picada, importada dos Estados Unidos, com que se fazem hambúrgueres culturais. O Theatro Circo é nesta altura o MacDonalds da cultura em Portugal".» [Jornal de Notícias]

Porque nada tenho a dizer sobre a querela entre uns e outros, serve esta notícia para ilustrar dois fenómenos recorrentemente denunciados no Avenida Central. Em primeiro, não é nova a ideia de que o Theatro Circo aposta pouco na produção cultural local e nacional. Em segundo, é necessário investigar a fundo as causas da anedonia cultural e desportiva da cidade de Braga. Não basta continuar a apontar o dedo aos bracarenses, repetindo graves erros de gestão.

Avenida na Antena

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Liberais. Mas Pouco.

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«Ser passivo perante intolerantes é incompatível com a defesa da tolerância.» Em nome do politicamente correcto, a obra atlântica expulsou Tiago Mendes do Blogue. Ainda que tenha discordado efusivamente de algumas das suas ideias, devo afirmar que o Tiago é um dos melhores bloggers nacionais. Inteligente, acutilante e descomprometido foi suportando, dia após dia, a agenda de uma certa inspiração cristã.

O Tiago questiona «por que há, à direita, tão poucas críticas ao que escreve o André Azevedo Alves? Será por “medo”? De quê? [...] Porque a direita que se diz “moderna” se revê naquele conjunto de ideias e na forma obsessiva, mal educada (sim, a “educação” era ironia, claro que se trata de um mal-criado), propagandista e moralista?» Subscrevo e vou mais longe porque o silêncio é invariavelmente compartilhado por todos os sectores do catolicismo. As agendas da horda são demasiado evidentes e o silêncio dos outros demasiado comprometedor. A indigência intelectual anda à solta e aquele liberalismo não é mais que um eufemismo. Para lá da selvejaria económica, não há nada de liberal naquela direita de sacristia.

Embora muitos continuem em negação, o Blogue Atlântico jamais será o mesmo. Felizmente sabemos quem manda.

Avenida dos Leitores: A Ribeira Bracarense

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Em 1996, a Câmara Municipal de Braga teve um sonho: trasformar a Zona de Galos numa área de recreação e lazer. A ideia era transformar aquele espaço numa “ribeira baracarense”, à dimensão do curso de água, com bares, restaurantes e animação.

Em 2001, depois de não ter apresentado qualquer candidatura à primeira fase do Programa Polis, o que motivou as críticas da oposição, a autarquia voltou a sonhar. E apresentou duas candidaturas à segunda fase do Polis: os projectos para o Parque Norte e para a Zona de Galos, entre as avenidas 31 de Janeiro e da Liberdade. E a resposta que obteve foi para continuar a sonhar....

Esta área, conhecida pelas moagens que concentrava, deve ser importante. Pelo menos é a ideia com que se fica quando se lê o Regulamento do Plano Director Municipal.

No Capítulo II, referente às condicionantes, o artigo 19.º estipula a “Área de aplicabilidade do regulamento municipal de salvaguarda e revitalização do centro histórico de Braga: Na área crítica de recuperação e reconversão urbanística do centro histórico da cidade de Braga e da zona dos Galos, aplica-se o Regulamento Municipal de Salvaguarda e Revitalização do Centro Histórico da Cidade de Braga”.

No Capítulo IV, relativo às Unidades Operativas de Planeamento e Gestão, o Artigo 113.º, 2.º, diz que “constitui também, a unidade operativa de planeamento e gestão, sujeita a regulamento municipal de gestão urbanística aprovado, a UOPG 4 - Área Crítica de Recuperação e Reconversão Urbanística do Centro Histórico e a Área Crítica de Recuperação e Reconversão Urbanística da Zona dos Galos”.

Às portas de 2008, quem passa por aquela zona vê os edifícios típicos cada vez mais degradados, rodeados por prédios, muitos, a ocupar cada metro quadrado, e feios. A vegetação cresce à volta de um rego de água que penosamente lá vai arrastando o lixo. É deprimente atravessar o rio, percorrer as vielas estreitas, passar por num túnel deixado por um prédio e dar de caras com a nova construção mesmo em frente ao Centro de Saúde do Carandá.

A zona que deveria ser a ribeira de Braga está degradada e a precisar de uma intervenção urgente. Mas já estava há 12 anos. Quando é que o sonho de um novo pólo de atracção da cidade vai, finalmente, deixar de ser num pesadelo?

Enviado por Lois Lane.

Resposta da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva

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A Directora da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva teve a amabilidade de nos explicar o que está a suceder com uma celeridade que merece ser destacada. Passo a transcrever a resposta, apelando aos utilizadores que detectaram os problemas para que os façam chegar à BLCS através do email blcs@blcs.pt.

«Caros utilizadores da BLCS,

Agradecemos desde já os vossos emails, que mereceram a nossa melhor atenção, pois é graças às sugestões dos nossos utentes que melhor poderemos servir a comunidade.

Esta biblioteca é um espaço que visa o acesso à informação e ao conhecimento e não é nosso intuito bloquear o acesso a fontes de informação, nomeadamente a blogs. Já estivemos a analisar a questão que nos apresentou relativamente à visualização do conteúdo dos blogs, e, nos diferentes blogs analisados, não tivemos dificuldade em aceder aos mesmos, por exemplo: os blogs da “Avenida Central” (http://avenidacentral.blogspot.com/) e “Music-in-box” (http://music-in-a-box.blogspot.com/2007/12/post-extra-msica.html).

Para melhor servirmos a comunidade, agradecíamos que nos indicasse qual o(s) blog(ues) em específico(s) ao qual não conseguiu aceder a partir das nossas instalações, para verificarmos se existe, de facto, alguma falha técnica no acesso, que não descuramos que possa, eventualmente, ter sido pontual.Aguardamos, caso necessite, novamente o seu contacto, para mais esclarecimentos,

Cumprimentos,
Aida Alves
(Directora da BLCS)»

Biblioteca Bloqueia Acesso a Blogues?

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Chegou-me, por e-mail, a informação de que a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, um espaço que muito admiro, está a barrar o acesso aos blogues alojados no domínio blogspot.com. Se não se tratar de um estranhíssimo erro informático, este bloqueio é uma inaceitável forma de censura. Aguarda-se a rápida resolução dos problemas com a reposição da liberdade de acesso informativo.

O Progresso

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«A meia dúzia de lavradores que comercializam directamente os seus produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que trabalham, preparam-se, depois da chegada da fast food, para fechar portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam no domicílio pratos e "petiscos", a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente aos cafés e restaurantes do bairro sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados. A solução final vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado.

Tudo isto, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas.
Para nosso bem, pois claro.
»

António Barreto, Público (25.Nov.2007)
[via cum grano salis]

[devaneio]

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Era uma vez um colunista. Mas não era um colunista qualquer. Era daqueles colunistas muito fraquinhos que não têm uma única ideia nova sobre nada. Daqueles que se limitam a compilar o que ouvem aqui e ali. Daqueles que não plagiam, mas também não inovam. Daqueles que nunca têm humildade para dizer que leram esta ideia ali e que concordam com ela. Daqueles que não valem nada como colunistas, mas muito se orgulham de o continuar a ser.

Era uma vez um jornal. Mas não era um jornal qualquer. Era daqueles jornais muito fraquinhos que não passam de uma terrível caricatura de si mesmos. Daqueles que, para não perderem um colunista fraquinho, perdem a coluna. Daqueles que deturpam a verdade como se a verdade fosse coisa acessória. Daqueles que usam da censura como se de opção editorial se tratasse. Daqueles que não valem nada como jornais, mas muito se orgulham de o continuar a ser.

Democracia Participativa, por Ricardo Rio*

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Da Participação na Democracia à Democracia Participativa

Quantos dos cidadãos de Braga se encontram recenseados na sua Freguesia de residência?
Quantos participam, votando, em cada acto eleitoral?
Quantos conhecem os seus representantes em cada um dos órgãos autárquicos?
Quantos cuidam de se informar sobre os vários actos da gestão autárquica ao nível Municipal ou da Freguesia?
Quantos emitem (ou têm) opinião sobre a forma como os seus destinos são conduzidos nestes patamares de Governo?
Quantos formulam sugestões para a melhoria da condução das políticas municipais? Ah, certo, 5.500…

Descurando o aprofundamento dos conceitos de ciência política - já aqui avisadamente explanados por muitos dos anteriores contribuintes, sou dos que defendem o aprofundamento dos “mecanismos democráticos” que apelem a e possibilitem um envolvimento crescente dos cidadãos na vida da Polis, escrutinando e enriquecendo as opções e os actos dos seus representantes eleitos.

Acho que tais iniciativas, profusamente aplicadas já um pouco por todo o mundo, e que vão muito para lá dos meros “Orçamentos Participativos”, nem traduzem uma diminuição da soberania de quem decide, nem muito menos consumam um acto de “folclore mediático” sem benefícios visíveis para o conjunto da Comunidade.
Não podem as Opções do Plano beneficiar com reais contributos de um leque alargado de cidadãos e instituições? Não deverá uma intervenção de fundo numa zona central da cidade ser alvo do confronto de ideias e propostas por parte de especialistas e cidadãos anónimos? Não deveria ser escrutinada pelo voto popular a decisão de alienação a privados de parte considerável do património de uma cidade?

Ainda assim, como em tudo na vida, há que não descurar o essencial em benefício do acessório.
Não se deve almejar muito em termos de Democracia Participativa quando são cada vez mais ténues os sinais de vitalidade da Participação Democrática (fenómeno para o qual este blogue é um positivo antídoto).

Mas, gostaria de frisá-lo, não se pode desvalorizar o papel que numa e outra vertente cabe aos Partidos Políticos e à militância partidária.
Ao contrário do conveniente “bode expiatório” para os males da Democracia em que se transformaram estas estruturas, os Partidos continuam a ser no actual e único regime possível um pilar da Participação Democrática. E, acrescento, qualquer análise minimamente séria e descomprometida revê em qualquer outra esfera da sociedade, das empresas, à administração pública, às universidades, a cada colectividade de bairro, os mesmos exemplos positivos e negativos que marcam a sua actividade.
Daí que, ao invés de se verem como sucedâneos, os movimentos de cidadãos devem ser entendidos como complementos à esfera partidária, com contextos de actuação, objectivos e instrumentos necessariamente diversos, sob pena de poderem perder a sua própria identidade genética.

Tinha 16 anos e estava a acabar o liceu quando me inscrevi no PSD, no dia seguinte à mais copiosa das derrotas de Cavaco Silva numas Eleições Europeias.
Da militância anónima à integração numa Comissão Política do PSD local, já licenciado em Economia e com uma exigente vida profissional no Porto, passou quase uma década.
Desde 2002, lidero o PSD de Braga, fui candidato à Câmara Municipal de Braga em 2005 e voltarei a sê-lo em 2009, com absoluta confiança na vitória mas com o mesmo fito que determinou toda a minha Participação Democrática: dar o meu melhor para servir Braga e os Bracarenses em vez de esperar que outros o façam por mim.

(*) Presidente da CPC do PSD Braga e autor do blog Braga2009

Povo Venezuelano diz NÃO!

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O povo venezuelano disse Não! Ainda que isto possa significar um pequeno nada no caminho de Chavéz para a consolidação da sua sociedade bolivarista, a verdade é que é a primeira derrota do putativo ditador. No essencial concordo com João Miranda, mas diria de outro modo: «Aquilo que interessa fazer notar do ponto de vista liberal democrático é que a nova constituição da Venezuela seria ilegítima qualquer que fosse o resultado eleitoral.»

A ditadura da maioria é tão inadmissível como outra ditadura qualquer.

Exame: Um Desafio para os Leitores

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«O escudo era uma arma defensiva que consistia, essencialmente, numa chapa de metal, madeira ou couro, usado para se proteger de golpes inimigos. A sua origem é difícil de datar. Presume-se que o homem primitivo começou a usar esta arma quando iniciou as lutas de posse de território, logo após o sedentarismo.
Actualmente é utilizado pela polícia, embora de materiais sintéticos, à prova de bala. No Brasil, a polícia que possui escudo é chamada de tropa de choque especializada em controlar grandes multidões. Em Portugal a mesma força é mais conhecida por polícia de choque, embora a utilização de tropa seja também a adequada, dado o regime militarizado desta força de intervenção.» [wikipedia .org]

Com base no texto respondam às seguintes perguntas.

1. Relativamente ao escudo, assinale a afirmação verdadeira:
a) o homem primitivo não usava escudo
b) a sua origem é difícil de datar
c) presume-se que começou a ser usado após o sedentarismo
d) actualmente o escudo não é utilizado
e) em Portugal não se usa escudo

2. O escudo consistia numa chapa de um dos seguintes materiais, excepto:
a) metal
b) madeira
c) couro
d) diamante
e) todas as anteriores

3. Escolha a associação verdadeira:
a) Portugal - polícia de choque
b) Brasil - tropa de choque
c) China - polícia de choque
d) EUA - tropa de choque
e) Itália - tropa de choque

As Iluminações de Natal

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Habituada a ficar uns pontos abaixo dos concelhos limítrofes, a iluminação festiva da cidade de Braga conseguiu, neste ano, cativar a minha simpatia. Cumpre a sua missão com sobriedade e gosto.

Há sempre quem questione, pelos mais variados motivos, a pertinência das iluminações de Natal. Se o Natal fosse uma festa religiosa, seria inaceitável aplicar dinheiro dos contribuintes em ornamentos. Tratando-se, como se sabe, de um hino ao consumo e de uma festa que saiu do campo da religiosidade e se converteu num evento social, parece-me certa a aposta das autarquias, consubstanciando-se como uma forma de ajudar o Comércio Tradicional a angariar mais clientes e mais negócio. Que as vendas deste Natal ajudem o centro de Braga a renascer é o meu desejo. Seria coisa bem melhor para Braga que muitas outras homilias...

[Picture Copyright: Câmara Municipal de Braga]

Avenida dos Leitores: Iluminação de Natal

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Era mesmo necessário?
A cidade de Braga encheu-se de luz com as iluminações de Natal. O efeito é bonito na maior parte das áreas. Mas há uma coisa que eu não entendo. Era mesmo necessário amarrar as estruturas da iluminação aos monumentos? Pelo que pude perceber, a filosofia seguida foi ornamentar as praças com uns arcos com luzes azuis. Fonte do Pelicano (em frente à Câmara Municipal), Chafariz do Largo do Paço, Chafariz do Campo das Hortas, Cruzeiro da Senhora-a-Branca e estátua de D. Pedro V foram locais contemplados com estas estruturas.

Enviado por Lois Lane.

Avenida dos Leitores: Anjos da Moda

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Anjos da Moda. 30.Nov.2007
Enviada por Tiago Frada.

Regresso

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Depois de uma breve pausa imposta pelo cumprimento de alguns compromissos profissionais, o Avenida Central retoma o fluxo habitual.

O marketing de uma cerveja que ninguém bebe. A Tagus lançou uma campanha de "Orgulho Hetero". Os habituais críticos do "Orgulho Gay", em vez de manterem a tónica apressaram-se a subverter a questão, criticando os gays (está claro!). Basta ler as citações que André Azevedo Alves foi colecionando n'O Insurgente. Mas Daniel Oliveira assinou o melhor texto que lhe conheço. Uma reflexão de leitura absolutamente obrigatória. E Tiago Mendes, ao arrepio do politicamente correcto, teve coragem para dizer basta à obsessão da Opus Dei relativamente à homossexualidade, colocando o Blogue Atlântico numa ebulição que faz falta. E, se dúvidas havia, João Galamba demonstra no metablog o fetiche dos conservadores relativamente a essa temática.

Fontes do Ídolo acompanha Assembleia Municipal. O blogue Fontes do Ídolo acompanhou, em directo, a última Assembleia Municipal de Braga. Foi uma iniciativa que merece um enorme aplauso. Um assunto a que voltarei brevemente com maior detalhe.

Avenida dos Leitores: Maravilhas da Natureza

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Embrião. 28.Nov.2007
Enviada por Paula Fidalgo.

[Avenida do Mal] Braga, a Cultura e "SIDA na Comida"

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O título do post, na parte entre aspas, pode parecer estúpido mas tem um senso de ironia e o sarcasmo que foram êxito de uma de muitas bandas, na histeria de uma Braga punk e do pós-punk depressivo. Essas ou outras denominações de movimentos no rock, pop e afins, que proliferavam nos anos 80. Era hino ao desconhecimento perante o flagelo que vinha desintumescendo a década desbragada. Naltura caía o Theatro Circo num coma de 20 e tal anos, depois dos Mão Morta lhe desfazerem bancos e balcões num turbilhão de lascas de madeira e lâminas canela abaixo. E o sangue, bem mais real que o das letras de Adolfo Luxúria Canibal, tinha a par do esperma e leite materno, conotações de vectores de morte. Para alguns suor e visco. E continua...

[Isto, contado por tios, primos, amigos de maior idade e lido, porque dos Mão Morta ouvi a voz e os rifes de guitarra, em fita magnética, era eu miúdo com a cabeça em castelos de Guimarães e com Serra da Estrela tida tão próxima na neve sobre a Serra da Maçã. Naltura até tremia só com o nome da Banda, mas agora não tenho o medo que tinha...]

Era esta outra herança cultural bracarense que me chegava, para lá dos monumentos a Deus encomendados por D. Diogo de Sousa, outras obras de Mesericórdia, hospitais para a peste e para a pobreza, torres de Igreja como falos da cidade virados ao céu e sem preservativo, com padres e confrarias metidas dentro, seminários onde me queria o meu avô. Era e resiste hoje na instatisfação de muitos agentes e tribos de intelectuais da urbe, contida por fora, com a tal impressão de que já houve mais. Isto porque depois de cidade-berço do salazarismo e do Estado Novo, no seu exército de burgueses e soldados parolos, a Braga de 80's foi ninho explosivo da boémia no bom e no mau que se lhe associam. Entrava música. Era porta de entrada muito premeável e aberta, como cidade romana, a música e estilos de vida, penteados e roupas de fazer corar beatas saídas dos congregados. Quem sabe matá-las de coração.

E dedicada está a crónica hoje, porque é dia, ao que o turbilhão de artes trouxe junto, pregado nas glandes e mucosas de muita gente, ou então embebido nas agulhas. O vírus de uma doença pior que a tísica e que, por obra ou desgraça divina, nos levou António, mas que lhe poupou a criação e o que restou dela. Comida e recozida por quantos artistas nascidos depois dele, ou ainda nas fraldas, já ele arrefecia mortalhado. A mesma ignorância e o medo, por tantos que caíam na cama magros, espintalados de roxo e com bolor na língua, calaram Braga e os desvairados nos anos que se seguiram. E clamparam a torrente e a criação. Embrulharam o país e a cidade num estado acrítico com o avançar do betão na paisagem e do betume na alma. Deram paz a um governo de figuras de mão-de-ferro, messias de prédios como colmeias, umas em cima de outras, e vias feitas por meia-medida, capitalismo conservador em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Era o castigo à má-vida e ao abuso das partes ao dependuro e das veias do corpo. De repente, vieram os 90's vividos como ressaca deprimente, atordoada de um dinheiro vindo e virado a nada. E com pouco onde se agarrar os doidos, caída que estava Berlim, a União Soviética e o muro. O vírus, esse, permaneceu indomado e insidioso. Ignorado por muita gente que não lhe conhecia as forças e as fraquezas. Destes juízes e outros doutores de direito, e médicos alguns, exemplos tristes da condição de um país de analfabetos literados. Restritos a preconceitos estabelecidos, nas ciências e artes, vítimas da educação pública dada como tabuada, pré-cozida e pouco pensada. Felizmente raros, cada vez mais, mas com as suas tiradas em acórdão indignas de capa de jornal.

Mas é verdade que vem voltando a cultura. Renasce em Braga e no País, pela mão das gerações mais esclarecidas de hoje, com tanta informação que nos entra ecrãs dentro, muitas delas nascidas nessa mesma década. Mais imune portanto. Porque prova é que maleitas vindas de súbito, VIH-SIDA como noutra enfermidade, mesmo nas doenças intelectuais como ideologias ao ódio e à supremacia, não há desfloração que cure, nem comida que infecte. Há apenas uma noção de que aos ignorantes e aos que insistem neles mais depressa lhes cai Jericó e as muralhas em cima.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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