«Há quem diga que as congratulações do Presidente da República a propósito de um caso estritamente religioso violam o princípio da laicidade do Estado, mas se Deus interrompeu o livre arbítrio para prestigiar o nosso país, o mínimo que o Presidente pode fazer é mandar a laicidade às malvas para agradecer.» [Ricardo Araújo Pereira, Visão]
(In)Coerências de Estado
Chegou o Jornal i

Chegou hoje às bancas um novo jornal. Chama-se "i" e promete abordar os temas com maior profundidade. As expectativas são muito elevadas conhecida qualidade de alguns dos principais rostos do projecto. Como tive um dia verdadeiramente preenchido de trabalho, não pude comprar o novo jornal. Contento-me com a edição online e as críticas de quem o folheou.
A ler: i, por Daniel Oliveira; i, por Tiago Mota Saraiva; i, por Fernando Mendes da Silva; O Primeiro Dia, por Pedro Rolo Duarte.
Participar
Em circunstâncias normais, se assim se pudesse dizer, considerar-se-ia que os partidos políticos, particularmente os que aspiram a governar os municípios, estariam, agora, a aproveitar o facto de, em breve, se realizarem eleições autárquicas para dinamizarem iniciativas públicas para discutir o que as vilas e as cidades devem ser e para, da criatividade incentivada, aproveitar ideias para os seus programas eleitorais.
Nada disso. Apesar de uma ou outra mais ou menos conhecida e honrosa excepção, abundam os candidatos autárquicos que não precisam de ouvir o que os cidadãos têm a dizer. Às vezes, é verdade, promovem uns simulacros de participação que servem para entreter o voluntarismo de uns quantos, mas esses numerosos candidatos sabem que o que mais importa é tomar conta do poder e, depois, o que as vilas e as cidades devem ser será coisa que se irá vendo.
E o que as vilas e as cidades vão sendo, em grande medida, é mais do mesmo, sobretudo mais de tudo o que alguns promotores imobiliários e construtores civis tiverem para oferecer. E vão sendo, noutros domínios, o que a força da inércia for determinando que sejam. Os casos em que os municípios se distinguem por excelentes razões – não só pelo que fazem, mas também pelo modo como envolvem os cidadãos nas decisões sobre o que há para fazer – são assaz minoritários, mas mereciam, por isso, ser amplamente conhecidos.
Nada disso. Apesar de uma ou outra mais ou menos conhecida e honrosa excepção, abundam os candidatos autárquicos que não precisam de ouvir o que os cidadãos têm a dizer. Às vezes, é verdade, promovem uns simulacros de participação que servem para entreter o voluntarismo de uns quantos, mas esses numerosos candidatos sabem que o que mais importa é tomar conta do poder e, depois, o que as vilas e as cidades devem ser será coisa que se irá vendo.
E o que as vilas e as cidades vão sendo, em grande medida, é mais do mesmo, sobretudo mais de tudo o que alguns promotores imobiliários e construtores civis tiverem para oferecer. E vão sendo, noutros domínios, o que a força da inércia for determinando que sejam. Os casos em que os municípios se distinguem por excelentes razões – não só pelo que fazem, mas também pelo modo como envolvem os cidadãos nas decisões sobre o que há para fazer – são assaz minoritários, mas mereciam, por isso, ser amplamente conhecidos.
Rasgos de Originalidade

© Berni Beudel
Ainda não percebi completamente a grandiosa originalidade da proposta do Paulo Rangel, acerca de um hipotético programa Vasco da Gama, ou Erasmus Emprego.
Se o programa Erasmus é um programa formativo que visa um intercâmbio cultural e académico, o Leonardo da Vinci já é um programa que visa dotar o participante de experiência profissional em determinada área. Terá uma natureza relativamente formativa, já que são estágios profissionais, remunerados ou não remunerados, mas visa sobretudo dotar a pessoa de experiência.
A razão é óbvia e é a razão porque um programa como o que o Rangel propõe - «destinado especificamente à mobilidade de jovens à procura do primeiro emprego» - está condenado à partida: toda e qualquer empresa ou outra qualquer organização exige alguns anos de experiência profissional. É tão simples quanto isso. Pode ser muito bem intencionada, e uma proposta lindíssima no plano teórico. Mas é essa a realidade.
Aliás, nestes moldes, o tal programa Vasco da Gama não será mais do que um Leonardo da Vinci com uns tweaks. Por muito bem que fique nos cartazes das próximas campanhas, será preferível e lógico, pois até já existe uma estrutura montada, quer de participantes-empregados, quer de participantes-empregadores, moldar o actual programa Leonardo da Vinci, expandindo-o, então, com uma outra fase, posterior aos estágios "formativos", de forma a potenciar o primeiro emprego. Muitas empresas já deverão estar a dar posteriormente, de forma "não programatizada", emprego a estagiários seus, pelo que não faz sentido desarticular os processos.
E escrevo isto, considerando como objectivo o tal "primeiro emprego". Não sendo esse o objectivo, como lembram na Câmara de Comuns, já existe um programa que visa a mobilidade profissional dentro da comunidade.
Acontece no Minho | 30

© kirstiecat
Soltando os Cachorros (teatro)
[8 de Maio, 21h30m. Theatro Circo, Braga]
“Soltando os Cachorros” pretende, de maneira lírica e divertida, resgatar, sob formato de recital, a alma e a verve de três grandes escritoras do século XX. Mulheres que atravessaram os anos de chumbo e de flores psicadélicas ingerindo pedra e regurgitando poesia. Poemas, crónicas, aforismos e diálogos formam a lava deste espectáculo que contará em cena com duas actrizes e uma violoncelista.
Quarteto de Cordas de Matosinhos (música)
[8 de Maio, 22h. Centro Cultural Vila Flor, Guimarães]
O consagrado clarinetista António Saiote junta-se ao Quarteto de Cordas de Matosinhos para interpretar duas pérolas do repertório de música de câmara: o quinteto para clarinete e quarteto de cordas de Mozart e Brahms.
DeVotchKa (música)
[8 de Maio, 22h. Casa das Artes, Famalicão]
Fundem música Romena, Grega, Eslovena, Bolero e Mariachi com “ADN” das bandas emblemáticas do punk. Baseados em Denver, Colorado, o quarteto (na foto) é formado por Nick Urata, Tom Hagerman, Jeanie Schroder, que toca “sousaphone” (Instrumento inventado pelo Português emigrado nos EUA de seu nome Mr. Sousa) e baixo; E ainda por Shawn King.
Cinderela (musical)
[9 de Maio, 21h30m. Theatro Circo, Braga]
Bailado em 3 actos, 'Cinderela' é uma história intemporal que atravessa diversas gerações. Baseado no conto de fadas “A Gata borralheira” de Charles Perrault, 'Cinderela' conta a história de uma rapariga que encontra o amor e a felicidade através dos seus nobres actos de generosidade. Um espectáculo memorável, apresentado pela “Russian Classical Ballet”, uma das companhias mais cobiçadas da actualidade.
Azevedo Silva (música)
[9 de Maio, 22h30m. Velha-a-Branca, Braga]
Era uma vez — e é assim que começam todas as boas histórias. Autista, segundo disco de Azevedo Silva, é um exercício de tristeza, isolamento e quase solidão. É a ironia da percepção de quem vive num mundo próprio rodeado de gente, porque afinal somos todos um pouco assim: autistas. Neste universo – paralelo, pois claro! — a realidade é um acto demasiado consciente.
Aquaparque (música)
[9 de Maio, 23h59m. Convívio, Guimarães]
"Uma oferta musical curiosa: há quem lhe chame meta-prog. Teclados e mais teclados, percussão e vozes [numa] mistura algo surpreendente." Assim escreveu a prestigiada Blitz sobre um projecto que agora se apresenta no Convívio de Guimarães.
Angelite: O Mistério das Vozes Búlgaras (música coral)
[10 de Maio, 16h. Casa das Artes, Arcos de Valdevez]
Pela segunda vez, a Casa das Artes arcuense recebe aquele que é considerado o melhor projecto coral, de origem tradicional europeia, do mundo. A primeira reacção ao escutarmos um coro de vozes búlgaras é sem dúvida a estranheza. Não é normal, e poucas vezes parecerá humano, a alternância da “violência” vocal destas mulheres com a doçura das suas vozes.
Unidade dos Unidos?
Concordo inteiramente com o post directamente anterior, do João Marques. Existe um cinzentismo. Existe uma falta de pluralidade. Verdadeira pluralidade. Desde Abril que o Centrão tudo e todos agrega. A garantia de poder, ainda que alternado, é relativamente pacífica, para e entre eles.
Bem vistos, o PS/PSD congregam, de facto, posições políticas (ou facções) bastante díspares umas das outras. Aquilo que noutro país, noutro Estado Democrático, seriam pelo menos quatro ou cinco partidos, cá são apenas dois. A consequência, que fica evidente, por exemplo, com o dueto Ferreira Leite, Paulo Rangel e a incapacidade de fazer sequer emergir (nem que seja faseadamente) uma outra voz para a política interna, é a de que todos os outros putativos partidos dentro destes dois, ou se calam, à espera da alternância de poder dentro do próprio partido (que tantas vezes passa pelo "enterro", passivamente ou activamente provocado), ou são calados.
Talvez seja, em parte, uma consequência da fobia da direita, que força até o PP a ter, ultimamente, algumas posições mais centristas. Mas creio que faz falta uma maior pluralidade, uma fragmentação de partidos, de visões, de vozes activas e que se façam ouvir. Não é por acaso que os "movimentos de cidadãos" são, geralmente, uma lufada de ar fresco. Pode haver coligações, pode haver Unidade, pode até haver um Centrão assim. Pode, pois seria um Centrão bastante mais controlado, bastante mais plural.
Bem vistos, o PS/PSD congregam, de facto, posições políticas (ou facções) bastante díspares umas das outras. Aquilo que noutro país, noutro Estado Democrático, seriam pelo menos quatro ou cinco partidos, cá são apenas dois. A consequência, que fica evidente, por exemplo, com o dueto Ferreira Leite, Paulo Rangel e a incapacidade de fazer sequer emergir (nem que seja faseadamente) uma outra voz para a política interna, é a de que todos os outros putativos partidos dentro destes dois, ou se calam, à espera da alternância de poder dentro do próprio partido (que tantas vezes passa pelo "enterro", passivamente ou activamente provocado), ou são calados.
Talvez seja, em parte, uma consequência da fobia da direita, que força até o PP a ter, ultimamente, algumas posições mais centristas. Mas creio que faz falta uma maior pluralidade, uma fragmentação de partidos, de visões, de vozes activas e que se façam ouvir. Não é por acaso que os "movimentos de cidadãos" são, geralmente, uma lufada de ar fresco. Pode haver coligações, pode haver Unidade, pode até haver um Centrão assim. Pode, pois seria um Centrão bastante mais controlado, bastante mais plural.
Preto, Branco e Talvez Cinzento

© BasLeiden
O diálogo político substantivo na sociedade portuguesa tem caído a olhos vistos. Ano sim, ano não, vemos os principais protagonistas a envolverem-se em tricas que nada têm que ver com a nobreza de uma actividade que confronta pontos de vista distintos, por vezes mesmo paradoxais.
Desde o 25 de Abril que Portugal, ao invés de gozar de um debate ideologicamente vivo e descomprometido, tem vindo progressivamente a perder essa aura inicial. É normal que o radicalismo tenha esmorecido, é normal que as convergências de blocos centrais e de lutas contra totalitarismos de esquerda tenham aproximado os principais partidos de governo. Tudo isso, a bem dizer, é aceitável numa sociedade democrática.
O que me parece menos normal é que esse empalidecimento ideológico tenha dado lugar a autênticos hermafroditas políticos que não são nem carne nem peixe. Já não digo que se posicionem à direita ou à esquerda, mas ao menos que se identifiquem com a matriz de pensamento do partido que representam e sejam consequentes.
Hoje temos autarcas e políticos da mais variada estirpe que são PS/PSD porque o são desde o 25 de Abril, porque era o partido que estava mais à mão, ou o contrário, porque era o candidato que estava mais à mão para o partido. As feridas mal saradas de um período revolucionário deixaram muita gente confusa, com medo da direita porque significava o fascismo e da esquerda (ainda que menos) porque havia uns seres que comiam criancinhas ao pequeno-almoço, numa visão ascética e iconoclasta da vida pública.
Para mim, como está bom de ver, este cinzentismo dos brandos costumes aplicado à política, que obriga a que, ainda hoje, seja preciso pensar duas vezes sempre que se expressam as convicções de cada um, condena o debate político à nulidade. De um lado somos a favor do mercado, mas atenção que gostamos dos subsídios do Estado e do outro adoramos o Estado social(ista), mas as empresas são um bom retiro para a reforma.
Espantam-se depois que haja um afastamento dos eleitores. Se querem cativar as pessoas, se as querem trazer para a política e para a participação cívica é forçoso que estejam bem claras as diferenças entre os planos. Não podemos esperar que uma escolha entre o lilás e o roxo cative paixões. Não advogo realidades de preto e branco, mas até a realidade é mais clara do que essa mistela de interesses politicamente esterilizada.
Pormenores de Cidade

A remodelação de vários espaços da cidade trouxe inevitavelmente muitas vantagens mas fez desaparecer uma série de pormenores históricos. Desde anúncios comerciais e montras de lojas a sistemas de iluminação de várias épocas e diversos tipos de calçada e passeios todos estes elementos fazem a alma de Braga. Nos últimos 15 anos muitos destes elementos têm vindo a ser substituídos por sucedâneos modernos, principalmente no centro histórico. Embora esta apreciação tenha sempre uma boa dose de subjectividade, parece-me que em determinados casos valeu a pena a mudança mesmo quando se substituiu o antigo por um standard actual de catálogo.
Porém, não estou a ver o que ganha o Campo Novo (Praça Mouzinho de Albuquerque) ao serem desmantelados os seus antigos lampiões em ferro fundido. Aliás, a arquitectura em ferro da cidade tem sido a grande vítima dos “restauros” ao ponto de ser hoje muito difícil descobri-la. É certo que os candeeiros do Campo Novo, por estarem velhos, precisam de ser restaurados. Mas o que é que não é possível fazer hoje em dia?
Talões de Agradecimento
Ainda que a Vieira da Silva se lhe possam apontar virtudes como Ministro do Trabalho e da Soliedariedade Social, não vejo o que, para lá das suas obrigações como funcionário do Estado, justifique o título de Cidadão Honorário de Cabeceiras de Basto. Sinceramente, não fazendo vista grossa, só se for na abordagem de "filhos e enteados" em questões da distribuição de investimentos do Ministério que tutela. Assim sendo: devia ter agradecido mas recusando humildemente o título, pela lata.
De resto, se só considerarmos a componente académica/humana e etecétera e tal, não faltarão cabeceirenses honorários em potencial por aí, alguns dos quais não me importava de ter a morar na mesma rua - olhem, o Dalai Lama, por exemplo...
De resto, se só considerarmos a componente académica/humana e etecétera e tal, não faltarão cabeceirenses honorários em potencial por aí, alguns dos quais não me importava de ter a morar na mesma rua - olhem, o Dalai Lama, por exemplo...
Instalação Tipográfica Gigante em Barcelos

© Outype
Seiscentos e quarenta CDs, o mesmo número de palitos, cento e vinte metros de cordas, duzentas e cinquenta braçadeiras, seis redes de 2x3,5m e um escadote de 8m foi o equipamento necessário para a execução da Instalação Tipográfica que a imagem documenta.
Quem por estes dias entrou em Barcelos pela Estrada Nacional 204 deparou-se com uma gigante instalação tipográfica idealizada e concretizada por um grupo de cinco estudantes do segundo ano do curso de Design Gráfico do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA). Catarina Pinto, Cláudia Gonçalves, Cláudio Rodrigues, Graciela Coelho e Rui Torres desenvolveram um projecto profissional embora ficcional que é uma excelente montra das potencialidades do ensino superior da região.
Recursos Multimédia: Galeria de Fotografias; Vídeo do Projecto.
Prós & Contras: A Saúde em Debate
Confesso que não pude assistir a todo o debate, mas do que vi ressaltam alguns aspectos que considero essenciais:
1. O Secretário de Estado, Manuel Pizarro, estava melhor preparado que todos os outros intervenientes; Foi muito claro na justificação do avanço da integração do Hospital Pediátrico D. Estefânia no Hospital de Todos-os-Santos, do adiamento da introdução da prescrição unidose, na recusa do discurso irrealista das farmácias quanto aos medicamentos genéricos e na defesa das Unidades de Saúde Familiar.
2. A Deputada do CDS-PP Teresa Caeiro esteve mais preocupada em discutir política de café do que em preparar os dossiers. Falou da diferença de preços entre o medicamento "Sinvastatina" genérico e de marca quando tinham acabado de lhe explicar que 95% do mercado desse princípio activo corresponde precisamente a medicamentos genéricos; criticou o PS por não implementar uma medida que o Governo PSD/PP tinha retirado da legislação (precrição unidose); estava verdadeiramente empenhada em pôr os portugueses a pagar pelos impostos os hospitais privados.
3. O Deputado do PCP Bernardino Soares esteve melhor preparado que a deputada de direita mas não se percebeu qual é a estratégia do PCP para minimizar as onerações pagas directamente pelos portugueses em matéria de saúde e, simultaneamente, diminuir os custos da saúde para os contribuintes.
4. O Bastonário da Ordem dos Médicos foi claro e incisivo nas críticas aos partidos políticos, mas também na denúncia da cartelização do sector das farmácias.
5. Apesar das vendas de genéricos terem aumentado de 10 milhões de unidades em 2004 para 35 milhões de unidades em 2008, a Associação Nacional de Farmácias (ANF) continua a afirmar, de forma autista, que o mercado está estagnado. Além disso, a ANF preferiu passar ao lado do tema da liberalização das farmácias, das margens de 40% de lucros e também do facto de deter interesses meramente económicos na indústria de genéricos.
Uma nota final para o argumento usado por uns e outros para justificar algumas medidas com um «acontece em países mais evoluídos...» A verdade é que esta afirmação não pode ser tida como argumento válido já que, como bem se percebe, há imensas práticas erradas em todos os países. Ou será que quando citou o exemplo do Canadá, a deputada Teresa Caeiro também se estava a referir à evolução das leis canadianas em termos de respeito pela família e pelo casamento civil?
1. O Secretário de Estado, Manuel Pizarro, estava melhor preparado que todos os outros intervenientes; Foi muito claro na justificação do avanço da integração do Hospital Pediátrico D. Estefânia no Hospital de Todos-os-Santos, do adiamento da introdução da prescrição unidose, na recusa do discurso irrealista das farmácias quanto aos medicamentos genéricos e na defesa das Unidades de Saúde Familiar.
2. A Deputada do CDS-PP Teresa Caeiro esteve mais preocupada em discutir política de café do que em preparar os dossiers. Falou da diferença de preços entre o medicamento "Sinvastatina" genérico e de marca quando tinham acabado de lhe explicar que 95% do mercado desse princípio activo corresponde precisamente a medicamentos genéricos; criticou o PS por não implementar uma medida que o Governo PSD/PP tinha retirado da legislação (precrição unidose); estava verdadeiramente empenhada em pôr os portugueses a pagar pelos impostos os hospitais privados.
3. O Deputado do PCP Bernardino Soares esteve melhor preparado que a deputada de direita mas não se percebeu qual é a estratégia do PCP para minimizar as onerações pagas directamente pelos portugueses em matéria de saúde e, simultaneamente, diminuir os custos da saúde para os contribuintes.
4. O Bastonário da Ordem dos Médicos foi claro e incisivo nas críticas aos partidos políticos, mas também na denúncia da cartelização do sector das farmácias.
5. Apesar das vendas de genéricos terem aumentado de 10 milhões de unidades em 2004 para 35 milhões de unidades em 2008, a Associação Nacional de Farmácias (ANF) continua a afirmar, de forma autista, que o mercado está estagnado. Além disso, a ANF preferiu passar ao lado do tema da liberalização das farmácias, das margens de 40% de lucros e também do facto de deter interesses meramente económicos na indústria de genéricos.
Uma nota final para o argumento usado por uns e outros para justificar algumas medidas com um «acontece em países mais evoluídos...» A verdade é que esta afirmação não pode ser tida como argumento válido já que, como bem se percebe, há imensas práticas erradas em todos os países. Ou será que quando citou o exemplo do Canadá, a deputada Teresa Caeiro também se estava a referir à evolução das leis canadianas em termos de respeito pela família e pelo casamento civil?
A Enorme Crise

© sinistro_portugal
É uma estranha crise, esta que nos assola. A mais severa desde a Grande Depressão, dizem. Portugal e o Minho não fogem à regra [1, 2, 3, 4]. Inúmeras notícias sobre a crise económica e social, com maior ou menor fulgor, entram pelas nossas casas adentro.
É por isso com alguma perplexidade que noto semelhante fé investidora em Braga. Uma fé que não é inabalável, mas que confia, imagino que em excesso, numa retoma económica a curto prazo. É certo que as obras já estão no terreno há algum tempo, mas à medida que ganham forma e que a perspectiva do fim da crise ainda não é líquida, torna-se ainda mais questionáveis do que eram dantes.
Uma coisa é certa, quem visitar Braga, não vê crise alguma. Entre hotéis, centros (e superfícies afins) comerciais, dois hospitais, um centro de investigação ultra-moderno, as demais obras municipais e a Universidade que parece estar imbuída do mesmo espírito do Betão, Braga não viveu nada assim nos tempos recentes. Daqui a uns anos vamos ver o que sobrevive.
Para Bom Entendedor...

«Tudo quanto procede do homem, criações da sua mão, criações da sua mente, exprime-se por um sistema de formas que é o decalque do espírito que lhe ditou a construção. Assim se classificam pelas formas os estados de civilização: a linha recta e o ângulo recto traçados através do labirinto das dificuldades e da ignorância são a manifestação clara da força e do querer. Quando reina o ortogonal, lêem-se as épocas de apogeu. E vemos as cidades se desembaraçarem da confusão desordenada de suas ruas, tenderem para a linha recta, estendê-la cada vez mais longe. Traçando rectas o homem demosntra que se dominou, que entra na ordem. A cultura é um estado de espírito ortogonal. Não se criam linhas rectas deliberadamente. Chega-se à recta quando se está bastante forte, bastante firme, bastante armado e bastante lúcido para querer e poder traçar linahs rectas.» (pág. 35) Le Corbusier, Urbanismo, Martins Fontes, São Paulo 2000
Do Atrevimento Voyeurista
Estou preso na Linha do Norte. O comboio em que seguia colheu uma infeliz vida. Assisto incrédulo ao inusitado desfile de mórbidos curiosos que se alinham para ver e fotografar o cadáver. É um voyeurismo verdadeiramente confrangedor.
Momento Vitalis
O candidato do PS às Europeias levou com insultos e água, quando se aproximava da comitiva da CGTP, braço sindical do PCP, como que a meter-se conscientemente na boca do lobo, durante as exclusivas paradas do 1 de Maio. Depois das lambadas com os outdoors e as sondagens que o colocam praticamente colado a Rangel - outro ilustre desconhecido do povo fiel ao Bloco Central -, a receita da "Marinha Grande" talvez reverta a favor do Professor Doutor de Coimbra. Ou talvez nem por isso.
O Triunfo dos Porcos
Parece tão irónico como conveniente que, numa altura em que urge à sociedade que se mova para a ruas, apontando as falhas da governação e os abusos da alta oligarquia financeira, surja um vírus de gripe que recomende o recolher obrigatório e contra-indique as massas.
Capítulo 33: nos olhos dos outros
Recebi em minha casa, há duas semanas, um amigo belga que conheci no ano de estudos em Valência. Ficou cá pouco menos que semana e meia e os preparativos para o receber esbarravam no nervoso de não me lembrar de grande coisa para ver em Braga. Prometi-lhe uma visita ao Porto e, quase no fim das férias dele, acabámos por passar também uma tarde em Guimarães.
Não fosse o facto de se ter lesionado no sobe-e-desce das ruas portuenses, provavelmente chegaríamos a meio da semana sem mais coisas para ver; assim, vimos muito pouco, mas ele lá foi embora com uma ideia bastante positiva de Portugal, em especial da cidade de Braga.
É comum ouvir-se "um dia gostava de ser turista na minha própria cidade" e esta, parecia-me, era uma boa oportunidade de o fazer, ainda por cima com os óculos de um europeu da Europa civilizada, limpa, airosa, incorruptível; enfim, um europeu da Europa que tantas vezes invejamos.
Especulava cá para mim sobre o que é que devia mostrar-lhe primeiro, porque já se sabe que a primeira impressão é a que conta mais. E, admita-se ou não, apesar de todos os defeitos que reconhecemos na nossa casa, conduzimos as visitas apenas pelas divisões de que nos orgulhamos mais.
Entre a Sé e o Bom Jesus, o jardim de Santa Bárbara e a mata das Santas Martas, ou o Estádio 1º de Maio e o novo Municipal, algo haveria que o deixasse impressionado e lhe ocupasse o discurso no regresso à Bélgica.
Curiosamente, e apesar de ter gostado de tudo isso, o que o mais impressionou foram duas características que poucos bracarenses reconhecem na sua cidade: a limpeza e a qualidade dos espaços verdes, especialmente pela abundância de árvores.
Indignado, e como bom bracarense que sou, apontei-lhe então os defeitos que, em português, toda a gente grita à cidade: "mas olha, olha para o sítio onde as pessoas deixam o lixo no chão, repara como está sujo. E que dizes tu das árvores plantadas em canteiros de alcatrão? Que espaços verdes são estes que mais que verdes são cinzentos?".
Veio o turista educar-me em amor à cidade-mãe e foi então que percebi o sentido daquele "um dia gostava de ser turista na minha própria cidade": a esperança de que o que se diz da galinha do vizinho ser sempre melhor que a nossa, nos permita olhar, ainda que apenas por um dia, mais ao que há a invejar da nossa cidade do que ao que há nela a desdenhar.
Não fosse o facto de se ter lesionado no sobe-e-desce das ruas portuenses, provavelmente chegaríamos a meio da semana sem mais coisas para ver; assim, vimos muito pouco, mas ele lá foi embora com uma ideia bastante positiva de Portugal, em especial da cidade de Braga.
É comum ouvir-se "um dia gostava de ser turista na minha própria cidade" e esta, parecia-me, era uma boa oportunidade de o fazer, ainda por cima com os óculos de um europeu da Europa civilizada, limpa, airosa, incorruptível; enfim, um europeu da Europa que tantas vezes invejamos.
Especulava cá para mim sobre o que é que devia mostrar-lhe primeiro, porque já se sabe que a primeira impressão é a que conta mais. E, admita-se ou não, apesar de todos os defeitos que reconhecemos na nossa casa, conduzimos as visitas apenas pelas divisões de que nos orgulhamos mais.
Entre a Sé e o Bom Jesus, o jardim de Santa Bárbara e a mata das Santas Martas, ou o Estádio 1º de Maio e o novo Municipal, algo haveria que o deixasse impressionado e lhe ocupasse o discurso no regresso à Bélgica.
Curiosamente, e apesar de ter gostado de tudo isso, o que o mais impressionou foram duas características que poucos bracarenses reconhecem na sua cidade: a limpeza e a qualidade dos espaços verdes, especialmente pela abundância de árvores.
Indignado, e como bom bracarense que sou, apontei-lhe então os defeitos que, em português, toda a gente grita à cidade: "mas olha, olha para o sítio onde as pessoas deixam o lixo no chão, repara como está sujo. E que dizes tu das árvores plantadas em canteiros de alcatrão? Que espaços verdes são estes que mais que verdes são cinzentos?".
Veio o turista educar-me em amor à cidade-mãe e foi então que percebi o sentido daquele "um dia gostava de ser turista na minha própria cidade": a esperança de que o que se diz da galinha do vizinho ser sempre melhor que a nossa, nos permita olhar, ainda que apenas por um dia, mais ao que há a invejar da nossa cidade do que ao que há nela a desdenhar.
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