Desde já agradeço o comentário e a visão alternativa de Miguel Corais, delegado in loco, ao meu último post aparentemente desvariado e azedo sobre o Congresso do PS de Espinho. No entanto não deixo de ficar surpreendido quando revela que "2 Moções Globais Estratégicas foram apresentadas e discutidas".
Não nego tal afirmação, porque confesso ter lido em surdina algures. Mas não posso é deixar passar ao lado o facto de a Moção Global de José Sócrates ao XVI Congresso Nacional ter sido a única a utilizar o Serviço de SMS oficial do Partido Socialista na sua promoção. Isto se não contar a forma como o mesmo serviço foi utilizado, semanas antes, para convencer todos "camaradas" na subscrição da (única) propositura da (re)candidatura do actual Secretário-Geral. Ou isto é muito sintomático do actual estado de fileira cerrada, ou então há uma outra visão interna do partido um pouco arredada das novas tecnologias...
A Europa Aqui Tão Longe

© Berni Beudel
Do ponto de vista geográfico e social, Portugal é um país ultra-periférico em que os princípios basilares da Europa unida, agora à breve distância do low-cost, continuam por assimilar por um número muito significativo de portugueses. É impressionante notar que no cérebro de demasiados compatriotas, a Europa ainda se reduz a um atacado de subsídios e comparticipações financeiras.
Neste contexto social, ainda que nos repitam o contrário umas dez mil vezes seguidas, poucos duvidam de que as Europeias serão o parente pobre deste eleitoralmente farto ano de 2009. Recordo que há cinco anos, o PS converteu as Eleições Europeias num plebiscito ao Governo de direita, apelando a um «cartão amarelo» que acumulava para o vermelho presidencial que havia de chegar uns meses depois. Desta vez, o Partido Socialista apresenta um candidato cuja valia intelectual e europeísmo militante, para além de indiscutíveis e insuspeitos, se constituem como uma impressionante mais valia para (re)centrar o debate nos temas europeus.
Para além das qualidades académicas, Vital Moreira é uma personalidade cujo percurso político mais recente está à margem das lógicas de funcionamento dos aparelhos partidários, sendo mesmo um elemento que contraria essas lógicas e que, como tal, se apresenta como uma expressão genuína da intervenção desinteressada da sociedade civil na política activa. Os partidos são tradicionalmente alérgicos a estes políticos freelancer pelo que esta candidatura não pode deixar de ser saudada muito positivamente.
Também o Bloco de Esquerda, partido mais habituado a recrutar quadros independentes, anunciou as suas apostas europeias. Para além do expectável Miguel Portas, surge Marisa Matos na segunda posição e, mais surpreendentemente, Rui Tavares em terceiro lugar. Pelas suas qualidades intelectuais e de comunicação, o historiador Rui Tavares muito contribuirá para elevar a qualidade do debate político.
Perante este cenário, a tarefa dos partidos de direita não se afigura nada fácil. Nos últimos dias, alguns social democratas sugeriram a escolha de Marcelo Rebelo de Sousa para encabeçar a lista do PSD. A confirmar-se esta escolha altamente improvável, Manuela Ferreira Leite ficaria mais perto de alcançar um bom resultado na sondagem de Junho já que o Professor seria, inegavelmente, a melhor das escolhas possíveis à direita. Seja qual for a escolha, só esperemos que a Presidente do PSD não se aconselhe com Pacheco Pereira, tamanho o volume de europeus dislates dos últimos dias.
[editado em 6 de Março de 2009]
Privacidade
A questão da privacidade, quer na internet (ex: Google) quer noutras tecnologias (ex: Telemóveis no RU), quer na forma de mercado de dados, quer na de Big Brother, começa a merecer entrar na agenda política. Sobretudo se considerarmos que até a DECO abusa destes mercados de dados - e reincide -, para, através de intermediários, nos invadir com spam, como documenta o Paulo Querido.
Estão também com isto relacionados os recentes episódios em torno do Terms of Service do Facebook. O título deste post - "We Can Do Anything We Want With Your Content. Forever." - resume a ideia (via @PauloQuerido - Twitter (o que é?)).
Gerou-se um enorme buzz e uma onda de contestação que se espalhou pelas várias redes sociais. A verdade é que o Facebook não deseja a má publicidade e quer evitar uma fractura com o seu público-clientes, pois uma empresa e muito menos uma empresa deste género, não suporta o sacríficio (ou a fuga, se preferirem) que um confronto pode implicar. Por isso, passado poucos dias, o Facebook voltou atrás.
Este é um testemunho do poder da rede e da web social, contra uma empresa 2.0, que compreende o 2.0 como poucos; da mesma forma que os outros casos são exemplos da insuficiência lobista da rede contra ataques semelhantes fora da rede; mas, sobretudo, são um testemunho da inoperância e passividade que nós, como colectividade, aceitamos estes abusos e ataques à privacidade e propriedade intelectual de cada um.
Se o João Martinho questionava aqui na sua Avenida Ideal sobre o que seria a democracia: «a democracia é, ou não, verificável pelo facto de existir voto»?
A minha opinião é, claramente, a de que esta não se pode bastar pelo voto. Existem mecanismos quer de pressão social quer até legais (como a acção popular, a propósito das touradas em Braga, por exemplo) através dos quais se prossegue e exerce uma democracia. Chame-se cidadania ou acção cívica, se se quiser. Mas considero-o democracia e uma parte complementar mas fundamental desta, sobretudo em democracias de deficiente representatividade, como (considero) a nossa.
Estão também com isto relacionados os recentes episódios em torno do Terms of Service do Facebook. O título deste post - "We Can Do Anything We Want With Your Content. Forever." - resume a ideia (via @PauloQuerido - Twitter (o que é?)).
Gerou-se um enorme buzz e uma onda de contestação que se espalhou pelas várias redes sociais. A verdade é que o Facebook não deseja a má publicidade e quer evitar uma fractura com o seu público-clientes, pois uma empresa e muito menos uma empresa deste género, não suporta o sacríficio (ou a fuga, se preferirem) que um confronto pode implicar. Por isso, passado poucos dias, o Facebook voltou atrás.
Este é um testemunho do poder da rede e da web social, contra uma empresa 2.0, que compreende o 2.0 como poucos; da mesma forma que os outros casos são exemplos da insuficiência lobista da rede contra ataques semelhantes fora da rede; mas, sobretudo, são um testemunho da inoperância e passividade que nós, como colectividade, aceitamos estes abusos e ataques à privacidade e propriedade intelectual de cada um.
Se o João Martinho questionava aqui na sua Avenida Ideal sobre o que seria a democracia: «a democracia é, ou não, verificável pelo facto de existir voto»?
A minha opinião é, claramente, a de que esta não se pode bastar pelo voto. Existem mecanismos quer de pressão social quer até legais (como a acção popular, a propósito das touradas em Braga, por exemplo) através dos quais se prossegue e exerce uma democracia. Chame-se cidadania ou acção cívica, se se quiser. Mas considero-o democracia e uma parte complementar mas fundamental desta, sobretudo em democracias de deficiente representatividade, como (considero) a nossa.
Um Partido, Dois Sistemas

© Tavis Coborn
O meu comentário vai agora bem para lá da ressaca do Congresso de Espinho, tão inebriante de superficialismos barbie girl e ken, que tão pouco me dei ao trabalho de assistir com vontade. E na realidade, além do socialista freelancer Vital Moreira, uma espécie de Pequeno Prazer do McSócrates para a esquerda-qualquer-coisa do partido que lhe resta, pouco anima na fila para a comunhão aos agora socialistas não-praticantes (no que a esta doutrina de aparelho diz respeito). Como eu, que me falta também pagar a cota do último semestre, para ajudar nas despesas do bureau com a água e luz na sede do Rato, ou na factura das empresas de logística que montam o palanque ao Líder.
Mas apesar do cathering externo e do moderno teleponto transparente posto sobre um palco futurista, a única e trágica ironia retirada dali é que, quer no unanimismo difuso, quer na forma como o partido atiçou António Costa aos trotskistas (do Bloco), nunca como agora o PS esteve mais parecido com um tradicional Partido Comunista - de inspiração estalinista, pesado, neurótico e quase a roubar o espaço político do PCP. Arriscaria que a semelhança tende até para uma deriva de mercado deng xiaopinguiana do PC Chinês pós-Mao, tardia e a más horas. Isto, se lhe juntarmos o Magalhães: um misto de Livro Vermelho com o Trabant, produzido em massa e para todos, cá dentro e lá fora, para glória do Povo.
Salvar as Sete Fontes

© jovemcoop
Apesar dos múltiplos apelos da comunidade científica e das repetidas chamadas de atenção por parte da sociedade civil, a autarquia de Braga continua a negligenciar o Complexo Monumental das Sete Fontes. O desprezo por esta estrutura de inegável valor histórico e arquitectónico levou os responsáveis autárquicos a projectar uma variante «que irá esventrar o Complexo» e, pior de tudo, a autorizarem «construção de máxima densidade construtiva» naquela zona.
Para dar visibilidade à urgência de uma intervenção de salvaguarda do património colectivo das Sete Fontes, a Jovemcoop, a ASPA e a Junta de Freguesia de São Vítor promovem uma Marcha no próximo dia 8 de Março, Domingo, com partida agendada para as 9h30m do Largo Senhora-a-Branca.
A garantia de que este património histórico vai chegar intacto às gerações vindouras é uma missão de que nenhum bracarense se pode demitir e, mais do que isso, uma obrigação de consciência a que estão vinculados todos quantos amam a cidade de Braga. Apelamos à participação da sociedade civil nesta iniciativa para que Braga possa afirmar com mais convicção o estatuto de cidade com futuro.
UEFA Confirma Vitória na Intertoto
A UEFA acaba de anunciar, no seu site oficial, a vitória do Sporting de Braga na edição 2008 da Taça Intertoto. O clube minhoto junta-se assim a Benfica, Porto e Sporting no grupo restrito dos clubes nacionais que já conquistaram provas internacionais oficiais. Tal como o blogue Avenida Central avançou anteontem em exclusivo, o troféu será entregue no jogo da segunda mão dos oitavos de final da Taça UEFA, diante do PSG.
A ler: Braga vence derradeira edição da Intertoto, UEFA.
A ler: Braga vence derradeira edição da Intertoto, UEFA.
Fazer da Política um Espectáculo
Nunca os políticos e os partidos estiveram tão dependentes dos órgãos de comunicação social, em particular das televisões, para fazer chegar as suas mensagens ao eleitorado. A alergia quase generalizada à participação cívica e a nacional aversão à leitura, dos livros infantis aos jornais diários, são alguns dos principais justificativos para essa dependência.
A política passou a fazer-se no palco televisivo e, como numa verdadeira peça de teatro, tudo é encenado até ao pormenor aparentemente mais insignificante. Os actores políticos não escolhem apenas os fatos e as gravatas, mas também o tom de voz, a pose corporal e a expressão facial. A palavra, sempre tão decisiva, perdeu a sua genuinidade autêntica para ser cozinhada até à sílaba mais irrelevante em verdadeiros laboratórios de marketing.
É inegável que, mesmo sem ser pioneiro, José Sócrates tem sido o protagonista mais irrepreensível de uma política-espectáculo em que a discussão das ideias tem sido secundarizada pela exposição das fraquezas dos adversários.
Não escondo a náusea que me causam certas poses de Estado, sabendo-se que não passam de charme meticulosamente treinado para o palco em que tornaram o circo político português. E depois, quando cai a cortina do show, borra-se a pintura com uma naturalidade que assusta e, invariavelmente, o desenlace faz-se também no palco mediático com público e comiserado acto de contrição.
O episódio mais recente sucedeu neste fim de semana. Em pleno congresso socialista, José Sócrates anunciou que vai levar o caso Freeport a votos. O anúncio era desnecessário quando se sabe que o Primeiro Ministro não é arguido nem suspeito, mas questões de estratégia eleitoral parecem justificar que o caso seja convertido em arma de arremesso político. É o último capítulo da história de um sistema judicial que caiu nas ruas (da amargura). A fórmula, que já fora testada por Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro ou Isaltino Morais, favorece invariavelmente as supostas vítimas. Manda o politicamente correcto que os adversários políticos sejam comedidos na sua utilização mediática e mostra a experiência do passado recente que estes casos não têm grande influência nas escolhas dos portugueses.
A teatralização da política e a eleitoralização da justiça aliadas à higienização do debate público e à falta de «cultura de liberdade individual» são condimentos altamente tóxicos para a democracia, criando um clima de suspeição muito favorável ao crescimento de movimentos radicais e marginais que se poderão revelar perigosos para a estabilidade governativa. São também os principais sintomas de uma letargia cujos efeitos poderão ser muito nefastos para o futuro do país. Que, ao menos, a indignação [exemplarmente cantada por Miguel Torga] lhe resista.
E o que não presta é isto,
esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.
A política passou a fazer-se no palco televisivo e, como numa verdadeira peça de teatro, tudo é encenado até ao pormenor aparentemente mais insignificante. Os actores políticos não escolhem apenas os fatos e as gravatas, mas também o tom de voz, a pose corporal e a expressão facial. A palavra, sempre tão decisiva, perdeu a sua genuinidade autêntica para ser cozinhada até à sílaba mais irrelevante em verdadeiros laboratórios de marketing.
É inegável que, mesmo sem ser pioneiro, José Sócrates tem sido o protagonista mais irrepreensível de uma política-espectáculo em que a discussão das ideias tem sido secundarizada pela exposição das fraquezas dos adversários.
Não escondo a náusea que me causam certas poses de Estado, sabendo-se que não passam de charme meticulosamente treinado para o palco em que tornaram o circo político português. E depois, quando cai a cortina do show, borra-se a pintura com uma naturalidade que assusta e, invariavelmente, o desenlace faz-se também no palco mediático com público e comiserado acto de contrição.
O episódio mais recente sucedeu neste fim de semana. Em pleno congresso socialista, José Sócrates anunciou que vai levar o caso Freeport a votos. O anúncio era desnecessário quando se sabe que o Primeiro Ministro não é arguido nem suspeito, mas questões de estratégia eleitoral parecem justificar que o caso seja convertido em arma de arremesso político. É o último capítulo da história de um sistema judicial que caiu nas ruas (da amargura). A fórmula, que já fora testada por Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro ou Isaltino Morais, favorece invariavelmente as supostas vítimas. Manda o politicamente correcto que os adversários políticos sejam comedidos na sua utilização mediática e mostra a experiência do passado recente que estes casos não têm grande influência nas escolhas dos portugueses.
A teatralização da política e a eleitoralização da justiça aliadas à higienização do debate público e à falta de «cultura de liberdade individual» são condimentos altamente tóxicos para a democracia, criando um clima de suspeição muito favorável ao crescimento de movimentos radicais e marginais que se poderão revelar perigosos para a estabilidade governativa. São também os principais sintomas de uma letargia cujos efeitos poderão ser muito nefastos para o futuro do país. Que, ao menos, a indignação [exemplarmente cantada por Miguel Torga] lhe resista.
E o que não presta é isto,
esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.
Dos Projectos Prioritários
A questão da prioridade de determinados projectos é sempre discutível, em função da existência de necessidades reais (de todos, ou pelo menos de alguns), ou em função do âmbito profissional de quem transmite uma opinião ou de quem decide sobre os projectos. Mas mais importante que a questão do ser ou não prioritário, é o que essa prioridade implica.
Assistimos, nos meses de verão, em Braga, à manifestação pública de uma consciência patrimonial que muito me impressionou. Impressionou-me a quantidade de gente que veiculou opiniões (as mais variadas) sobre o túnel da Avenida da Liberdade e sobre o quarteirão dos CTT, bem como a mobilização que estas duas intervenções arqueológicas parecem ter motivado na sociedade civil bracarense. Também me impressionaram posturas e opiniões erradas ou pouco informadas. Colocou-se em causa a competência de profissionais qualificados, colocou-se em causa a legalidade das intervenções e confundiu-se claramente o que são tomadas de decisão políticas (o projecto em si) com responsabilidades científicas (os trabalhos necessários para a salvaguarda dos vestígios arqueológicos).
Porém, quando do túnel (discutível) passamos para o hospital (prioritário), dir-se-ia que a consciência civil desaparece... Apenas algumas conhecidas associações bracarenses e os jornais de âmbito nacional se manifestam de forma mais contundente acerca da defesa do património arqueológico da zona do novo hospital.
Não tenho dúvida nenhuma de que a construção do novo hospital de Braga seja prioritária, e que a obra da Avenida da Liberdade não tenha sido propriamente uma necessidade. Mas se há vestígios arqueológicos que devem ser salvaguardados, e eventualmente preservados, não obstando à prossecução dos projectos, a postura cívica em relação ao Património deve ser a mesma. Ainda que a defesa dos vestígios não pareça ser, neste caso, politicamente capitalizável...
É portanto louvável a atitude da Junta de Freguesia de S. Vítor, JovemCoop e ASPA e a concentração que agendaram para o próximo dia 8 de Março. Encontra-se disponível aqui o comunicado emitido pela ASPA a este respeito.
A ler: Achados arqueológicos na obra do novo hospital, JN
Assistimos, nos meses de verão, em Braga, à manifestação pública de uma consciência patrimonial que muito me impressionou. Impressionou-me a quantidade de gente que veiculou opiniões (as mais variadas) sobre o túnel da Avenida da Liberdade e sobre o quarteirão dos CTT, bem como a mobilização que estas duas intervenções arqueológicas parecem ter motivado na sociedade civil bracarense. Também me impressionaram posturas e opiniões erradas ou pouco informadas. Colocou-se em causa a competência de profissionais qualificados, colocou-se em causa a legalidade das intervenções e confundiu-se claramente o que são tomadas de decisão políticas (o projecto em si) com responsabilidades científicas (os trabalhos necessários para a salvaguarda dos vestígios arqueológicos).
Porém, quando do túnel (discutível) passamos para o hospital (prioritário), dir-se-ia que a consciência civil desaparece... Apenas algumas conhecidas associações bracarenses e os jornais de âmbito nacional se manifestam de forma mais contundente acerca da defesa do património arqueológico da zona do novo hospital.
Não tenho dúvida nenhuma de que a construção do novo hospital de Braga seja prioritária, e que a obra da Avenida da Liberdade não tenha sido propriamente uma necessidade. Mas se há vestígios arqueológicos que devem ser salvaguardados, e eventualmente preservados, não obstando à prossecução dos projectos, a postura cívica em relação ao Património deve ser a mesma. Ainda que a defesa dos vestígios não pareça ser, neste caso, politicamente capitalizável...
É portanto louvável a atitude da Junta de Freguesia de S. Vítor, JovemCoop e ASPA e a concentração que agendaram para o próximo dia 8 de Março. Encontra-se disponível aqui o comunicado emitido pela ASPA a este respeito.
A ler: Achados arqueológicos na obra do novo hospital, JN
A Favela de Braga

© Carlos António Rodrigues
Conhecida como «favela dos ricos», a encosta do Bom Jesus vai sendo devastada ao ritmo das desordenadas construções de luxo que ali nascem como uma praga que arrasa o património natural, cultural e visual da cidade de Braga. Miguel Bandeira, geógrafo urbano, Carlos Veiga, sociólogo, e Patrícia Veiga, arquitecta, apresentaram recentemente um estudo sobre a qualidade de vida nas áreas de construção na encosta do Bom Jesus de Braga. Destacam-se as seguintes conclusões:
1. Com o «enfavelamento» progressivo começam a surgir litígios entre vizinhos, seja pelas vistas tapadas seja pelas invasões de territórios alheios. A mais valia que levou à escolha daquela área desqualifica as expectativas. Dizem os autores do estudo que «onde cabe, constrói-se; tudo isto vai gerar níveis de conflitualidade, tornando-se até repulsivo para os que lá moram».
2. A falta de planeamento viário condiciona problemas na gestão do tráfego e do estacionamento, cujos efeitos são já sentidos pelos moradores e pelos cidadãos que se deslocam àquelas zonas.
3. A construção sobre linhas de água é um erro cujas consequências poderão ser trágicas. «Se a construção indiscriminada de casas continuar na Encosta do Bom Jesus, particularmente sobre as linhas de água, esta pode, a médio prazo, tornar-se uma área de risco de consolidação das próprias habitações».
4. Outro problema resulta do facto das casas estarem construídas à medida de interesses particulares sem qualquer sensibilidade ambiental. «Por exemplo, os jardins de tipo canteiro não compensam a perda da vegetação exuberante da Serra de Espinho».
5. O modelo de construção na encosta do Bom Jesus favorece uma cultura de isolamento. «Não há relações de vizinhança, nem sentido de comunidade. Devido ao capital escolar dos moradores, 80% dos quais são licenciados, podia haver um certo rendimento para a freguesia, mas não se verifica».
Constatando que o problema poderia ter sido evitado se a construção desordenada tivesse sido travado, os autores do estudo propõem uma solução: «impedir novos licenciamentos em sede de revisão do Plano Director Municipal». A medida, certamente impopular entre os proprietários, afigura-se-nos como indispensável para a salvaguarda, não só dos interesses particulares dos actuais habitantes da encosta do Bom Jesus, mas também de um património que ainda é de todos.
Num tempo em que as eleições autárquicas se perspectivam num horizonte próximo, torna-se imperioso que todos os candidatos clarificassem as suas posições relativamente a esta matéria.
Avenida do Nosso Umbigo [2]
Com 39.751 visualizações de páginas, 26.655 visitas e mais de 1.300 leitores diários, Fevereiro foi o mês em que o blogue Avenida Central voltou a bater todos os recordes da sua história.
A todos, o nosso muito obrigado.
A todos, o nosso muito obrigado.
Troféu da Intertoto no Jogo com PSG
Na sequência dos vários contactos internacionais realizados ao longo dos últimos dias, o blogue Avenida Central está em condições de avançar que os organizadores da Taça Intertoto estão a negociar com o Sporting Clube de Braga que a entrega do troféu se realize antes da partida entre o clube bracarense e o Paris Saint-Germain, a contar para a segunda mão dos oitavos de final da Taça UEFA. A informação foi confirmada ao Avenida Central por Thomas Buechler-De la Cruz, o secretário geral da European Football Pool, uma das instituições envolvidas na organização daquela prova oficial da UEFA.
Do Paroquialismo
As placas de sinalização de saídas das auto-estradas e variantes não são feiras de vaidades, mas antes informações úteis para quem circula nas mesmas. A exigência de São Paio de Arcos constar numa das saídas da Variante Sul de Braga, porque manifestamente injustificada pela insignificante utilidade de tal sinalização, deixa transparecer a pior herança do paroquialismo minhoto.
Dois Ponto Zero [23]
A ler: Braga, Maquiavel e a projecção do Sameiro, por Fernando Santos; Sócrates pede julgamento popular, por Daniel Oliveira; O Episódio de Braga, por Vasco Pulido Valente.
A acompanhar: Ò Malhão, Malhão!, emissão especial do 31 da Armada no Congresso do Partido Socialista; ABC do PPM, o blogue de Paulo Pinto Mascarenhas também está no congresso com participações especisias de Ana Sá Lopes e Pedro Azevedo.
A acompanhar: Ò Malhão, Malhão!, emissão especial do 31 da Armada no Congresso do Partido Socialista; ABC do PPM, o blogue de Paulo Pinto Mascarenhas também está no congresso com participações especisias de Ana Sá Lopes e Pedro Azevedo.
Há Música no Museu
O Museu D. Diogo de Sousa, em Braga, é o palco escolhido por Hugo Torres para apresentar algumas canções inéditas do seu álbum «Sensatez». O espectáculo, com início marcada para as 21h30m de hoje, é organizado pelo Centro de Cultura e Desporto dos Trabalhadores da Segurança Social e Saúde de Braga.
Braga Conquista Troféu Europeu [2]

1. Quase vinte e quatro horas depois de termos anunciado que o Sporting de Braga é o quarto clube português a conquistar um troféu europeu, a imprensa nacional acordou para a vitórias dos bracarenses na Taça Intertoto. Mais vale tarde...
2. O Sporting de Braga passa a integrar o quadro de honra da competição que incluiu clubes como Estugarda, Hamburgo, Juventus, Lyon, Marselha, Newcastle, Paris St-Germain, Shalke 04, Valência, Villareal e Werder Bremen. [adenda, via Voando à Deriva]
A ler: Sp. Braga campeão da Taça Intertoto, O Jogo; Sp. Braga confirmado como vencedor da Taça Intertoto, Público; Sp. Braga é o campeão da Taça Intertoto, Mais Futebol; Braga é o campeão da Taça Intertoto, JN; Mesquita Machado satisfeito com conquista, Record; Arsenalistas conquistam Taça Intertoto, Record; S.C. Braga proclamado vencedor da Taça Intertoto, A Bola.
A ouvir:
Viana É Cidade Anti-Touradas
«A maioria socialista na Câmara Municipal de Viana do Castelo, decidiu hoje não permitir a realização de qualquer espectáculo tauromáquico no espaço público ou privado do município, sempre que ele dependa de qualquer autorização a conceder pela autarquia.» [Público]
A Câmara Municipal de Viana do Castelo deu o exemplo: uma autarquia à altura dos desafios do nosso tempo não se deixa levar pelas virtudes populistas e eleitoralistas do espectáculo que aplaude o sofrimento cruel de qualquer animal. Na capital do Alto Minho, não há mais touradas se tal depender de qualquer aprovação da autarquia. Este exemplo de Viana do Castelo merece ser enaltecido e devia ser replicado por todo o Minho.
Contudo, as notícias mais recentes mostram uma realidade bem distinta: ao fim de muitos anos sem este espectáculo violento, Braga prepara-se para receber uma tourada; em Guimarães, as festas Gualterianas voltarão a ser palco de uma tourada; e na Póvoa de Varzim, a tourada continua a fazer-se regularmente na Praça de Touros. Infelizmente, a modernidade não está ainda ao alcance de todos...
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