De Uniforme É Melhor!

© lusografias
«Um professor veio ao Conselho Executivo dizer que se tinha sentido incomodado pelo facto de estar a dar uma aula e de ter, à sua frente, uma aluna com uma saia tão curta que se viam as cuequitas [...] Os exageros podem levar a uma falta de respeito entre alunos. Algum cuidado na forma de se apresentarem poderá contribuir para o apaziguamento de certas situações» [Jornal de Notícias]
Este trecho diz muito sobre o espírito salazarento e machista que ainda domina o país. A defesa da moral e dos bons costumes não dá tréguas, mesmo quando o móbil é o desconforto erotizante de um professor que se incomoda diante das vestes minimalistas de uma aluna. Até quando os meninos apalpam as meninas, a culpa é delas que se vestem desmesuradamente apetecíveis. Isto é Portugal, estúpido!
Havia de Vir-se Outro Salazar | 2
Confesso que em 25 de Abril tenho de concordar com a voz jocosa e escaganifobética de Vasco Pulido Valente ontem na TVI. O anúncio da inauguração da Praça de Salazar em Santa Comba Dão, para hoje, mesmo na desculpa esfarrapada do Presidente da Câmara, foi um valente golpe de marketing para chamar peregrinos do Estado-Novo à capelinha do Presidente do Conselho. O BE, sem querer, só caiu na esparrela de lhe dar cobertura ao correr para censurar (ainda por cima) a iniciativa. Devia ter tratado a coisa com mais sentido de humor, até porque era certo e sabido que um qualquer mayor com dois dedos de testa lá no sítio, teria obrigatoriamente de aproveitar as sobras herdadas do velho e reinventá-las para vender uns penduricalhos e dormidas para animar a economia local.
Fosse eu o edil de Santa Comba, e baseado na obra recente de Felícia Cabrita, quem sabe se não encomendaria a Cutileiro, ou a uma oficina das Caldas, uma estátua à medida deste homem da ditadura... De resto, crispações a parte, limitar-nos a mandar os odres da História para debaixo do tapete, já se sabe, é só dar largas à repetição dos erros.
Fosse eu o edil de Santa Comba, e baseado na obra recente de Felícia Cabrita, quem sabe se não encomendaria a Cutileiro, ou a uma oficina das Caldas, uma estátua à medida deste homem da ditadura... De resto, crispações a parte, limitar-nos a mandar os odres da História para debaixo do tapete, já se sabe, é só dar largas à repetição dos erros.
Do Portugal Beato, Intriguista e Chocalheiro

© lmpicard
Já se sabe que Portugal é uma imensa tertúlia cor de rosa, mas a capa do Expresso de ontem é uma amostra demasiado infeliz do Portugal beato, intriguista e chocalheiro que se arroga no direito ao escrutínio público da vida privada dos outros. A verdade é que quando o nível da conversa desce até à cama dos actores políticos, entramos num esgoto verdadeiramente nauseabundo e indesejável. Importam-se de puxar o autoclismo para voltarmos a discutir o futuro do país?
Adenda - a notícia é verdadeiramente patética. Desde logo porque mistura o trabalho da jornalista Fernanda Câncio com o seu direito à livre opinião fora do exercício da profissão.
Comentários
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Marcado como
Defesa da Moral e dos Bons Costumes,
Media,
Política Nacional,
Salazarismo Pop
Havia de Vir-se Outro Salazar
A SIC prepara-se para exibir (será mesmo esse o termo adequado) uma mini-série sobre a vida sexual do ditador que caiu da cadeira, baseado no livro da Felícia Cabrita - mulher com interesses estranhos no que toca ao romper de meias-solas da classe política portuguesa. O papel de Presidente de Conselho foi entregue a Diogo Morgado (nada contra o fundador do blog, tudo pelo blog), crónico e mais-que-agastado actor do quadro de Carnaxide, desde que se andou a lambuzar, ainda pós-púbere, com a professora Teresa.
A receita deverá ser a mesma do Crime do Padre Amaro: um rapagão vestido em tons de preto/cinzento-escuro, com o desígnio de Deus, os seus dilemas morais e cheinho do charme (com) que o poder encerra - ou melhor - abre as pernas à Soraia Chaves. A ela, calha-lhe um Salazar relativamente bem-parecido e com abdominais definidos. Às outras, da vida real (vila real, como eu dizia quando era garoto), calhou-lhes um de mofo...
Mas enfim, em contexto de crise, de amuo com a Democracia e com o país, sem um bode expiatório que valha, nada como trazer à memória e criar expectativas com saudades do tempo em que o austero professor Oliveira Salazar, de Santa Comba Dão e tez beata, mantinha o país endireitado pela espinha - que nem se mexia-, e por outro lado era sedutor(?) e mulherengo como um português de raça deve ser, com o seu pau de rapadura (do mesmo nome), e não como estes maricas e intrometidos de agora...
A receita deverá ser a mesma do Crime do Padre Amaro: um rapagão vestido em tons de preto/cinzento-escuro, com o desígnio de Deus, os seus dilemas morais e cheinho do charme (com) que o poder encerra - ou melhor - abre as pernas à Soraia Chaves. A ela, calha-lhe um Salazar relativamente bem-parecido e com abdominais definidos. Às outras, da vida real (vila real, como eu dizia quando era garoto), calhou-lhes um de mofo...
Mas enfim, em contexto de crise, de amuo com a Democracia e com o país, sem um bode expiatório que valha, nada como trazer à memória e criar expectativas com saudades do tempo em que o austero professor Oliveira Salazar, de Santa Comba Dão e tez beata, mantinha o país endireitado pela espinha - que nem se mexia-, e por outro lado era sedutor(?) e mulherengo como um português de raça deve ser, com o seu pau de rapadura (do mesmo nome), e não como estes maricas e intrometidos de agora...
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