1. Apesar sinais de recuperação, a crise está instalada nos emrcados financeiros. Depois de uma vaga privatizadora ao longo das últimas duas décadas, os governos preparam agora a nacionalização dos bancos que entrarem no vermelho.
2. À medida que a crise económica alastra emergem graves problemas sociais que afectam sobretudo a classe média e as classes mais baixas (embora estas últimas estejam mais protegidas pelos subsídios do Estado suportados em larga escala pela classe média).
3. A economia voltou a estar no centro do palco político. O modelo capitalista resiste à crise?
A Política da Crise
A crise veio para ficar, um cenário que favorece a mudança de poder nos Estados Unidos e a estabilidade em Portugal. Depois de ontem, as vitórias de Obama e Sócrates são ainda mais prováveis.
Eleições em Angola [2]
Como bem nota Francisco José Viegas a propósito das eleições de Angola, parece «que os negócios e a vidinha estão a atrapalhar bastante as convicções democráticas do pessoal».
Eleições em Angola [1]
Impedido o trabalho da imprensa internacional, o caminho está aberto para todos os atropelos à Lei. A democracia já chegou a Angola?
Happy As A Pig In Muck

© AdamsWife
«Exciting countries get exciting acronyms, at least in financial circles. Fast-growing Brazil, Russia, India and China, for example, are called Brics, the very initials implying solid growth. Other countries are less fortunate. Take Portugal, Italy, Greece and Spain, sometimes described as the Pigs. It is a pejorative moniker but one with much truth.» [Finantial Times]
O facto de um jornal inglês utilizar o acrónimo PIGS (em português, porcos) para denominar o conjunto dos países da Europa do Sul (Portugal, Espanha, Itália e Grécia) não é suficiente para se inferir da bondade de todo um povo. Ainda assim, a arrogância e um intolerável complexo de superioridade que leva à menorização dos parceiros no projecto europeu, fazem parte da idiossincrasia e do modo de estar dos ingleses que eu detesto.
Contudo, apesar da infelicidade e mau gosto da expressão, este episódio está longe de se constituir como um incidente diplomático. Um país que acredita na liberdade de expressão não pode dar valor de heresia de Estado à opinião versada por qualquer opinion maker nas páginas de um jornal.
Política à Americana

© Joe Crimmings Photography
«But he has his work cut out. The “people” section on his website divides Americans into 17 categories: Latinos, women, First Americans, environmentalists, lesbian, gay, bisexual and transgendered people, Americans with disabilities, Asian-Americans and Pacific islanders and so on. There is no mention of whites, or men.» [Economist]
Assim termina o artigo que a revista Economist desta semana dedica às eleições presidenciais norte-americanas, deixando entender que Barack Obama negligencia o voto dos homens brancos dos Estados Unidos da América e que isso pode comprometer a sua eleição.
O artigo vem na linha das investidas de uma certa direita que censura de forma repetida todas as tentativas de colocar na agenda mediática as várias discriminações que ainda persistem no quotidiano das nossas sociedades. A mensagem que interessa passar é a de que já não se pode ser um vulgar homem heterossexual branco do interior da América. Mais do que isso, pretende-se inculcar na opinião pública a ideia de que Obama é o algoz das 'modernices' que destroem os equilíbrios naturais da sociedade, assumindo-se como detractor dos valores da família, do direito ao porte de armas e da hegemonia social do homem.
O artigo é tão parcial que ignora a compartimentação de públicos feita por McCain (Mulheres, Veteranos, Advogados e Desportistas). Ironicamente, o sítio do candidato republicano também não menciona "brancos" ou "homens", mas isto são meros detalhes.
O Melhor Sistema de Ensino

O sistema de ensino de um Estado guiado pela fé não falha...
Aposto que estes jovens aprenderam a lição.
Leituras Complementares :: Iran: Nine teenagers waiting to be hanged // Iran: Nine minors waiting to be hanged // 9 Minors Wait To Be Hanged in Iran
Comentários
|
Marcado como
Direito,
Direitos Humanos,
Discriminação,
Ditadura,
Intolerância Religiosa,
Política Internacional
Jesus Vai ao Comício? (II)
«A Igreja Católica, que tantas vezes acusa Estados e governos europeus de interferirem com a sua acção, decidiu novamente tomar uma atitude inaceitável em Espanha. Depois do arranque da campanha eleitoral do PP ter sido uma manifestação promovida por bispos em Madrid, agora a Conferência Episcopal emitiu uma nota pastoral em que basicamente dá recomendações contrárias ao PSOE para as legislativas de Março.
A Igreja vai por um mau caminho e o PP, que parece estar a ser tutelado pelo Vaticano, ainda mais. A partir do momento em que participa numa campanha desta forma, a Igreja exalta instintos religiosos com motivações políticas e terá de ser responsabilizada por isso. Uma vitória do PSOE nestas eleições significará não só uma derrota do PP, mas também -- sobretudo? --, uma derrota da Igreja Católica. Foi a sua cúpula que assim escolheu, infelizmente.»
Tiago Barbosa Ribeiro, Kontratempos
A Igreja vai por um mau caminho e o PP, que parece estar a ser tutelado pelo Vaticano, ainda mais. A partir do momento em que participa numa campanha desta forma, a Igreja exalta instintos religiosos com motivações políticas e terá de ser responsabilizada por isso. Uma vitória do PSOE nestas eleições significará não só uma derrota do PP, mas também -- sobretudo? --, uma derrota da Igreja Católica. Foi a sua cúpula que assim escolheu, infelizmente.»
Tiago Barbosa Ribeiro, Kontratempos
Comentários
|
Marcado como
Espanha,
Guerras Religiosas,
Intolerância Religiosa,
Política Internacional,
Religião
Jesus Vai ao Comício?
Depois de ter participado em todas as negociações com a ETA, a Igreja Católica Espanhola mudou de opinião, apelando aos eleitores para não votarem naqueles que promoveram as conversações que eles próprios aplaudiram e em que chegaram mesmo a participar.
Habituados a reclamar das pretensas intromissões do Estado na vida das confissões religiosas, os pastores católicos espanhóis não hesitaram em apelar ao voto no PP, tomando parte no folclore da campanha eleitoral. A prática é comum em países terceiro-mundistas como o Irão ou Sudão, mas configura-se como um perigoso precedente na Europa democrática.
Será que Jesus também vai ao comício do PP?
Leitura complementar:
Nota de la Comisión Permanente de la Conferencia Episcopal ante las elecciones
Los obispos hacen campaña contra el PSOE :: El País
Los obispos critican al PSOE y sonríen al PP :: Publico.es
El PSOE dice que es 'inmoral que los obispos utilicen el terrorismo para hacer campaña' :: El Mundo
Bispos espanhóis criticam Zapatero em nota de orientação para as legislativas :: Público
Bispos católicos entram em campanha contra PSOE :: Jornal de Notícias
Partido liderado por Zapatero responde à nota episcopal :: Jornal de Notícias
Igreja apela a voto contra Zapatero :: Correio da Manhã
Habituados a reclamar das pretensas intromissões do Estado na vida das confissões religiosas, os pastores católicos espanhóis não hesitaram em apelar ao voto no PP, tomando parte no folclore da campanha eleitoral. A prática é comum em países terceiro-mundistas como o Irão ou Sudão, mas configura-se como um perigoso precedente na Europa democrática.
Será que Jesus também vai ao comício do PP?
Leitura complementar:
Nota de la Comisión Permanente de la Conferencia Episcopal ante las elecciones
Los obispos hacen campaña contra el PSOE :: El País
Los obispos critican al PSOE y sonríen al PP :: Publico.es
El PSOE dice que es 'inmoral que los obispos utilicen el terrorismo para hacer campaña' :: El Mundo
Bispos espanhóis criticam Zapatero em nota de orientação para as legislativas :: Público
Bispos católicos entram em campanha contra PSOE :: Jornal de Notícias
Partido liderado por Zapatero responde à nota episcopal :: Jornal de Notícias
Igreja apela a voto contra Zapatero :: Correio da Manhã
Comentários
|
Marcado como
Espanha,
Guerras Religiosas,
Intolerância Religiosa,
Política Internacional,
Religião
Presidenciais Americanas: Surpresa no Iowa
As primárias norte-americanas arrancaram no Estado do Iowa com algumas surpresas. Nos Democratas, Barack Obama venceu, relegando Hillary Clinton para uma comprometedora terceira posição atrás de John Edwards. Nos republicanos, a vitória coube ao pastor baptista Mike Huckabee, um indivíduo que se assume creacionista e que já propôs, imagine-se, o isolamento dos pacientes infectados com HIV.Os resultados já tiveram eco em alguns blogues nacionais. Ao bom estilo do PCP, o partido que vence sempre, os apoiantes portugueses de Ron Paul, em vez de lamentarem o miseráel quinto lugar, contentaram-se porque o seu candidato ficou uns pontos acima de Ruddy Giuliani, indicustivelmente o melhor dos republicanos.
Seja como for, nada está decidido.
Povo Venezuelano diz NÃO!
O povo venezuelano disse Não! Ainda que isto possa significar um pequeno nada no caminho de Chavéz para a consolidação da sua sociedade bolivarista, a verdade é que é a primeira derrota do putativo ditador. No essencial concordo com João Miranda, mas diria de outro modo: «Aquilo que interessa fazer notar do ponto de vista A ditadura da maioria é tão inadmissível como outra ditadura qualquer.
Voto a Voto até à Ditadura
«Pode-se argumentar que se o povo venezuelano votar pela instituição definitiva de um ditador, tem o que merece. Mas tem se se ter em conta que a minoria não merece ser conduzida à ditadura pela maioria.»
¿Por qué no te callas?
A frase com que o Rei espanhol interpelou o insuportável Hugo Chávez depressa se converteu no tema blogosférico do momento. Sabendo que Hugo Chávez é um tirano que mergulhou a Venezuela numa perigosa ditadura, dificilmente podemos deixar de simpatizar com a investida do monarca.O que se lamenta, mas não se estranha, é o oportunismo da demagogia monárquica que não consegue sobreviver sem estes fait-divers mediáticos de fraca qualidade. Como se fosse preciso sangue azul para mandar calar um tirano.
O que resta da Esquerda?
«Depois, percebi uma coisa terrível: que as pessoas que são vítimas de movimentos extremistas e de regimes ditatoriais cujos actos não podem ser atribuídos à responsabilidade dos americanos passam a ter muito pouco apoio. Por exemplo, as feministas iranianas, os palestinianos secularistas, os sindicalistas chineses. É só quando o sofrimento das pessoas pode ser atribuído à América, ou ao Ocidente em geral, só nessas condições é que merece solidariedade.»
“O Que Resta da Esquerda?”, de Nick Cohen
Subscrever:
Mensagens (Atom)









