Do Surto de Gripe [2]

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HAMBURGER HILL.
© nr7375

Ao contrário do que se escreve por aí, o adiamento de cirurgias não urgentes não se deve à falta de capacidade de resposta do corpo médico, mas à necessidade de criar condições logísticas para que mais doentes com gripe possam ser internados nos hospitais públicos. A medida anunciada é uma forma de garantir a melhor resposta possível num momento em que se assiste a uma excepcional sobrelotação dos serviços.

Ainda sobre este assunto, a Ana explica muito bem explicadinho porque é que comparar a prestação de cuidados de saúde com restaurantes fast food não tem qualquer cabimento.

Do Surto de Gripe

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A decisão de equacionar o adiamento das cirurgias não urgentes para melhor responder ao surto de gripe é correcta. Sabendo-se que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem recursos humanos, logísticos e financeiros limitados e que o binómio 'promoção da saúde/combate à doença' é a pedra basilar da sua missão, parece justo e lógico que o critério da seriação para atendimento dos doentes assente na gravidade dos sintomas e/ou da patologia. Estes são os valores que felizmente têm presidido ao funcionamento do SNS e não vejo como seria possível funcionar de outra forma.

Não posso concordar com João Miranda quando fala em «sistema de valores pervertido» para qualificar a triagem de prioridades de acção. Num país que assume a prestação de cuidados de saúde como universal e tendencialmente gratuita, a missão do SNS está longe de se enquadrar nas filosofias de funcionamento e gestão das empresas de restauração.

Unidos para Ajudar

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Cartaz Esquizofrenia - Unidos para Ajudar
© UPA

O Movimento UPA - Unidos para Ajudar, cujo mote é «Levanta-te Contra a Discriminação das Doenças Mentais», envolveu ao longo dos últimos meses alguns dos mais significativos nomes da música portuguesa. De Janeiro a Outubro, foi lançado um tema por mês que resulta da parceria entre duas personalidades marcantes da nossa música, a qual será alusiva aos temas propostos pela Encontrar+se, tendo sempre como ponto de partida duas palavras (ou atitudes...) antagónicas, procurando desta forma alertar para a necessidade de uma mudança de mentalidades na forma como a doença mental é encarada entre nós. O projecto musical foi concebido pelo Zé Pedro Reis (Xutos) em parceria com a Paula Homem e o Pedro Tenreiro, e terá a direcção artística e produção de Nuno Rafael, conceituado músico e cúmplice habitual de Sérgio Godinho. [informação retirada do site UPA08]

Neste Natal, Levante-se Contra a Discriminação das Doenças Mentais e ofereça o CD do projecto a todos os seus amigos.

Balls and Brains

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A qualidade do esperma de um homem depende da sua inteligência. Este é o resultado de um estudo conduzido por um grupo de investigadores do King’s College de Londres, liderado por Rosalind Arden.

Como Actuam os Antidepressivos?

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Depressant vs. Antidepressant?
© aidan

Um artigo científico publicado na revista Molecular Psychiatry está a relançar o debate em torno do tratamento da depressão em particular das acções neuronais de alguns antidepressivos. O estudo conduzido por alguns dos meus colegas da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho demonstrou que a acção de antidepressivos como o conhecido "Prozac" não é dependente do "nascimento" de novos neuróninos (neurogénese), uma ideia que vinha sendo defendida até agora.

Para além das fortes evidências nesse sentido, o trabalho demonstra a acção dos antidepressivos na remodelação dos neurónios já existentes, implicando este fenómeno nas alterações comportamentais obtidas no sentido da reversão dos comportamentos depressivos que haviam sido induzidos nos animais estudados.

Os resultados apresentados levaram os autores do blogue científico Neuroskeptic a considerar que «it does suggest that the much-blogged-about neurogenesis hypothesis is not the whole story», recusando-se muito prudementemente a declarar a morte desta hipótese científica, mas ressalvando o contributo do artigo português para a mudança de paradigma em termos de compreensão do tratamento da depressão.

A Saúde Que Temos!

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Beelitz Surgery
© keiththrn

Não é novidade, mas convém lembrar que o mundo real é bem diferente do que nos pintam quotidianamente nos órgãos de comunicação social. Apesar da maioria dos portugueses ter uma ideia negativa do Sistema Nacional de Saúde e, em particular, do Serviço Nacional de Saúde, a verdade é que haverá poucos domínios em que o país esteja tão bem no contexto internacional.

Dia da Escola de Ciências da Saúde

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Dia da Escola de Ciências da Saúde 2008 - Universidade do Minho
© SAS

No passado dia 8 de Outubro, precisamente 7 anos depois da aula inaugural do curso de Medicina, a Escola de Ciências da Saúde celebrou mais um aniversário. A data foi marcada pela homenagem ao fundador do curso, o Professor Joaquim Pinto Machado, uma das pessoas mais fantásticas com quem tive o privilégio de trabalhar. Médico e humanista é seguramente um dos membros mais ilustres da elite intelectual do país.

Na mesma data, o Professor Nuno Sousa, director do curso de Medicina, anunciou que os alunos e graduados da Universidade do Minho obtiveram as melhores classificações relativas e absolutas num conjunto de oito escolas médicas de todo o mundo que se submeteram ao exame do National Board of Medical Examiners, a prova que garante o acesso à prática da Medicina nos Estados Unidos da América. Também no exame nacional de seriação para a especialidade médica, os alunos do Minho estiveram quatro pontos percentuais acima da média nacional.

Acesso ao Ensino Superior

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Medicina: 1º FMUP; 2º ICBAS; 3º Universidade do Minho, 4º FMUC.

Frase do Dia

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«As infecções urinárias podem ser causadas por bactérias, fungos, vírus e outros microorganismos[jornalista da RTP no Bom Dia Portugal]

A que outros microorganismos se refere o jornalista?

Médicos e Doentes

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A confiança é a base do sucesso da relação médico-doente, uma das mais peculiares e complexas ligações da nossa sociedade. Contudo, é bom não esquecer que alguns dos insucessos da medicina começam precisamente na incapacidade dos médicos para ouvirem os seus doentes e com eles estabelecerem boas relações de empatia.

Da Genética do Sexo

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artigo

Um estudo levado a cabo por investigadores da Austrália e dos Estados Unidos da América concluiu que «predisposing to homosexuality may confer a mating advantage in heterosexuals, which could help explain the evolution and maintenance of homosexuality in the population.» Dito de outro modo, parece que os genes que predispõem para a homossexualidade aumentam o sucesso dos heterossexuais nas conquistas sexuais.

Estes dados, que resultam da análise do comportamento de 4904 gémeos, ajudam a explicar o facto dos genes que predispõem para a homossexualidade continuarem a ser seleccionados no processo evolutivo. Depois de muitos avanços e alguns recuos, os resultados científicos mais recentes continuam a expor o equívoco daqueles que insistem em confundir orientação com opção sexual.

SNS: O Bicho Papão

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Devo dizer-vos que fui utente intensivo de um hospital público português durante oito meses. Dos porteiros aos médicos, passando pelos enfermeiros, auxiliares e administrativos só encontro coisas boas para contar. Tenho para mim que, havendo algumas razões de queixa, o Serviço Nacional de Saúde, felizmente universal e inevitavelmente quase gratuito, é uma das coisas boas deste país.

Bastará atender ao espectacular decréscimo da taxa de mortalidade infantil, às taxas de cobertura vacinal ou às percentagens de doentes em tratamento para os mais variados cancros para se perceber que, ao contrário do que sucede em sectores como o ensino ou a justiça, o Serviço Nacional de Saúde é um dos maiores sucessos do Portugal democrático. Apesar disso, muito está por fazer e, ao contrário do que alguns pensam, muito mais poderia ser feito com os recursos humanos que existem (seja pelo incentivo à exclusividade dos médicos e demais profissionais de saúde seja pelo aumento da eficiência dos diversos serviços clínicos).

O país real é muito diferente do que no-lo pintam quotidianamente nas notícias dos telejornais. Só assim se explica que uma simples remodelação ministerial tenha acabado com a suposta ineficácia do INEM e com o nascimento de crianças no caminho para as maternidades encerradas.

Bem diz o povo que «a galinha da minha vizinha é sempre melhor do que a minha.» Há nisto algo tragicamente realista, quase espelho da sociedade nacional, que ajuda a explicar o facto de muitas das discussões e comentários acerca do Serviço Nacional de Saúde resvalarem para a demagogia trauliteira e a insinuação irresponsável que infelizmente se vai ouvindo e lendo por aí.

Portugal, Portugal

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what barbie really did to ken
© Dorsia

Eu diria mais: um curso de Medicina para cada português.
E um hospital também, já agora...

Doença de Huntington

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«Sabemos muito pouco acerca do papel do gene de Huntington, mas sabemos com doloroso pormenor como, porquê e onde pode errar e quais são as consequências para o corpo. O gene contém uma única «palavra» repetida várias vezes: CAG, CAG, CAG, CAG... A quantidade de vezes que a «palavra» está repetida varia de pessoa para pessoa. Se a «palavra» está repetida trinta e cinco vezes ou menos, o leitor não terá problemas. Se a «palavra» se repete trinta e nove vezes ou mais, na meia-idade o leitor começará a perder o equilíbrio lentamente, ficará cada vez mais incapaz de cuidar de si próprio e morrerá prematuramente.» [Genoma, Matt Ridley]

A doença ou coreia de Huntington é uma patologia neurológica determinada geneticamente e ainda sem cura que, em Portugal, tem uma prevalência de 3 a 7 doentes por cada 100.000 indivíduos. Ao contrário do que sucede noutros países, não temos grande tradição na criação de grupos de apoio a familiares ou associações de doentes para melhor lidar com os problemas que quotidianamente se interpõe nas suas vidas.

O blogue Doença de Huntington em Portugal procura criar uma plataforma de troca de ideias, comentários e desabafos, mas também um ponto de informações em língua portuguesa para familiares de doentes. Apela-se portanto ao contributo de todos. O autor do blogue poderá ser contactado através do e-mail pt.huntington@gmail.com.

Grupos ou Comportamentos de Risco?

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A tese da importância dos "grupos de risco" na transmissão do VIH é um enorme equívoco que que assenta numa visão conservadora e higienista da sociedade. A tentativa de amontoar as pessoas em "grupos de risco" baseia-se na crença de que, em ciências sociais, é útil segregar as pessoas (não necessariamente no sentido pejorativo) de acordo com características físicas ou psicológicas, independemente dos seus méritos e comportamentos. Esta atitude é avessa aos princípios liberais, encerrando enormes perversidades, a maior de todas assenta na indução de conclusões erradas que instilam o preconceito e multiplicam a ingorância.

É universalmente aceite que o VIH se transmite através de comportamentos de risco e não pelo facto do indivíduo A ou B ser considerado membro deste ou daquele grupo. Como depressa se compreende, o membro de um grupo de risco que não tenha comportamentos de risco tem uma probabilidade igual a zero de contrair a doença enquanto que, pelo contrário, um indíviduo que não pertença a nenhum grupo considerado de risco mas que pratique comportamentos de risco apresenta uma grande probabilidade de a contrair.

O risco só não é independente dos grupos na exacta medida em que os elementos dos grupos praticam determinados comportamentos. Este é um dado que não se pode ignorar. Por tudo isto, parece óbvio que a análise dos comportamentos de risco é muito mais significativa, informativa e precisa do que a mera classificação das pessoas em grupos.

Alumni Medicina - Universidade do Minho

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alumni

A Alumni Medicina - Núcleo de Antigos Estudantes de Medicina da Universidade é uma associação sem fins lucrativos que pretende contribuir para a excelência do ensino médico e da investigação científica em Portugal. Tal como sucede noutros países, a sociedade civil empresarial é chamada a contribuir para esta causa através de donativos e parcerias. Mais informações aqui.

Portugal no Divã

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Ao longo da última semana fomos conhecendo os resultados do inquérito "Comportamentos sexuais e a infecção VIH/SIDA", realizado pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS) em 2007, na sequência de uma encomenda da Coordenação para a Infecção VIH/SIDA.

De todos os dados, aquele que mais impressiona, pela irresponsabilidade suicida que lhe está associada, é o facto de oito em cada dez portugueses afirmarem que não utilizariam preservativo numa relação com um parceiro infectado com VIH. Estes são, mais coisa menos coisa, os mesmos portugueses que se acobardaram quando um tribunal considerou legítimo o despedimento de um cozinheiro por estar infectado por aquele vírus. O paralelo, por absurdo que possa parecer, põe a nu algumas das ideias monstruosas que fervilham na cabeça de muitos daqueles com quem partilhamos o dia a dia.

Mas há mais dados para reflectir. Se não é novidade para ninguém que 40% dos homens admitam ter sido infiéis durante o casamento, também não é propriamente uma surpresa saber que a homossexualidade é desaprovada por 70% dos portugueses e, mesmo entre os mais jovens, a taxa de desaprovação nunca desce abaixo dos 50%. Estes números contrastam com os resultados de um estudo semelhante em que, segundo o jornal Público, «80% dos jovens franceses aceita as relações entre pessoas do mesmo sexo».

Somos todos responsáveis. As crenças e os preconceitos enraizados na sociedade portuguesa só se combatem com mais educação e melhor ensino, uma empreitada que não se consegue enquanto não houver coragem para enfrentar as fortes resistências da ala mais conservadora, espelho de uma sociedade que, à beira do precipício, continua empenhada em manter a fachada dos bons costumes. A educação sexual, tantas vezes prometida quantas adiada, está por cumprir-se nas escolas de Portugal e os resultados estão à vista de todos. A tragédia do VIH/SIDA atirou o nosso país para a cauda da Europa Ocidental e as perspectivas para os próximos anos são tudo menos animadoras.

Todos os portugueses deviam ler a história da SIDA. Desde os tempos em que a comunidade médica e científica embarcou na ideia de se tratar de um castigo que apenas atingia os pertencentes ao grupo dos 5 "agás" (homossexuais, heroinómanos, hemofílicos, haitianos e hookers) até à célebre rejeição de um artigo que colocava ênfase na transmissão heterossexual da doença pelo New England Journal of Medicine, uma das mais prestigiadas publicações médicas do mundo. A lista de equívocos é interminável e muito contribuiu para que a SIDA s convertesse numa pandemia de difícil controlo.

Num texto de 1999, Francisco Allen Gomes, médico psiquiatra dos Hospitais da Universidade de Coimbra, escreve que a SIDA «tem-nos mostrado o melhor e o pior do ser humano», acrescentando que «a situação actual da pandemia e as projecções futuras indicam que serão os mais desfavorecidos a pagar a maior factura.» Na realidade, entre tanto equívoco, estigma e sofrimento, a herança da SIDA tem tido contornos de verdadeira tragédia, não havendo doutrina social que possa continuar insensível à matança por via da ignorância.

Publicado também no ComUM

Os Nossos Neurónios

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Esta entrevista desvenda mais alguns bons motivos para se escolher a Universidade do Minho para estudar ou trabalhar.

Não Faça Parte Deste Filme

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Um grupo de estudantes de Medicina da Universidade do Minho está a promover uma campanha contra a sinistralidade rodoviária. No blogue "A Comissão" decorre a votação para a escolha da melhor proposta de cartaz. Participem.

Projecto da UM vence "Fronteiras das Ciências da Vida"

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«O Programa de Apoio à Investigação na Fronteira das Ciências da Vida vai financiar dois projectos na área das Neurociências, no valor de 50 mil euros. O Júri do prémio elegeu as propostas apresentadas pelos investigadores António Salgado, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida, em Braga, e Filipe Monteiro, do Laboratório de Biologia Celular e Molecular, no Porto. A entrega formal dos apoios será feita, esta quinta-feira, dia 10 de Abril, às 17 horas, a António Salgado, na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, e no dia seguinte, 11 de Abril, às 11 horas, a Filipe Monteiro, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Com dois anos de existência, este programa tem como objectivo apoiar o desenvolvimento de ideias originais no trabalho de investigação em Ciências da Vida (cutting-edge research), que possam criar conhecimento científico novo ou aumentar o conhecimento científico de base, não procurando resolver ou tratar um problema prático. O programa dirige-se a investigadores cuja idade não seja superior a 30 anos e que estejam associados a instituições e centros de investigação portugueses de excelência, incentivando a aposta em investigadores mais jovens.

António Salgado pretende com o seu projecto, Identification of Key Neuroregulatory Molecules Expressed by Human Umbilical Cord Stem Cells, identificar os factores de crescimento libertados por células estaminais, que serão isoladas a partir da matriz que suporta o cordão umbilical.
Aumentar o conhecimento da biologia básica deste tipo de células permitirá modelar a sua actividade com mais eficácia, podendo vir a ser útil, do ponto de vista biológico, para o tratamento de lesões, com vista à sua aplicação ao nível da regeneração do sistema nervoso central. António Salgado doutorou-se em 2005 em Biologia pela Universidade do Minho.

Um dos objectivos da proposta distinguida pela Fundação Calouste de Gulbenkian, está centrado na identificação das moléculas neuroreguladoras para elucidar a função de cada um desses factores nos efeitos observados in vitro. O próximo passo após a identificação dos factores será relacionar estes últimos com os efeitos já observados em neurónios e oligodendrócitos. Ao fazermos isto estamos a aumentar o nosso conhecimento da biologia básica deste tipo células, o que nos permitirá no futuro modelar a sua actividade com mais eficácia tendo em vista aplicações ao nível do sistema nervoso central.» [CiênciaPT]
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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