Cavalheiros do Apocalipse é o nome de um projecto humorístico made in Braga que já se tornou num fenómeno nacional. Por estes dias, os rapazes fizeram um trabalho sobre o Milagrex, um sistema de prioridades para os milagres operados pela divina providência porque «Deus tem tido dificuldades em cumprir milagres». É por estas e por outras que é muito mais seguro ser ateu.
Foi preciso esperar 615 anos para que D. Nuno Alvares Pereira, o homem que liderou os combatentes portugueses na Batalha de Aljubarrota, mudasse de actividade, passando a dedicar-se à... oftalmologia. Segundo o Vaticano, fonte credibilíssima em matéria de ciência, uma senhora de Ourém, terra habituada a acontecimentos esotéricos, ficou curada de queimaduras de óleo a ferver no olho esquerdo após rezar várias novenas ao Beato Nuno. Eu acho injusto que os créditos fiquem todos na mestria do Beato Nuno. É certo e sabido que se as novenas falhassem ainda restava o último recurso: uma consulta numa clínica de Medecina Natural.
O Ministro da Saúde deveria estar atento a este mercado paralelo de prestação de cuidados de saúde. É que, à semelhança dos santos milagreiros, também as mariazinhas, mediuns e cartomantes credenciadas proliferam por esse país fora, usando e abusando da ingenuidade ignorância alheias, sem o pagamento de qualquer imposto ou taxa. Até quando?
Eis o vídeo que abriu a V Gala Adeus SOF's, um evento obviamente desconhecido para a maioria dos leitores deste blog. Trata-se da festa de despedida de uma das mais importantes, interessantes e longas áreas curriculares do curso de Medicina da Universidade do Minho - Sistemas Orgânicos e Funcionais. Terminar SOF's é dobrar um dos Cabos Bojadores do curso.
Este vídeo, de uma das melhores e mais imaginativas galas de sempre, é o mote para uma conversa que queria ter convosco há algum tempo. Num momento em que o ensino superior passa por diversos constrangimentos, os nossos governantes deviam pôr os olhos (com olhos de ver) na experiência de ensino-aprendizagem do curso de Medicina da Universidade do Minho. Não porque seja melhor que as outras (nem é isso que está em causa), mas porque é a prova de que quando é dada às universidades verdadeira autonomia e oportunidade para inovar é possível fazer muito com poucos recursos, criando vias alternativas para, como bem lembrou o Professor Pinto Machado na aula magistral de abertura do curso, formar médicos peritos em ciência, arte e consciência.
Integrado numa universidade jovem, dinâmica e prestigiada, o curso de Medicina da Universidade do Minho soube aproveitar todas as virtudes do sistema matricial, acrescentando-lhe várias inovações. Desde logo, a integração horizontal e vertical do conhecimento em áreas curriculares, a aprendizagem por objectivos, o contacto precoce com a clínica e a permanente interação com as ciências básicas nos anos mais avançados, o acompanhamento de uma família ou a possibilidade/liberdade de compor uma parte significativa do currículo através do desenvolvimento de Projectos de Opção. E, claro, os Domínios Verticais - dias em que, mais que em todos os outros, radiografamos a condição humana nas suas mais diversas vertentes (do cinema ao desporto, passando pela política, ética, história, literatura, cultura ou visitas a instituições de solidariedade e museus).
Assim foram, entre outras coisas que fiz (algumas das quais só possíveis porque nesta universidade, como em nenhuma outra, é possível o contacto diário com estudantes das várias áreas do conhecimento), os meus últimos 6 anos na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. Apesar de sistematicamente apelidada de Faculdade de Medicina de Braga, a verdade é que não estudamos naquilo que classicamente se entende por faculdade. Felizmente.
"Para os felicitar creio que terei de fazer um destes dias uma visita à hora de saída do colégio (...), onde um destes burgueses esquerdistas tem os seus filhos a estudar e assim parabenizá-lo pessoalmente pelo brilhante cartaz", escreve no fórum um nacionalista que se assume como "Nuno NS", da Costa da Caparica.
"Deviam ser considerados traidores à Pátria e sofrer em conformidade, mesmo usando a violência física (...) Cá por mim não renuncio ao meu direito de ajustar contas com qualquer destes fedelhos", escreve outro nacionalista.
"Plenamente de acordo, a partir de hoje [ontem] estão sujeitos a qualquer violência".