Um Requiem ao Minho (III)

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Mesquita Machado fechou a porta aos que ainda sonhavam com uma regionalização a sério. «Há um grande consenso numa futura regionalização desde que ela assente nas cinco regiões», afirma o Presidente da Câmara de Braga.

Foi anunciado que a nova Região do Turismo do Norte iria apostar na marca "Porto" e ao autarca bracarense não se ouviu uma única palavra de protesto. Apenas o acenar devoto aos intentos da direcção nacional do seu partido. Entretanto, foi proposto por Ricardo Rio que a sede da Região de Turismo se situasse no Minho e a resposta foi um insólito «não se pode entrar num bairrismo parolo que muito tem prejudicado o desenvolvimento do país. Não posso defender a minha vontade. Não sou tolinho para fazer uma reivindicação isolada, não sei se é justo e se a sede pode ser aqui

Não sabe!? Como é possível o Presidente da Câmara não saber qual é o interesse do município que dirige? Como é possível não ter opinião sobre uma matéria tão relevante como o turismo? Como é possível manter-se insensível à posição assumida pelo Presidente da Região de Turismo do Verde Minho?

É por tudo isto que Ricardo Rio lamenta que o presidente da autarquia tenha «uma óptica redutora e não tenha em conta a especificidade do sector que é muito importante para o concelho» porque trata-se de uma área que «merecia maior dinâmica e podia ser mais potenciada».

Os decisores políticos locais, ao apoiarem com serviçal devoção o projecto de regionalização a 5, dizimam a razão de ser deste debate. O Minho está morto. Braga, em matéria turística, não será mais que uma espécie de Jardim Zoológico que os turistas captados instalados no Porto visitarão de autocarro, numa tarde divida com Guimarães. Podem encomendar o requiem para o Minho, mas não contem comigo para carpir.

Gostei de Ler

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Eduardo F. escreve sobre a Mobilidade Condicionada da trama rodoviária da cidade de Braga, apontando as Avenidas Padre Júlio Fragata e Frei Bartolomeu dos Mártires como uma das «maiores dores de cabeça a quem por ali tem de passar».

Claudette Guevara apresenta-nos um verdadeiro Centro Comercial. E, de repente, confirma-se o que temíamos. Não temos mais que ajuntamentos de lojas.

Lazer em Braga: é tudo uma questão de divertimento?

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Ainda que amputada da Bracalância, a sua verdadeira imagem de marca ao longo dos últimos anos, Mesquita Machado está apostado em transformar Braga numa cidade divertida. Para tal, depois de anunciar a expulsão do famoso parque de diversões, apressou-se a promover a construção de um parque de divertimentos ainda maior. Entretanto, mudou de opinião, e em vez de um anuncia que, afinal, serão dois. A este propósito, assinala o JN que quanto ao(s) novo(s) parque(s), tudo pode voltar à estaca zero em termos de localização, caso avance a nova proposta. Teremos parque antes de 2012?

A aversão que Mesquita Machado tem ao verde natural levou-o a propôr mais uma zona de lazer e diversão para o monte do Picoto. O espaço nobre, sobranceiro à Avenida da Liberdade, vai receber espaços para a prática de desportos radicais, pista de patinagem, pista de cross, minigolfe, percursos BTT e pista de ski. Talvez fosse melhor transformá-lo numa aprazível mostra botânica, mas com a intervenção proposta ficará, concerteza, melhor do que está.

No entretanto, o Parque da Ponte, esse parente pobre das intervenções autárquicas, continua a definhar convertendo-se num degradante e degradado espaço de marginalidade. O parque não tem gente porque não é devidamente cuidado nem dinamizado e, por outro lado, não se dinamiza nem se cuida do local porque não há gente por aquelas bandas. É urgente romper-se este ciclo vicioso e retirar o parque do abandono, devolvendo-o à cidade.

Braga, amputada de um plano urbanístico coerente [ver dois exemplos aqui e aqui], precisa de espaços para respirar, para correr, para andar de bicicleta, para passear e para descontrair. Se é verdade que, como sempre defendi, um parque de diversões de grande escala funcionará como um importante catalizador do turismo, a verdade é que uma estrutura deste tipo não vem suprir as necessidades quotidianas dos habitantes da cidade. Aguardam-se novos projectos e novas ideias.

Chora, Braga!

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Braga é hoje um mosaico cultural de gente oriunda de todo Portugal, em especial do Minho profundo e de Trás-os-Montes, que ao longo dos últimos 30 anos por aqui se fixou para dar origem à nova geração de bracarenses. Em sentido inverso, na primeira metade dessas três décadas, assistiu-se à saída de parte significativa dos quadros mais competentes, condicionada em grande parte pela insipiente oferta da Universidade do Minho (uma instituição que estava em implementação e se encontrava amputada de alguns dos cursos socialmente mais relevantes como Economia, Direito, Arquitectura e Medicina). De todos estes fenómenos demográficos resulta que há poucos bracarenses de gema e a esmagadora maioria dos que restam desconhece a monumentalidade e a história da cidade, assistindo com insólita passividade à destruição do património natural, cultural e arquitectónico.

Mesmo sem terramoto nem grande guerra, Braga é uma cidade que, como poucas, teve o privilégio de poder ser construída praticamente de raíz. Perdeu-se, contudo, a possibilidade de se construir pensada e bonita, dimensionada e organizada. Perdeu-se, lamentavelmente, a extraordinária opotunidade de valorizar a herança dos povos que a habitaram até ao Séc XIX e também a riqueza cultural da bragalidade dos três primeiros quartos do Séc XX.

É inconcebível que uma cidade que já teve tanto relevo político e religioso não se consiga candidatar a Património da Humanidade e mais doloroso é constatar que apesar de termos abandonado e maltratado o nosso passado fomos incapazes de construir algo de verdadeiramente apaixonante e relevante para o futuro. Poderia ter sido um grande museu, um parque natural nas encostas a sul da cidade, a reconstrução de parte da cidade romana, a requalificação integral do Bom Jesus (preservando toda a encosta de novas construções), a transformação futurista do Monte do Picoto (criando um parque verde condigno à superfície e um museu com vista priveligiada para a cidade no seu interior) ou um Parque Temático nas Sete Fontes. Vou mais longe: bastaria termos construído uma cidade aprazível, com espaços verdes e sem os atropelos urbanísticos que diariamente nos encandeiam o horizonte.

Está visto que não será pelo Estádio nem pelo Theatro Circo que Braga se afirmará no panorama nacional e internacional. E até para a Bracalândia, o único projecto do pós-25 de Abril em que Braga marcava realmente a diferença e se afirmava local e regionalmente, podemos encomendar o requiem. Não há desculpa. A culpa da falta de rumo da cidade é, exclusivamente, dos bracarenses. É que, mesmo admitindo que alguns líderes possam, pela sua visão (ou falta dela) e carácter (ou falta dele), deixar uma marca indelével, a verdade é que cada terra é o produto da sua história e das suas gentes. E esta gente não pode gostar de Braga para permitir que a tratem assim.

Aqui bem perto, prepara-se a candidatura da Geira Romana a Património da Humanidade. Com inevitável surpresa e indisfarçável tristeza, destacamos a ausência da Câmara de Braga deste projecto (que é "A Geira na Serra do Gerês" mas podia e devia ser "A Geira em Portugal"), fazendo notar que a Via Nova Romana se iniciava na Bracara Augusta.

Já pouco resta da Braga romana. Se os deixarmos continuar a betonar a história, pouco há-de restar da Braga medieval ou da Braga barroca. E tudo serão parques de estacionamento...

Uma Espécie de Ciclovia

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Ciclovia de Braga
© AC

Na véspera das últimas eleições autárquicas, Mesquita Machado mandou construir uma espécie de ciclovia na cidade de Braga. O investimento tinha retorno garantido: 1) era barato; 2) estava na moda; 3) seria bem visto pela maioria dos cidadãos desinformados; 4) o inegável oportunismo político da medida não custaria votos; 5) podia inscrever-se no caderno das promessas cumpridas.

A obra sempre me deixou imensas dúvidas. A Avenida João II foi transformada num autêntico aborto urbanístico e viário. Os carros mal cabem nas apertadas vias que lhe foram destinadas, os passeios não albergam com conforto duas pessoas lado a lado nem têm uma única sombra e a ciclovia é uma anedota. Dado o aperto geral, não admira que, repetidas vezes, os carros invadam os passeios, as bicicletas circulem na estrada e os peões caminhem perigosamente na ciclovia. Como tal, agora que as eleições ainda estão longe, seria altamente positivo que a autarquia bracarense emendasse o erro, devolvendo largura aceitável às faixas rodoviárias, alargando os passeios pedonais e colocando árvores ao longo da avenida.

Braga precisa de uma ciclovia a sério. E, se é certo que nestas matérias fica sempre bem citar os exemplos do Norte da Europa, a verdade é que o exemplo está aqui bem perto: a Câmara de Guimarães prepara-se para estender a ciclovia até ao Parque da Cidade. E Braga?

Braga por um canudo... (II)

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«Já roça, no entanto, a hipócrisia partidária ver o PS acusar o líder social-democrata "de se vergar, de se humilhar" ao participar na festa anual do PSD madeirense, quando os líderes do PS nunca se inibiram de marcar presença nos vários feudos do caciquismo socialista, junto de Mesquita Machado em Braga ou de Fátima Felgueiras em Felgueiras, entre outros casos pouco recomendáveis.»

04.08.2007 - José António Lima, Semanário SOL [via Geração Braga 2009]

Braga por um canudo...

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«ASPA, uma associação cívica de Braga
Ao cabo de anos de esforçada sobrevivência contra as piores más vontades dos dirigentes autárquicos (os mesmos desde o 25 de Abril!), conseguiu consolidar-se e não só. Entre as suas várias iniciativas conta-se um inquérito recente lançado à população que obteve um razoãvel nível de resposta. Pedia-se aos bracarenses que identificassem as sete maravilhas mas também os sete horrores de Braga. As sete maravilhas começam no Bom Jesus do Monte e seguem para as obras mais clássicas e interessantes: Sé Catedral, Mosteiro de Tibães, Largo do Paço/Biblioteca, Jardim de Sta. Bárbara, Capelas de Sta. Maria e dos Coimbras. Quanto aos sete horrores são muito instrutivos - ao contrário de tudo aquilo que as mais obscuras manobras autárquicas tentam sempre garantir como um sucesso, os bracarenses não esquecem os insultos urbanísticos com que os têm brindado. À cabeça colocaram o (des)arranjo urbanístico do célebre Campo da Vinha (obra da Bragaparques...); depois os centros comerciais Galécia e Santa Cruz; pelo meio o poluído rio Este, o Largo dos Penedos, a urbanização do Feira Nova... O inquérito permitiu entrever um acordo público contra os atentados urbanísticos e lançar um aviso sério às velhas alianças entre dinossauros autárquicos e promotores imobiliários que têm vandalizado o país e de que Braga é um dos exemplos mais clamorosos.»

04.08.2007 - Revista Única - Expresso [via O Blog dos 5 Pês]

Avenida dos Leitores: Braga segundo Mesquita

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Crítica muitíssimo pertinente enviada por Carlos Gonçalves.

Claustrofobia Bracarense

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Poucas vezes alguém descreve com tamanho realismo e precisão o quotidiano de uma cidade. Horácio Azevedo fê-lo na Linha do Horizonte (destaques da minha autoria).
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Braga, que pretende ser a terceira cidade do país, não consegue escapar deste fatalismo provinciano que os seus autarcas e bracarenses lhe destinaram. Tendo em conta a importância relativa da cidade para a região, nunca foi objecto de discussão séria e passa completamente ao lado dos media nacionais. Aqui sim, há claustrofobia. Mas mesmo assim, Mesquita e o seu séquito não fazem capa de jornais nem são referidos em editoriais inflamados. Eles, certamente, agradecem a invisibilidade. Perdoem-me o radicalismo, mas apenas os pouco exigentes (ou mesmo medíocres) se podem contentar com a situação desta cidade.
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Teve todas as condições para ter um crescimento urbano decente e hoje é um paradigma do urbanismo terceiro-mundista que grassa em Portugal. Fujacal, vale de Lamaçães, Galécia, Shopping Santa Cruz, a lista é interminável. Prédios sobre prédios, ausência de espaços verdes, carros que engolem ruas, qualidade miserável de construção, negócios obscuros, tudo isto é Braga do século XXI.
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Não sei se isto ainda é o reflexo de um Portugal rural e atrasado, com maior predomínio no Norte, que não ainda não conseguiu a transição para a modernidade, e que acaba por se reflectir nestes produtos autárquicos...

Qualidade de Vida - I

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A DECO apresentou um estudo que analisaremos com maior detalhe ao longo dos próximos tempos. O que é certo é que o texto introdutório da notícia que está no site daquela associação diz muito sobre

Em Portugal, Viseu, Castelo Branco, Aveiro, Bragança, Viana do Castelo e Braga são as melhores cidades para viver. Setúbal, Lisboa e Porto são as que mais desagradam aos respectivos habitantes.

Tratando-se de conceitos altamente subjectivos, dizer-se que uma cidade "tem qualidade de vida" é coisa bem distinta de dizer-se que "os seus habitantes se sentem agradados com a sua cidade". São diferenças tão óbvias que dispensam exemplos.

As Maravilhas e os Pesadelos de Braga - III

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Seguem os três pesadelos mais recentes.
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Dia 21 de Junho abre o
Braga Retail Center, implantado numa zona de alta densidade populacional e com graves problemas de circulação automóvel. Os acessos são escassos e mal dimensionados, ameaçando criar ainda mais problemas na já difícil fluidez do trafégo.
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A ribeira de Panóias concorre com o Rio Este no campeonato da poluição, estando a criar uma
vaga de indignação junto dos moradores das áreas percorridas por aquele curso de água (ou de esgoto?).
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A ciclovia, construída à pressa em vésperas de eleições, encontra-se num estado deplorável. Não haverá que encontrar responsabilidades para tamanho desperdício de fundos púlicos?

As Maravilhas e os Pesadelos de Braga - II

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Não sou grande entusiasta das votações dos melhores (sejam sete ou outro número qualquer) que por aí proliferam. Mas os resultados da campanha lançada pela ASPA dão que pensar. Na secção das maravilhas, os participantes elegeram o Bom Jesus do Monte, a Sé Catedral e o Mosteiro de Tibães. Tudo obras do passado que o tempo não destronou.
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No capítulo dos pesadelos pontuam o arranjo urbanístico do Campo da Vinha, o Centro Comercial Galécia e o Rio Este. O Campo da Vinha é, de facto, um dos piores cancros desta cidade que quiseram prostrada ante o betão. O desarranjo é brutal, o contraste deselegante, o conjunto é de mau gosto. Tudo erguido sobre um parque concessionado à tão badalada Braga Parques. Tudo inaugurado ao ribombar de fogo de artifício. Tudo construído ante a passividade de uma cidade dormente e carente de verdadeira sociedade civil.
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E o desvario continua.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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